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“Crooked Rain, Crooked Rain” do Pavement (1994)

No princípio dos anos 90 o Pavement aderiu ao estilo de vida/movimento chamado “slacker”. Em 1994, contudo, com o lançamento de seu segundo álbum, já havia um bom número de ouvintes receptivos para o jeito alegre que a banda tinha de criar as estruturas das músicas, fundir gêneros e construir melodias excêntricas.

O vocalista e compositor Stephen Malkmus era o membro do quinteto responsável por criar músicas repletas de expressionismo abstrato e prontas para fazer ressoar os corações de forma quase aleatória. A música “Range Life”, transformada em algo country, é uma das mais diretas da banda e criticava duramente o Smashing Pumpkins e o Stone Temple Pilots, para grande diversão de seus fãs conhecedores de música. Fizeram também um tributo ao lendário pianista e compositor de jazz Dave Brubeck, com uma música instrumental em compasso 5/4 chamada “5 – 4 = Unity”; o disco tinha até mesmo uma rápida referência aos mods ingleses na faixa de encerramento, “Fillmore Jive”. Sua forma própria de maluquice também transparecia na arte da capa, que continha títulos de músicas obscurecidos e recortes visuais encontrados ao acaso – alguns pertinentes, outros não. Há letras rabiscadas a caneta, embora muitas delas não façam parte do disco.

Ainda que o álbum esteja rodeado de uma atsmofera obscura, Crooked Rain, Crooked Rain é hoje considerado um clássico norte-americano, cheio de ganchos e melodias que só poderiam ter nascido em uma geração despreocupada e sem receio de rir de si mesma. Há raios de sol atravessando cada uma das faixas, que são sempre divertidas de se escutar.

Range Life: YouTube Preview Image

5 – 4 = Unity: YouTube Preview Image

Fillmore Jive: YouTube Preview Image

“Slanted And Enchanted” do Pavement (1992)

Se o Nirvana tinha aberto a porta do sucesso para bandas alternativas, o Pavement, em contrapartida, parecia decidido a manter-se fora do centro das atenções. As primeiras fitas cassetes de sua estreia Slanted And Enchanted sequer indicavam o título das músicas, mas ainda assim o disco conseguiu entrar para a votação dos melhores do ano do jornal alternativo The Village Voice. Desde então o som de Slanted And Enchanted influenciou muitas bandas de rock independentes.

O Pavement era formado por três amigos da Califórnia: o cantor lacônico Stephen Malkmun (que aparece como SM nos créditos), o guitarrista Scott Kannberg (Spiral Stairs) e o indisciplinado e hippy baterista Gary Young, que costumava distribuir repolhos nos shows antes de ser despedido da banda um ano depois. Após uma semana de ensaios, gravaram Slanted And Enchanted em sete dias no estúdio construído na garagem de Young, gastando apenas 800 dólares.

Naturalmente, o tom é cru e pouco cuidado. Young soa como se a bateria fosse uma caixa de cartolina e as guitarras estão emboladas em meio à distorção, mas o disco é muito criativo, juntando elementos de free jazz. E ainda que as letras de Malkmus sejam herméticas (“lies and betrayals, fruit covered nails” – “mentiras e traições, unhas cobertas por frutas” -, ele canta em “Trigger Cut”), existe uma sinceridade real e uma grande carga emocional no coração dessas músicas. Note-se a frustração e o desejo na deliciosa “Summer Babe” que abre o disco e “Zurich Is Stained”, com as suas guitarras limpas e bem definidas.

“Éramos jovens, ingênuos e tínhamos algo em que acreditar” – afirmou Kannberg. Com os seus sentimentos confusos e pontas retorcidas, Slanted And Enchanted continua sendo um disco perfeito.

Trigger Cut: YouTube Preview Image

Summer Babe: YouTube Preview Image

Zurich Is Stained: YouTube Preview Image

In The Mouth A Desert: YouTube Preview Image

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