No princípio dos anos 90 o Pavement aderiu ao estilo de vida/movimento chamado “slacker”. Em 1994, contudo, com o lançamento de seu segundo álbum, já havia um bom número de ouvintes receptivos para o jeito alegre que a banda tinha de criar as estruturas das músicas, fundir gêneros e construir melodias excêntricas.
O vocalista e compositor Stephen Malkmus era o membro do quinteto responsável por criar músicas repletas de expressionismo abstrato e prontas para fazer ressoar os corações de forma quase aleatória. A música “Range Life”, transformada em algo country, é uma das mais diretas da banda e criticava duramente o Smashing Pumpkins e o Stone Temple Pilots, para grande diversão de seus fãs conhecedores de música. Fizeram também um tributo ao lendário pianista e compositor de jazz Dave Brubeck, com uma música instrumental em compasso 5/4 chamada “5 – 4 = Unity”; o disco tinha até mesmo uma rápida referência aos mods ingleses na faixa de encerramento, “Fillmore Jive”. Sua forma própria de maluquice também transparecia na arte da capa, que continha títulos de músicas obscurecidos e recortes visuais encontrados ao acaso – alguns pertinentes, outros não. Há letras rabiscadas a caneta, embora muitas delas não façam parte do disco.
Ainda que o álbum esteja rodeado de uma atsmofera obscura, Crooked Rain, Crooked Rain é hoje considerado um clássico norte-americano, cheio de ganchos e melodias que só poderiam ter nascido em uma geração despreocupada e sem receio de rir de si mesma. Há raios de sol atravessando cada uma das faixas, que são sempre divertidas de se escutar.










