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“Dub Housing” do Pere Ubu (1978)

Ao definir seu próprio estilo hard rock proto-punk, o Pere Ubu encontrou uma mina de ouro, que poderia ter explorado por mais alguns anos. Em vez disso, de forma brilhante, a banda criou um som totalmente novo, que, apesar de característico, colocava o grupo quilômetros à frente de qualquer outro de seu tempo. Com sua capa sombria em duas cores (um edifício residencial subindo muito acima de um velho prédio industrial – certamente uma referência ao nome do álbum, se fizesse sentido) e os títulos das faixas inspirados em filmes, canções e slogans do passado, o álbum trazia uma música honesta e calorosa, ao mesmo tempo assustadora e excitante.

O disco foi feito sem grandes gastos, rapidamente e com muita espontaneidade. O guitarrista Tom Herman contou que o grupo “tinha começado a perceber que não devia ser comercial”, mas que, no entanto, esperava chegar o tempo em que a música “não fosse mais um produto” e pudesse voltar a ser a expressão musical e emocional do artista. “A gente se lembrava da excitação da época de mudanças, de Neil Sedaka, Fabian, etc., dos Beatles, Moby Grape, Hendrix, etc.”.

Cada integrante tem uma participação especial no álbum, mas os vocais incomuns e diferenciados de David Thomas é que ficam na cabeça da maioria das pessoas. Em Dub Housing, as reflexões excêntricas de Thomas finalmente ganham asas: o contagiante refrão “Hey, hey, boozy sailors”, de “Caligari’s Mirros”, “Ubu Dance Party” e as mudanças súbitas de ritmo de “Navy”. Foi o maior passo da banda e deu muito certo.

Caligari’s Mirror: YouTube Preview Image

Ubu Dance Party: YouTube Preview Image

Navy: YouTube Preview Image

“The Modern Dance” do Pere Ubu (1978)

Para quem acha Trout Mask Replica difícil de acompanhar, é melhor não ouvir este álbum. O primeiro disco do Pere Ubu, The Modern Dance, mostra a face assustadora do rock absoluto – parece totalmente engajado no gênero e, ao mesmo tempo, completamente fora de sua lógica.

De início, um tipo de banda punk – embora, talvez, a relação com o movimento tenha cessado depois da morte do guitarrista Peter Laughner -, o Pere Ubu, nascido em Cleveland, Ohio, esticou os limites do rock para além de qualquer ponto de ruptura, numa configuração única de riffs de rock, musique concrète e estruturas de composição imprevisíveis. Acima de tudo, vinham os inspirados sintetizadores analógicos do tecladista Allen Ravenstine e os vocais incansáveis de David Thomas.

Alguém já sugeriu que a banda era para o new wave americano o mesmo que o Joy Division era para a música britânica – surgida da raiva e da frustração, mas muito mais complexa emocionalmente. “Non-Alignment Pact” e “Life Stinks” mostram um humor extravagante e pode-se duvidar que Ian Curtis tenha planejado dar essa característica à música.

O álbum, lançado pela Blank records, um braço da Mercury, em 1978, trazia uma formidável fúria de sons que confundiu, mas maravilhou o público. E ainda impressiona. A dinâmica impressionante das faixas mais convencionais como “Street Waves” e “Laughing” influenciou, desde então, o rock alternativo. Os teclados de Ravenstine são excepcionais. O mais surpreendente, porém, é como o Pere Ubu entrelaça com sucesso toques expressionistas e vanguardistas, sem deixar o mainstream, no qual Thomas insiste em colocar a banda. Em vez de um solo de guitarra, “The Modern Dance” traz um som que parece um passeio num shopping center – um excelente passeio num shopping center.

Non-Alignment Pact: YouTube Preview Image

Life Stinks: YouTube Preview Image

Street Waves: YouTube Preview Image

Laughing: YouTube Preview Image

The Modern Dance: YouTube Preview Image

Chinese Radiation: YouTube Preview Image

Sentimental Journey: YouTube Preview Image

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