Ao definir seu próprio estilo hard rock proto-punk, o Pere Ubu encontrou uma mina de ouro, que poderia ter explorado por mais alguns anos. Em vez disso, de forma brilhante, a banda criou um som totalmente novo, que, apesar de característico, colocava o grupo quilômetros à frente de qualquer outro de seu tempo. Com sua capa sombria em duas cores (um edifício residencial subindo muito acima de um velho prédio industrial – certamente uma referência ao nome do álbum, se fizesse sentido) e os títulos das faixas inspirados em filmes, canções e slogans do passado, o álbum trazia uma música honesta e calorosa, ao mesmo tempo assustadora e excitante.
O disco foi feito sem grandes gastos, rapidamente e com muita espontaneidade. O guitarrista Tom Herman contou que o grupo “tinha começado a perceber que não devia ser comercial”, mas que, no entanto, esperava chegar o tempo em que a música “não fosse mais um produto” e pudesse voltar a ser a expressão musical e emocional do artista. “A gente se lembrava da excitação da época de mudanças, de Neil Sedaka, Fabian, etc., dos Beatles, Moby Grape, Hendrix, etc.”.
Cada integrante tem uma participação especial no álbum, mas os vocais incomuns e diferenciados de David Thomas é que ficam na cabeça da maioria das pessoas. Em Dub Housing, as reflexões excêntricas de Thomas finalmente ganham asas: o contagiante refrão “Hey, hey, boozy sailors”, de “Caligari’s Mirros”, “Ubu Dance Party” e as mudanças súbitas de ritmo de “Navy”. Foi o maior passo da banda e deu muito certo.












