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“Very” do Pet Shop Boys (1993)

Ainda que o Pet Shop Boys sempre tenha sido muito gay, Very foi, sem dúvida alguma, seu primeiro álbum realmente gay e o primeiro a chegar ao primeiro lugar na parada britânica. O final épico, uma versão da conhecida “Go West” do Village People (segundo lugar na Inglaterra), confirma isso, mas há também uma balada sobre a AIDS, “Dreaming Of The Queen”, uma música para os que estão “no armário”, “To Speak Is A Sin”, e a predatória “Young Offender”.

Neil Tennant e Chris Lowe, que sempre pareceram ser um pouco excêntricos, foram francamente extravagantes em relação ao invólucro do disco, sobretudo no que diz respeito aos chapéus com cara de abajur anos 790, bem no estilo Devo, e as roupas espaciais peculiares em azul e amarelo. A primeira edição vinha embrulhada numa capa de borracha texturizada e incluía um CD com seis músicas instrumentais de bônus chamado Relentless. O mais importante, contudo, é que deram tudo de si, tornando Very o seu trabalho mais consistente. (Tennant explicou que o disco foi chamado de Very – Muito – porque é muito Pet Shop Boys: muito atual, muito enérguico, muito romântico, muito triste e muito pop”).

Alguns dos pontos altos do disco são a selvagem “The Theatre”, que Tennant disse ter escrito como resposta à homenagem de Phil Collins aos sem-teto (“Another Day In Paradise”), mas que também serve como uma crítica às desigualdades sociais da Inglaterra de John Major. A despreocupada “Liberation” e a otimista “Can You Forgive Her?” são duas músicas pop magníficas como só o Pet Shop Boys sabe fazer.

Very é uma seleção alegre e variada, mostrando que Tennant e Lowe tinham confiança suficiente para mexerem em sua fórmula e ainda assim saírem triunfantes.

Go West: YouTube Preview Image

Dreaming Of The Queen: YouTube Preview Image

To Speak Is A Sin: YouTube Preview Image

Young Offender: YouTube Preview Image

The Theatre: YouTube Preview Image

Liberation: YouTube Preview Image

Can You Forgive Her?: YouTube Preview Image

“Behaviour” do Pet Shop Boys (1990)

Para grande frustração do grupo, o Pet Shop Boys já tinha usado o título Introspective na sua obra anterior. Se algum dos seus discos merecia tal nome era este, um álbum taciturno e angustiante. Neil Tennant comentou que, com o mundo em estado precário, queria criar músicas que refletissem a sua angústia pessoal diante da incerteza global. E, depois de colaborações com Liza Minnelli, Dusty Springifield e Electronic, o duo estava cheio de novas ideias.

Após terem jurado que nunca usariam guitarras em suas músicas, é no mínimo interessante ouvir o duo deixar que Johnny Marr, ex-integrante dos Smiths, salpique algumas faixas. O álbum também contém orquestrações de Angelo Badalamenti, que se tornou conhecido por colaborar no cinema com David Lynch. Desde o início o disco apresenta um tom sóbrio e contido. Tennant lança um olhar nostálgico à adolescência em “Being Boring” e “This Must Be The Place I Waited Years To Leave”. “So Hard”, um single de sucesso na Inglaterra, contém um poderoso riff de sintetizador de Chris Lowe e “How Can You Expect To Be Taken Seriously?” satiriza os estadistas políticos do rock.

Uma melancolia doce se impõe, com as belas “My October Symphony” e “Only The Wind” – duas músicas feitas para sonhar ao lado de uma lareira crepitante. Na celestial “The End Of The World”, Tennant pede que prestemos atenção às profecias de extinção da espécie. As músicas são sempre intimistas e um pouco inquietantes, sinfônicas e grandiosas, mas ainda assim esparsas. Talvez a revista inglesa Sounds o tenha definido corretamente ao dizer que Behaviour é “uma obra pop insuperável”.

Being Boring: YouTube Preview Image

This Must Be The Place I Waited Years To Leave: YouTube Preview Image

So Hard: YouTube Preview Image

How Can You Expect To Be Taken Seriously?: YouTube Preview Image

My October Symphony: YouTube Preview Image

Only The Wind: YouTube Preview Image

The End Of The World: YouTube Preview Image

“Actually” do Pet Shop Boys (1987)

Pode não ser surpreendente que a força do segundo disco do Pet Shop Boys esteja em encontrar beleza nas coisas sombrias. Sucessos como “Rent” falavam de ruas chuvosas, ansiedade e prostituição – é bom lembrar que 1987 foi o ano da “Segunda-Feira Negra” (a segunda maior queda da bolsa em um único dia) e do desastre da balsa em Zeebrugge; dos assassinatos de Hungerford na Inglaterra, do aumento do pânico quanto à AIDS e da reeleição de Thatcher. Ainda assim, apesar de tantas coisas ruins e dramáticas, Actually é um dos maiores feitos do pop da década, com suas pequenas histórias urbanas contadas através de melodias fáceis de ritmo eletrônico. Até os adolescentes no programa semanal da BBC TV, Top Of The Pops, batiam palmas alegremente acompanhando uma música sobre o sentimento de culpa católico (“It’s A Sin”).

Depois do êxito do primeiro álbum, Please, o duo decidiu passar algum tempo compondo músicas com a coleboração de Angelo Badalamenti, o lendário compositor Ennio Morricone e diversos produtores para conseguir um resultado perfeito. De acordo com o vocalista Neil Tennant, que já foi editor da Smash Hits, “a ideia era tornar o disco musicalmente mais ambicioso e obter um som mais amplo”.

O resultado é imaculado mas de alguma forma profundamente humano – tal como a capa do disco, na qual os dois aparecem vestidos com smoking e Tennant está bocejando. Tendo rejeitado uma pintura do artista escocês Alison Watt, a dupla escolheu a foto de uma sessão recente, mas teve que brigar por ela com a Smash Hits, que iria usá-la na capa de seu próximo número.

Os críticos americanos e ingleses renderam-se de imediato aos encanto de Actually e seus singles entraram na lista dos 10 Mais nos dois países. Num ano traumático, os Pet Shop Boys pareciam acalmar a dor com ternura e perspicácia.

Rent: YouTube Preview Image

It’s A Sin: YouTube Preview Image

What Have I Done To Deserve This?: YouTube Preview Image

I Want To Wake Up: YouTube Preview Image

Heart: YouTube Preview Image

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