Ainda que o Pet Shop Boys sempre tenha sido muito gay, Very foi, sem dúvida alguma, seu primeiro álbum realmente gay e o primeiro a chegar ao primeiro lugar na parada britânica. O final épico, uma versão da conhecida “Go West” do Village People (segundo lugar na Inglaterra), confirma isso, mas há também uma balada sobre a AIDS, “Dreaming Of The Queen”, uma música para os que estão “no armário”, “To Speak Is A Sin”, e a predatória “Young Offender”.
Neil Tennant e Chris Lowe, que sempre pareceram ser um pouco excêntricos, foram francamente extravagantes em relação ao invólucro do disco, sobretudo no que diz respeito aos chapéus com cara de abajur anos 790, bem no estilo Devo, e as roupas espaciais peculiares em azul e amarelo. A primeira edição vinha embrulhada numa capa de borracha texturizada e incluía um CD com seis músicas instrumentais de bônus chamado Relentless. O mais importante, contudo, é que deram tudo de si, tornando Very o seu trabalho mais consistente. (Tennant explicou que o disco foi chamado de Very – Muito – porque é muito Pet Shop Boys: muito atual, muito enérguico, muito romântico, muito triste e muito pop”).
Alguns dos pontos altos do disco são a selvagem “The Theatre”, que Tennant disse ter escrito como resposta à homenagem de Phil Collins aos sem-teto (“Another Day In Paradise”), mas que também serve como uma crítica às desigualdades sociais da Inglaterra de John Major. A despreocupada “Liberation” e a otimista “Can You Forgive Her?” são duas músicas pop magníficas como só o Pet Shop Boys sabe fazer.
Very é uma seleção alegre e variada, mostrando que Tennant e Lowe tinham confiança suficiente para mexerem em sua fórmula e ainda assim saírem triunfantes.






















