Arquivos

Categorias

“So” de Peter Gabriel (1986)

Beleza detalhada ou galinhas dançantes? Infelizmente, foi a última opção que fez com que Peter Gabriel passasse de “artista” a “celebridade”. Mas ainda que a ubiquidade do videoclipe de “Sledgehammer” tenha se sobreposto ao brilho e à genialidade da música, o álbum que a contém é maravilhoso.

Peter Gabriel não era um novato e sabia como criar grandes músicas. Seus primeiros quatro discos solo estão cheios de músicas fascinantes, mas os momentos de glória anteriores muitas vezes estavam ocultos em meio à experimentação lírica e musical.

A delicadeza da percussão, a sofisticaçxão dos teclados e as belas linhas de baixo fazem de “Red Rain” e “Mercy Street” (dedicada à poeta americana Anne Sexton) duas faixas admiráveis. Das músicas mais épicas, o dueto com Kate Bush em “Don’t Give Up” é de fazer qualquer um chorar, e “In Your Eyes” ficou famosa depois de ser usada no filme de John Cusack Digam O Que Quiserem.

“In Your Eyes” também serviu como apresentação internacional do cantor senegalês Youssou N’Dour. O compromisso de Gabriel com a world music impregnou a atmosfera do quinto álbum e continua presente em seus trabalhos mais recentes. Entre outros nomes que participaram do disco está o de Laurie Anderson, que faria uma versão de “This Is The Picture” em seu Mister Heartbreak.

Inpdependente de seu título esquisito (“belo formato, mas com pouco significado”, disse Gabriel à Rolling Stone) e uma capa que, uma vez na vida, mostrava o belo visual do cantor, So disparou e gerou vendas multimilionárias. Depois vieram outros álbuns excelentes, mas So é, sem dúvida, a melhor introdução à fantástica discografia de Peter Gabriel.

Sledgehammer: YouTube Preview Image

Red Rain: YouTube Preview Image

Mercy Street: YouTube Preview Image

Don’t Give Up: YouTube Preview Image

In Your Eyes: YouTube Preview Image

This Is The Picture: YouTube Preview Image

“Peter Gabriel III (a.k.a. Melt)” de Peter Gabriel (1980)

Com as ideias psicodélicas do Genesis e a excentricidade deliberada dos discos I e II em seu histórico, esse roqueiro progressivo de 29 anos emerge como um artista solo de vanguarda nos moldes de David Bowie ou Brian Eno.

Trabalhando em seu próprio estúdio e ajudado por amigos que incluíam Phil Collins, Robbert Fripp e David Rhodes, Peter Gabriel finalmente sentiu-se livre para brincar com suas grandes paixões: a world music e a tecnologia, sobretudo o sampler Fairlight CMI e as baterias eletrônicas. Em paralelo às guitarras sujas mais tradicionais de “And Through The Wire”, Peter Gabriel incluiu uma mistura de sons ambientes e sinistros jamais ouvidos num disco de rock: o efeito especial da caixa em “Intruder” ou os samples de cantos sul-africanos misturados no ritmo eletrônico que impulsiona o hino “Biko”.

Consistentemente apaixonado e inovador, Melt é uma colagem perfeita de paisagens sonoras distorcidas encaixadas delicadamente nas letras esparsas de Peter Gabriel sobre alienação, paranoia e identidade.

O conteúdo de Melt era tão surpreendente que, nos Estados Unidos, o selo Atlantic encerrou o contrato de Peter Gabriel quando os seus executivos desistiram de convencê-lo a “fazer um disco que soasse como os Doobie Brothers”. Arrependeram-se amargamente da decisão depois que a Mercury lançou o disco, vendendo 250 mil cópias (mais do que os dois discos anteriores). Na Inglaterra o disco chegou ao primeiro lugar das paradas e o single “Games Without Frontiers”, com a participação de Kate Bush, alcançou a quarta posição – o melhor desempenho de Peter Gabriel na parada de singles até então.

And Through The Wire: YouTube Preview Image

Intruder: YouTube Preview Image

Biko: YouTube Preview Image

Games Without Frontiers: YouTube Preview Image

“Peter Gabriel” de Peter Gabriel (1977)

Dois anos depois de deixar o Genesis, em 1975, Peter Gabriel lançou sua carreira solo com este eclético repertório de nove canções. Livre das tensões e restrições que haviam inibido seu desenvolvimento criativo, ele deu vazão a uma avalanche de ideias represadas e arranjos extravagantes.

“Moribund The Burgermeister” exagera na dose desde o início. Tambores selvagens e trinados de sintetizadores são apenas os primeiros ingredientes da misturada teatral de rock progressivo. Gabriel apresenta uma variedade de estilos vocais, que inclui um rugido estrondoso quando encarna o terrível Burgermeister. A música é estranha, mas atraente.

A faixa seguinte é “Solsbury Hill”, o primeiro hit de Gabriel e uma das melhores e mais duradouras canções de sua carreira. Ancorada por uma melodia repetitiva no violão, a música traz um sentimento tangível de esperança e possibilidades infinitas. A letra fala da saída libertadora do Genesis, quando Gabriel canta “I was feeling part of the scenery / I walked right out of the machinery” (“Eu me sentia parte do cenário / eu saí de dentro da engrenagem”).

Não surpreende que toda essa diversidade resulte em exercícios de gêneros menos interessantes, como a cançoneta de bar “Excuse Me”, no estilo de Randy Newman, ou o longo blues de “Waiting For The Big One”. Mas o álbum tem um fecho forte em “Here Comes The Flood”, um hino bombástico que Gabriel, mais tarde, refez como uma introspectiva balada ao piano. De um jeito ou de outro, é uma canção poderosa.

Este álbum foi apenas o começo do lendário sucesso de Peter Gabriel como artista solo – mas o disco já trazia todos os sinais de que ele faria coisas maravilhosas.

Moribund The Burgermeister: YouTube Preview Image

Solsbury Hill: YouTube Preview Image

Excuse Me: YouTube Preview Image

Waiting For The Big One: YouTube Preview Image

Here Comes The Flood: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados