Beleza detalhada ou galinhas dançantes? Infelizmente, foi a última opção que fez com que Peter Gabriel passasse de “artista” a “celebridade”. Mas ainda que a ubiquidade do videoclipe de “Sledgehammer” tenha se sobreposto ao brilho e à genialidade da música, o álbum que a contém é maravilhoso.
Peter Gabriel não era um novato e sabia como criar grandes músicas. Seus primeiros quatro discos solo estão cheios de músicas fascinantes, mas os momentos de glória anteriores muitas vezes estavam ocultos em meio à experimentação lírica e musical.
A delicadeza da percussão, a sofisticaçxão dos teclados e as belas linhas de baixo fazem de “Red Rain” e “Mercy Street” (dedicada à poeta americana Anne Sexton) duas faixas admiráveis. Das músicas mais épicas, o dueto com Kate Bush em “Don’t Give Up” é de fazer qualquer um chorar, e “In Your Eyes” ficou famosa depois de ser usada no filme de John Cusack Digam O Que Quiserem.
“In Your Eyes” também serviu como apresentação internacional do cantor senegalês Youssou N’Dour. O compromisso de Gabriel com a world music impregnou a atmosfera do quinto álbum e continua presente em seus trabalhos mais recentes. Entre outros nomes que participaram do disco está o de Laurie Anderson, que faria uma versão de “This Is The Picture” em seu Mister Heartbreak.
Inpdependente de seu título esquisito (“belo formato, mas com pouco significado”, disse Gabriel à Rolling Stone) e uma capa que, uma vez na vida, mostrava o belo visual do cantor, So disparou e gerou vendas multimilionárias. Depois vieram outros álbuns excelentes, mas So é, sem dúvida, a melhor introdução à fantástica discografia de Peter Gabriel.


















