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“The Wall” do Pink Floyd (1979)

O punk não conseguiu acabar com o Pink Floyd. Os dias de bandas como o Led Zeppelin, Yes e ELP estavam contados. O Genesis encolheu para sobreviver. Mas o Pink Floyd fazia exatamente o que queria.

Sempre à parte, socialmente, das bandas da época (com exceção, por estranho que pareça, do The Who), o grupo procurava, agora, expressar seu distanciamento do público. O resultado: um álbum conceitual sobre um astro pop desiludido que surta e acha que é um líder fascista. Nada que Tommy ou Ziggy já não tivessem feito. E a metáfora central – tijolos – não era exatamente excitante.

Então, a emoção está nos detalhes – uma produção elaborada até mesmo para os padrões grandiosos do Pink Floyd, vocais no estilo Beach Boys falando sobre a escória e canções concisas, em especial o protesto de “Another Brick In The Wall, Part II” e a favorita dos fãs “Comfortably Numb”.

O álbum foi um megassucesso de vendas, na linha de Dark Side Of The Moon. Ficou seis meses entre os cinco mais vendidos da Billboard e liderou a parada durante 15 semanas. Décadas depois – de acordo com Roger Waters, principal compositor da banda – o disco ainda “vende algo como quatro milhões de cópias por ano”.

The Wall é adorado por artistas britânicos como Noel Gallagher, do Oasis, e Robbie Williams, mas também tem legiões de discípulos nos Estados Unidos. Os álbuns duplos dos Smashing Pumpkins e do Nine Inch Nails não existiriam não fosse The Wall; Antichrist Superstar, de Marilyn Manson, é seu gêmeo (conceitual) do mal.

O álbum é tão poderoso que pôde suportar uma versão disco de “Comfortably Numb”, feita pelas Scissor Sisters, e até ameaças de uma adaptação na Broadway. Melhor ouvir o álbum logo, antes que seja conspurcado.

Another Brick In The Wall, Part II: YouTube Preview Image

Comfortably Numb: YouTube Preview Image

“Wish You Were Here” do Pink Floyd

Diante do enorme desafio de lançar um álbum depois de Dark Side Of The Moon, o Pink Floyd voltou, temporariamente, a seu velho espírito experimental e começou a fazer Household Objects, uma obra a ser gravada só com objetos caseiros. A turnê reajustou o foco do grupo, mas também foi reforçando o ódio de Roger Waters pela indústria da música à medida que o Pink Floyd se tornava uma peça da engrenagem, uma mercadoria para encher estádios.

As gravações de Wish You Were Here começaram em Abbey Road, no início de 1975. O disco abre com o zumbido, em vários canais, produzido por dedos úmidos tocando a borda de taças de vinho (o único elemento sobrevivente de Household Objects), na faixa “Shine On You Crazy Diamond” – provavelmente o melhor single do Pink Floyd, marcado pelas quatro notas de guitarra de David Gilmour, que definem o álbum. As nove partes dessa música sustentam o disco, numa majestosa elegia de 26 minutos ao ex-líder Syd Barrett. A visita inesperada de Barrett ao estúdio, em janeiro, acrescentou mais um fio ao novelo de desespero silencioso no qual o álbum se enredava: ninguém reconheceu o homem gordo e careca que apareceu de repente na sala de controle.

“Have A Cigar” – cantada por um amigo do grupo, Roy Harper – é uma das melhores músicas já feitas sobre a ingratidão; já a faixa-título destila doçura e amargor, tanto quanto a banda. A capa reflete a distância e o isolamento do álbum: vinha encapada com celofane negro e apenas um adesivo indicava o nome.

Lançado em setembro de 1975, o disco foi recebido com indiferença pela crítica, mas disparou para o primeiro lugar na Inglaterra e nos Estados Unidos – tornando o grupo uma peça da engrenagem e uma mercadoria para encher estádios ainda mais valiosa.

Shine On You Crazy Diamond (1-5): YouTube Preview Image

Shine On You Crazy Diamond (6-9): YouTube Preview Image

Have A Cigar: YouTube Preview Image

Wish You Were Here: YouTube Preview Image

“The Dark Side Of The Moon” do Pink Floyd

Solos de guitarra de acid blues. Letras que falam de desgraças e guerras. Um título espacial. Lançado em 1973 por um grupo de anônimos, mas de grande influência.

Esta é a descrição de Cosmic Slop, do Funkadelic. Não tem nada a ver com The Dark Side Of The Moon, exceto pelo fato de que ambos são a trilha sonora de uma era de cinismo, quando o caso Watergate e a Guerra do Vietnã mataram o que havia sobrado do espírito dos anos 60 depois de Altamont.

Esta obra de época teve, porém, um início banal. Ansiosa para se desprender dos grilhões psicodélicos, a banda se reuniu na cozinha do baterista Nick Mason para fazer uma lista das coisas que a incomodavam. Essas preocupações – tempo, dinheiro, loucura, morte – foram combinadas com músicas no estilo meio funk rock de Obscured By Clouds e apresentadas numa turnê, durante um ano, com o nome de Eclipse (A Place For Assorted Lunatics). Salpicada pelo pozinho mágico dos estúdios – vocais gospel, solos explosivos, efeitos sonoros -, Eclipse virou The Dark Side Of The Moon. Na esteira da fama angariada pela banda nas apresentações ao vivo, o álbum bendeu um milhão de cópias nos Estados Unidos, e foi para a estratosfera quando a Capitol, associada à Harvest, transformou “Money” num raro hit do Pink Floyd em single.

Hoje, o álbum pode ser encontrado em edições comemorativas e já foi regravado por um grupo reggae de paródias (Dub Side Of The Moon, de 2003) e pelo Phish. Quando a capa é aberta, surge um prisma que reflete um raio de luz, de forma infinita. Uma das imagens míticas do rock, o prisma evoca tanto o lendário show do Pink Floyd quanto a ambição “exagerada” das letras.

Com essa carga simbólica, podia se esperar que o álbum fosse uma chatice. Mas, na verdade, é uma coleção de canções brilhantes, melodiosas e vibrantes. Para os iniciantes em Pink Floyd, este é o primeiro passo.

Time: YouTube Preview Image

The Great Gig In The Sky: YouTube Preview Image

Money: YouTube Preview Image

“The Piper At The Gates Of Dawn” do Pink Floyd (1967)

Como banda da casa no UFO Club em meados dos anos 60, o Pink Floyd começou uma revolução psicodélico-musical em Londres, rivalizando com a realizada pelo The Greateful Dead em São Francisco. Apesar do nome enganoso – roubado dos artistas de blues Pink Anderson e Floyd Council -, o Pink Floyd não era um grupo de hippies maltrapilhos se aventurando na música negra, e sim um bando de estudantes de arquitetura e arte bem-vestidos em busca de um som próprio. The Piper At The Gates Of Dawn atingiu esse objetivo com resultados fascinantes.

O sucesso do álbum se deve à habilidade da banda em equilibrar a exploração sonora de seus shows ao vivo e a técnica de composição por trás de hits como “Arnold Layne” e “See Emily Play”. Ninguém escrevia canções psicodélicas melhor do que Syd Barrett. Mesmo “Astronomy Domine” orbita ao redor de uma estrutura pop conhecida. No entanto, o compositor estava claramente lutando para controlar a música e a mente, enquanto o baixista Roger Waters, o pianista Richard Wright e o baterista Nick Mason queriam decolar numa viagem espacial. Essa tensão fez com que a barroca “Matilda Mother” e a jazzística “Pow R Toc H” funcionasse muito bem. A peça central do álbum é “Interstellar Overdrive”, um passeio de foguete que dura dez minutos e contém a melhor execução de guitarra da banda antes da chegada de David Gilmour.

Logo depois, Barrett teria um colapso mental e o grupo ganharia as diretrizes da guitarra épica de Gilmour. Waters se tornaria a força criativa da banda e alimentaria o fascínio do público com seu ciclo de canções conceituais. O Pink Floyd voaria mais alto, especialmente em Dark Side Of The Moon, mas, com The Piper At The Gates Of Dawn, o grupo conseguiu capturar com perfeição a essência psicodélica dos anos 60.

Astronomy Domine: YouTube Preview Image

Matilda Mother: YouTube Preview Image

Pow R Toc H: YouTube Preview Image

Interstellar Overdrive: YouTube Preview Image

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