O punk não conseguiu acabar com o Pink Floyd. Os dias de bandas como o Led Zeppelin, Yes e ELP estavam contados. O Genesis encolheu para sobreviver. Mas o Pink Floyd fazia exatamente o que queria.
Sempre à parte, socialmente, das bandas da época (com exceção, por estranho que pareça, do The Who), o grupo procurava, agora, expressar seu distanciamento do público. O resultado: um álbum conceitual sobre um astro pop desiludido que surta e acha que é um líder fascista. Nada que Tommy ou Ziggy já não tivessem feito. E a metáfora central – tijolos – não era exatamente excitante.
Então, a emoção está nos detalhes – uma produção elaborada até mesmo para os padrões grandiosos do Pink Floyd, vocais no estilo Beach Boys falando sobre a escória e canções concisas, em especial o protesto de “Another Brick In The Wall, Part II” e a favorita dos fãs “Comfortably Numb”.
O álbum foi um megassucesso de vendas, na linha de Dark Side Of The Moon. Ficou seis meses entre os cinco mais vendidos da Billboard e liderou a parada durante 15 semanas. Décadas depois – de acordo com Roger Waters, principal compositor da banda – o disco ainda “vende algo como quatro milhões de cópias por ano”.
The Wall é adorado por artistas britânicos como Noel Gallagher, do Oasis, e Robbie Williams, mas também tem legiões de discípulos nos Estados Unidos. Os álbuns duplos dos Smashing Pumpkins e do Nine Inch Nails não existiriam não fosse The Wall; Antichrist Superstar, de Marilyn Manson, é seu gêmeo (conceitual) do mal.
O álbum é tão poderoso que pôde suportar uma versão disco de “Comfortably Numb”, feita pelas Scissor Sisters, e até ameaças de uma adaptação na Broadway. Melhor ouvir o álbum logo, antes que seja conspurcado.

















