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“Vanishing Point” do Primal Scream (1997)

O Primal Scream permanece como um autêntico camaleão do rock. Mais tarde entorpecidos pelo domínio do electro, ao, longo da sua história foram fãs do rock indie, entusiastas alucinados da euforia induzida por drogas e, depois, genuínos herois do rock ‘n’ roll. Mas Vanishing Point veio em um momento em que estavam inseguros do seu som – uma mistura de gêneros e de duvidosas influências mais sombrias, que se fundiram para uma viagem de montanha-russa – por vezes torturante, por vezes um êxtase no sentido mais puro da palavra.

O grupo tornou tanto os pontos altos quanto os baixos brilhantes. O single principal “Kowalski”, que recebeu o nome em homenagem ao protagonista de um obscuro filme de perseguições de carros de 1970 (que deu título ao álbum e que influenciou a arte da capa), é uma inebriante confusão de batidas e baixos entrelaçados com o sinistro sussurro de Bobby Gillespie. “If They Move, Kill ‘Em” é uma contundente agressão aos sentidos de dois minutos. Aguda e alegre, possui enorme força destrutiva ao vivo. Eles fazem até mesmo covers do Motörhead só para deixar as coisas bem claras. Mas também há momentos mais suaves. “Star”, com a participação da lenda do reggae Augustus Pablo na melódica, é um manifesto dub em prol do entendimento universal, muito mais de acordo com os ideais da banda em Screamadelica. “Out Of The Void” oferece um momento raro de arrependimento – Gillespie, com voz nebulosa, afirma: “Se voltasse a ser criança, seria santo, não louco”.

Se Screamadelica e Give Out But Don’t Give Up eram álbuns “para cima”, então Vanishing Point joga o ouvinte no chão. O fato de conseguir fazê-lo sem deixar sequer um arranhão deve-se, em larga medida, ao som e ao ethos indestrutíveis do Primal Scream.

Kowalski: YouTube Preview Image

If They Move, Kill ‘Em: YouTube Preview Image

Star: YouTube Preview Image

Trainspotting: YouTube Preview Image

“Screamadelica” do Primal Scream (1991)

Grupos como o Happy Mondays e o Stone Roses já seguiam a cultura clubber há bastante tempo, mas Screamadelica derrubou todas as barreiras. Os fanáticos por dance music descobriram o mérito do rock, os aficionados do indie-rock se soltaram nas pistas de dança e quem não tinha cópia do disco sentiu-se subitamente fora da onda.

Até então o Primal Scream era um grupo de rock sem muito destaque, com alguns discos no currículo. O acid house estava se tornando moda na Inglaterra em 1990 e a banda decidiu chamar o DJ Andrew Weatherall para fazer uma experiência remixando a música “I’m Loosing More Than I’ll Ever Have”.

O resultado foi “Loaded”. Reduzida ao essencial, preenchida com novos sons e com acréscimo de samples de Peter Fonda no filme The Wild Angels, tornou-se um fenômeno. “Loaded” e o magnífico gospel-house de “Come Together”, que veio em seguida, formaram a coluna vertebral da incrível viagem ao psicodelismo moderno que teria lugar em 1991. Weatherall ficou no painel de controle com relação à maior parte dos ritmos caleidoscópicos das músicas, enquanto o produtor do Primal Scream, Jimmy Miller, se encarregou das duas músicas rock: “Movin’ On Up” e “Damaged”. O grupo tecno The Orb também criou a impressionante transmissão dub sideral de “Higher Than The Sun”, enquanto o Hypnotone converteu “Slip Inside This House”, do 13th Floor Elevators, numa música impulsionada por um baixo irresistível.

Talvez seja mais correto dizer que é um “disco de colaborações”, mas, ainda que os produtores tenham grande parte do mérito pelas músicas, a visão inicial de juntar dance e rock é do Primal Scream.

Loaded: YouTube Preview Image

Come Together: YouTube Preview Image

Movin’ On Up: YouTube Preview Image

Damaged: YouTube Preview Image

Higher Than The Sun: YouTube Preview Image

Slip Inside This House: YouTube Preview Image

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