O Primal Scream permanece como um autêntico camaleão do rock. Mais tarde entorpecidos pelo domínio do electro, ao, longo da sua história foram fãs do rock indie, entusiastas alucinados da euforia induzida por drogas e, depois, genuínos herois do rock ‘n’ roll. Mas Vanishing Point veio em um momento em que estavam inseguros do seu som – uma mistura de gêneros e de duvidosas influências mais sombrias, que se fundiram para uma viagem de montanha-russa – por vezes torturante, por vezes um êxtase no sentido mais puro da palavra.
O grupo tornou tanto os pontos altos quanto os baixos brilhantes. O single principal “Kowalski”, que recebeu o nome em homenagem ao protagonista de um obscuro filme de perseguições de carros de 1970 (que deu título ao álbum e que influenciou a arte da capa), é uma inebriante confusão de batidas e baixos entrelaçados com o sinistro sussurro de Bobby Gillespie. “If They Move, Kill ‘Em” é uma contundente agressão aos sentidos de dois minutos. Aguda e alegre, possui enorme força destrutiva ao vivo. Eles fazem até mesmo covers do Motörhead só para deixar as coisas bem claras. Mas também há momentos mais suaves. “Star”, com a participação da lenda do reggae Augustus Pablo na melódica, é um manifesto dub em prol do entendimento universal, muito mais de acordo com os ideais da banda em Screamadelica. “Out Of The Void” oferece um momento raro de arrependimento – Gillespie, com voz nebulosa, afirma: “Se voltasse a ser criança, seria santo, não louco”.
Se Screamadelica e Give Out But Don’t Give Up eram álbuns “para cima”, então Vanishing Point joga o ouvinte no chão. O fato de conseguir fazê-lo sem deixar sequer um arranhão deve-se, em larga medida, ao som e ao ethos indestrutíveis do Primal Scream.












