Um mistério rodeia este álbum. Por que vendeu menos que Diamonds And Pearls, claramente inferior? O que “Starfish And Coffe” significa? E por que, depois de tanto pensar e repensar, a música “It” sobreviveu e foi parar no disco?
São os caprichos de um gênio. Sign O’ The Times começou como Dream Factory no início de 1986, mas foi abandonado quando Prince descartou tanto a sua musa Susannah Melvoin quanto a sua banda, The Revolutions. No final daquele ano ele gravou um álbum sob o seu pseudônimo Camille e preparou um álbum triplo intitulado Crystal Ball (a história completa e fascinante pode ser encontrada no livro de Per Nilsen Dance Music Sex Romance).
Irritados com a queda nas vendas de Prince desde Purple Rain, a Warner negou-se a lançar um álbum triplo, obrigando-o a escolher algumas músicas dentre as que haviam sido gravadas no ano anterior. O resultado desafia qualquer classificação, indo de um funk triturante a um soul de motel, com homenagens a ídolos como Joni Mitchel e Sly Stone. A imaginação está solta. A surrealmente jazzística “Ballad Of Dorothy Parker”, a extasiante e peculiar “If I Was Your Girlfriend” – em 1987, nenhum dos contemporâneos de Prince tinha ampliado tanto os limites com resultados tão bons. O álbum também equilibra perfeitamente a seriedade com o besteirol: a evangélica “The Cross” vem antes do rap de Sheila. E, sobre o poema de Edward Lear – “The Table And The Chair” – em “It’s Gonna Be A Beautiful Night”.
“Sempre disse”, afirmou Prince à MTV, “que um dia eu tocaria todos os tipos de música e não seria julgado pela cor da minha pele, e sim pela qualidade de meu trabalho”. Vendas à parte, este foi o álbum em que ele conseguiu realizar essa ambição.























