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“Sign O’ The Times” de Prince (1987)

Um mistério rodeia este álbum. Por que vendeu menos que Diamonds And Pearls, claramente inferior? O que “Starfish And Coffe” significa? E por que, depois de tanto pensar e repensar, a música “It” sobreviveu e foi parar no disco?

São os caprichos de um gênio. Sign O’ The Times começou como Dream Factory no início de 1986, mas foi abandonado quando Prince descartou tanto a sua musa Susannah Melvoin quanto a sua banda, The Revolutions. No final daquele ano ele gravou um álbum sob o seu pseudônimo Camille e preparou um álbum triplo intitulado Crystal Ball (a história completa e fascinante pode ser encontrada no livro de Per Nilsen Dance Music Sex Romance).

Irritados com a queda nas vendas de Prince desde Purple Rain, a Warner negou-se a lançar um álbum triplo, obrigando-o a escolher algumas músicas dentre as que haviam sido gravadas no ano anterior. O resultado desafia qualquer classificação, indo de um funk triturante a um soul de motel, com homenagens a ídolos como Joni Mitchel e Sly Stone. A imaginação está solta. A surrealmente jazzística “Ballad Of Dorothy Parker”, a extasiante e peculiar “If I Was Your Girlfriend” – em 1987, nenhum dos contemporâneos de Prince tinha ampliado tanto os limites com resultados tão bons. O álbum também equilibra perfeitamente a seriedade com o besteirol: a evangélica “The Cross” vem antes do rap de Sheila. E, sobre o poema de Edward Lear – “The Table And The Chair” – em “It’s Gonna Be A Beautiful Night”.

“Sempre disse”, afirmou Prince à MTV, “que um dia eu tocaria todos os tipos de música e não seria julgado pela cor da minha pele, e sim pela qualidade de meu trabalho”. Vendas à parte, este foi o álbum em que ele conseguiu realizar essa ambição.

Starfish And Coffee: YouTube Preview Image

Ballad Of Dorothy Parker: YouTube Preview Image

If I Was Your Girlfriend: YouTube Preview Image

The Cross: YouTube Preview Image

It’s Gonna Be A Beautiful Night: YouTube Preview Image

“Purple Rain” de Prince And The Revolution (1984)

Apesar de ter chegado bem perto com Sign O’The Times, de 1987, Slave, The Purple One ou ainda Squiggle, “o artista anteriormente conhecido como Prince Rogers Nelson” nunca conseguiu superar Purple Rain, de 1984. Num momento em que o mundo do pop esperava a chegada do segundo disco de Madonna e Thriller, lançado dois anos antes por Michael Jackson, continuava dominando a arena, as primeiras críticas menosprezaram Purple Rain, afirmando que era uma trilha sonora sem um único hit. Contudo, a trilha sonora da fábula semi-autobiográfica de Prince – um jovem baixote proveniente de uma família pobre e disfuncional se refugia em sua própria música – demonstrou ser a sua declaração pop mais completa. Vendeu 14 milhões de cópias em todo o mundo, gerou cinco singles que entraram para o Top 10 (incluindo dois que chegaram ao primeiro lugar) e fez do cantor uma lenda.

A chave do sucesso de Purple Rain foi o som de Prince, impossível de definir. O funk eletrônico vulgar pelo qual era antes conhecido deu lugar a uma nova mistura de rock, pop e soul que incorporava guitarras distorcidas e batidas eletrônicas em músicas como “When Doves Cry” e “Computer Blue”. A faixa-título do disco foi – acreditem ou não – uma tentativa que Prince fez de compor um rock no estilo country de Bob Seger.

Prince sabia que não conseguiria atingir sucesso em nível mundial a menos que se contivesse um pouco nas letras. Ele fez o possível, mas, com “Darling Nikki” (que fala sobre uma ninfomaníaca que se masturba vendo revistas), Prince foi parar novamente nos livros de história, tornando-se o responsável quase direto pelos selos de “Parental Advisory” (advertência aos pais)  dos discos americanos.

When Doves Cry: YouTube Preview Image

Computer Blue: YouTube Preview Image

Purple Rain: YouTube Preview Image

Darling Nikki: YouTube Preview Image

Let’s Go Crazy: YouTube Preview Image

I Would Die 4 U: YouTube Preview Image

“1999″ de Prince (1982)

“Masturbando-se com uma revista?”. É difícil acreditar que esse pequeno trecho picante retirado de “Darling Nikki” tenha dado origem à campanha do “Parental Advisory” (aviso de conteúdo explícito) nos Estados Unidos.

Até agora, tudo Prince: ninguém que tenha ouvido Dirty Mind, dos anos 80, se surpreenderia. A verdadeira revelação de 1999 foi Prince ter roubado descaradamente elementos de outros artistas, reunindo-os em uma alquimia que se tornaria o seu próprio modelo. Os ritmos sequenciados e as vozes processadas eletronicamente não estão muito distantes de The Electric Spanking Of War Babies, do Funkadelic, mas Prince tinha músicas à altura dessa trapaça sonora.

A guerra é ganha naquilo que costumava ser o lado A. Se houver, na história do rock ‘n’ soul, uma abertura tão impressionante quanto a de “1999″, “Little Red Corvette” e “Delirious”, certamente está guardada a sete chaves em um arquivo vigiado por um leopardo.

Mas não vamos correr em direção aos tesouros escondidos. “Automatic” seria o som do Kraftwerk se eles deixassem as bicicletas de lado e fossem fazer sexo. “Lady Cab Driver” é um funk contagiante e extremamente sedutor. “Free” é uma música mais leve que prenuncia “Purple Rain”. “D.M.S.R.” é um romance sexual em ritmo de disco music. “International Lover” é uma paródia esplêndida e perspicaz.

A cópia exata de Janet Jackson, Control, nos diz muito sobre o impacto de 1999 – um legado hoje mantido pelo The Neptunes. E na capa interna Prince consegue manter uma aparência cool mesmo estando nu em meio a luzes néon. Um grande talento.

1999: YouTube Preview Image

Little Red Corvette: YouTube Preview Image

Delirious: YouTube Preview Image

Automatic: YouTube Preview Image

Lady Cab Driver: YouTube Preview Image

Free: YouTube Preview Image

Purple Rain: YouTube Preview Image

D.M.S.R.: YouTube Preview Image

International Lover: YouTube Preview Image

Let’s Pretend We’re Married: YouTube Preview Image

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