Incitar à piromania e assustar crianças não são estratégias seguras para aumentar as vendas de um álbum. Mas a visceral “Firestarter”, com a sua letra provocadora e o vídeo diabólico, impulsionou The Fat Of The Land. O público do Prodigy elevou o álbum ao primeiro lugar nos Estados Unidos e na Inglaterra – ele conquistou dupla platina nos EUA antes mesmo do final do ano.
O Prodigy penetrou na cultura popular – em grande parte graças à genialidade dos ritmos de Liam Howlett – com uma espantosa montagem de guitarras, samples e eletrônica. Havia hip-hop eletrônico também: “Diesel Power” conta com a colaboração de Kool Keith – Dr. Octagon, dos Ultramagnetic MCs -, enquanto “Funky Shit” tira seu título de “Root Down”, dos Beastie Boys, misturando breakbeats com funk. Em outras faixas há trance de inspiração oriental, uma versão do punk-rock do L7 (“Fuel My Fire”) que conta com samples de uma bateria agitada de “Lost Cause” do Cosmic Psychos.
Buscando controvérsias desde o início – “the fat of the land” é uma citação do nazista Hermann Goering -, o Prodigy esquentou ainda mais as coisas ao lançar como single “Smack My Bitch Up” (com samples que iam de Andy Williams a Kool And The Gang). Um vídeo (censurado) repleto de sexo, drogas e vômito (com uma virada interessante no final) não ajudou em nada as coisas. A Organização Nacional de Mulheres protestou na Inglaterra, afirmando que a música glorificava a violência contra as mulheres, e artistas como Chumbawamba e Moby juntaram-se ao coro.
Essa tátioca de choque mostrou-se eficaz a curto prazo – “Smack My Bitch Up” foi parar até mesmo na trilha sonora do filme As Panteras. Confirmou, contudo, que o Prodigy era, como consta em “Firestarter”, um grupo de “instigadores punk”. The Fat Of The Land é obrigatório em qualquer coleção.







