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“Apocalypse ’91… The Enemy Strikes Black” do Public Enemy (1991)

Com seus primeiros dois álbuns inovadores, o Public Enemy tinha se estabelecido como o grupo mais radical e relevante do rap. Apocalypse ’91… The Enemy Strikes Black não poderia ser tão inovador quanto os seus predecessores, mas merece tanto reconhecimento quanto eles.

Muitos selos e gravadoras tinham demonstrado um súbito interesse pelas leis de direitos autorais e isso tornaria muito caro fazer outra produção repleta de samples no estilo Bomb Squad. Como resposta, Chuck D. pediu que o Bomb Squad ficasse em segundo plano, atuando como produtores executivos, e que deixassem os seus discípulos, The Imperial Grand Ministres Of Funk, recriar o som pesado e contundente característico ds banda usando sobretudo fontes impossíveis de serem reconhecidas e gravações originais.

Ao construírem músicas como “Nighttrain” e “By The Time I Get To Arizona” em torno de um único sample muito eficaz, o Public Enemy conseguiu economizar dinheiro sem perder sua liderança. Com sons de sirenes apocalípticas e batidas agressivas, os “Prophets Of Rage” (Profetas da Raiva) continuaram fazendo aquilo que faziam melhor: educar as massas sobre a injustiça social e racial no início de uma década que Chuck D. havia chamado de “The Terrordome”.

Apocalypse ’91… The Enemy Strikes Black estreou como o quarto lugar na parada da Billboard. Mais importante ainda, conseguiu manter o nível de excelência que o Public Enemy tinha estabelecido.

Nighttrain: YouTube Preview Image

By The Time I Get To Arizona: YouTube Preview Image

Prophets Of Rage:  YouTube Preview Image

“Fear Of A Black Planet” do Public Enemy (1990)

Quer cair de uma escada durante uma hora? Não? E se for ao som de sirenes e de vozes intimidantes lhe dando lições sobre o racismo? Não? O triunfo de Fear Of A Black Planet é fazer exatamente isso, mas ainda assim é um barato do início ao fim.

O Public Enemy tinha passado três anos resmungando enquanto o mundo comprava as músicas festivas do Fresh Prince (Will Smith).

É verdade que It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back, de 1988, havia transformado-os em herois do hip-hop e a sua indumentária militar seduzia os amantes do rock, mas estavam longe de dominar o mundo. A situação mudou quando Spike Lee pediu-lhes que compusessem uma música para o seu filme Do The Right Thing. “Fight The Power” atreveu-se a detonar Elvis Presley e John Wayne e acrescentou funk onde antes havia sobretudo hip-hop no estilo Run DMC. Em Fear Of A Black Planet os samples são alterados até não serem mais reconhecíveis. O resultado é o álbum de rap mais excitante e movimentado da história. As letras fizeram com que os fãs se lembrassem de assuntos como compensações e Malcolm X. As letras sobre homossexualidade e anti-semitismo mergulham nas usuais profundezas do rap, mas “Revolutionary Generation” é um grito de guerra dedicado às mulheres. Elogiado por artistas como Ian Brown, do Stone Roses, e Björk, e descaradamente saqueado pelo Chemical Brothers, Fear Of A Black Planet foi o som anti-comercial mais impressionante a chegar ao topo das paradas até o surgimento de Kid A do Radiohead, uma década mais tarde. Mas Kid A não mudou o mundo; Fear Of A Black Planet, sim.

Fight The Power: YouTube Preview Image

Revolutionary Generation: YouTube Preview Image

“It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back” do Public Enemy (1988)

O pior pesadelo da música – o Public Enemy – é o melhor amigo do ruído. Apesar de todos os slogans revolucionários deste disco, o funk pesado e a raiva política, o que se gruda na memória é um sample guinchante. Como um rato com um trompete, ele pula incansavelmente de uma música para outra.

Chuck D. criou esse sample em casa – “A minha mãe disse: Que merda é essa? Tem uma chaleira no disco?”. Inspirado pelos chefões do hip-hop KRS One e Eric B., ele sabia que o Public Enemy tinha que produzir algo melhor do que o básico Yo! Bum Rush The Show de 1987.

O resultado foi tão brilhante que It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back continua sendo um dos melhores discos de rap. E as músicas são de tal modo explosivas que a banda por vezes tinha que incorporar interlúdios instrumentais para dar um abrigo provisório aos ouvintes (um deles, “Security Of The First World”, inspirou “Justify My Love” de Madonna). Quase todas as músicas são um ponto alto. “Don’t Believe The Hype” tornou-se uma frase constantemente repetida em todo o mundo. “She Watch Channel Zero?!” é um marco importante no caminho do rap-rock que conduz ao Rage Against The Machine. “Night Of The Living Baseheads” e “Rebel Without A Pause” são turbilhões de blips e de baixos e de James Brown. “Cold Lampin’ With Flavor” é uma demonstração irretocável do cúmplice de Chuck, Flavor Flav. E “Black Steel In The Hour Of Chaos”, com sua temática sobre prisões, é um épico pingente.

It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back não pode ser resumido. Segundo a citação que inicia “Bring The Noise” – originalmente uma alusão ao pugilista e gangsta original Jack Johnson – é “negro demais, forte demais”. O seu som e fúria têm muitos significados, mas também dá para dançar.

Security Of The First World: YouTube Preview Image

Don’t Believe The Hype: YouTube Preview Image

She Watch Channel Zero?!: YouTube Preview Image

Night Of The Living Baseheads: YouTube Preview Image

Rebel Without A Pause: YouTube Preview Image

Cold Lampin’ With Flavor: YouTube Preview Image

Black Steel In The Hour Of Chaos: YouTube Preview Image

Bring The Noise: YouTube Preview Image

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