Se o punk rock tinha sido uma tentativa violenta de usurpar o poder do mainstream, o pós-punk era, em muitos sentidos, um recuo traumático, um catártico grito primal. Os Sex Pistols revolviam seu ser doentio para fazer um rock ‘n’ roll contagiante, pronto para a diversão; no Public Image Ltd., John Lydon refinava seus gritos angustiantes como um instrumento de tortura. Os riffs no estilo Cochran de Never Mind The Bullocks deram lugar à repetição do Can, à leitura dub de Lee Perry e a novos truques dissonantes criados pelo baixista Jah Wobble e pelo genial guitarrista Keith Levene.
Lançado um ano depois de seu barulhento primeiro álbum, Metal Box – assim chamado porque as edições iniciais foram feitas no formato de três discos de 12 polegadas e 45 rpm, embalados numa prática lata de filmes (mais tarde esse formato foi relançado como Second Edition, numa embalagem mais barata) – deu espaço ao Public Image Ltd. para abrir suas velas e navegar em sua bad trip até o fim. Algumas faixas são longas e os ritmos semi-industriais se desgastam, os sons ruidosos se fechando em torno dos ouvidos de forma claustrofóbica. Mesmo dentro dessa confusão de barulhos há músicas lindas e incomuns – como “Careering” e a impetuosa “Poptones”. Mas Metal Box, antes de mais nada, era um álbum com o clima sugerido pelo título: frio, sombrio, implacável, subterrâneo.
O disco resumiu o estado de espírito da banda, que se entregou às drogas e estava exausta das turnês caóticas e desastrosas. Significava, de várias maneiras, o som de um grupo sem futuro, embora as texturas abrasivas e os sons poderosos descobertos em seu caminho ladeira abaixo fossem influenciar todo tipo de música experimental das décadas seguintes.













