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“Metal Box” do Public Image Ltd. (1979)

Se o punk rock tinha sido uma tentativa violenta de usurpar o poder do mainstream, o pós-punk era, em muitos sentidos, um recuo traumático, um catártico grito primal. Os Sex Pistols revolviam seu ser doentio para fazer um rock ‘n’ roll contagiante, pronto para a diversão; no Public Image Ltd., John Lydon refinava seus gritos angustiantes como um instrumento de tortura. Os riffs no estilo Cochran de Never Mind The Bullocks deram lugar à repetição do Can, à leitura dub de Lee Perry e a novos truques dissonantes criados pelo baixista Jah Wobble e pelo genial guitarrista Keith Levene.

Lançado um ano depois de seu barulhento primeiro álbum, Metal Box – assim chamado porque as edições iniciais foram feitas no formato de três discos de 12 polegadas e 45 rpm, embalados numa prática lata de filmes (mais tarde esse formato foi relançado como Second Edition, numa embalagem mais barata) – deu espaço ao Public Image Ltd. para abrir suas velas e navegar em sua bad trip até o fim. Algumas faixas são longas e os ritmos semi-industriais se desgastam, os sons ruidosos se fechando em torno dos ouvidos de forma claustrofóbica. Mesmo dentro dessa confusão de barulhos há músicas lindas e incomuns – como “Careering” e a impetuosa “Poptones”. Mas Metal Box, antes de mais nada, era um álbum com o clima sugerido pelo título: frio, sombrio, implacável, subterrâneo.

O disco resumiu o estado de espírito da banda, que se entregou às drogas e estava exausta das turnês caóticas e desastrosas. Significava, de várias maneiras, o som de um grupo sem futuro, embora as texturas abrasivas e os sons poderosos descobertos em seu caminho ladeira abaixo fossem influenciar todo tipo de música experimental das décadas seguintes.

Careering: YouTube Preview Image

Poptones: YouTube Preview Image

Albatross: YouTube Preview Image

Chant: YouTube Preview Image

Radio 4: YouTube Preview Image

“Public Image Ltd.” do Public Image Ltd. (1978)

“Do you ever get the feeling you’ve been cheated?” (“Você nunca tem o sentimento de que foi traído?”), se queixou John Lydon, em janeiro de 1978, na sua despedida dos Sex Pistols. “Hello, Hello, Hello, Hello”, repetia ele, alguns meses depois, ao anunciar a formação do Public Image Litd. – e as baterias motorizadas e o baixo ressonante do single de estreia da nova banda. Lydon saiu cambaleante dos destroços dos Sex Pistols, com sua identidade cerceada, e imaginou a banda como a expressão honesta e cheia de cicatrizes de seus pensamentos e medos mais profundos.

Mas o Public Image Ltd. era bem mais do que um projeto pós-Sex Pistols de um dos nomes mais representativos e simbólicos do punk. O guitarrista Keith Levene (antigo colaborador do The Clash), o baixista Jah Wobble e o baterista Jim Walker esculpiram um som que empurrou o primitivismo do punk rock para uma direção experimental, apontando novos rumos. Se “Public Image” tinha as características de um hino, a faixa de abertura, “Theme”, era tudo, menos isso. Um cântico sombrio e arrasador, colorido por furacões de distorção, a música, com seu ritmo fúnebre, alcança uma intensidade hemorrágica. Os urros e gritos desumanos de Lydon, “I wish I could die”, iluminam a desolação da Inglaterra pós-punk; a guitarra de Levene é de uma eloquência venenosa.

Catarse era a palavra-chave: “Religion” (em duas partes) atacava a Igreja Católica; “Annalisa” era um rock de garagem psicótico sobre frustrações menos específicas do que a religião. “Fodderstompf”, uma extensa faixa de falso ritmo disco, com o refrão satírico “We only wanted to be loved”, encerrava o álbum com uma nota polêmica. Mas, se Public Image Ltd. era, sem dúvida, um disco sombrio e pouco agradável, a vitalidade de sua franqueza e o seu esforço em perseguir um futuro diferente o tornaram um álbum com alto poder de influência e, até hoje, muito perturbador.

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Religion I: YouTube Preview Image

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Annalisa: YouTube Preview Image

Fodderstompf: YouTube Preview Image

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