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“This Is Hardcore” do Pulp (1998)

Em 1997, a festa do britpop já estava nas últimas. O Pulp documentava o declínio. Quem escutasse This Is Hardcore na esperança de ouvir mais uma dose das típicas observações incisivas da banda teria uma grande surpresa. Se o depressivo single “Help The Aged”, lançado antes do álbum, não disparou alarmes, a mensagem e a atmosfera da opressiva “The Fear”, que abria o disco, eram inconfundíveis. “This is the sound of someone losing the plot / Making out they’re okay when they’re not / You’re gonna like it, but not a lot” (“Este é o som de alguém perdendo o controle / Fazendo de conta que está bem quando não está / Vocês vão gostar, mas não muito”), advertia Cocker. Ele não estava brincando.

A essa altura, o Pulp já tinha tomado uma overdose de fama. “Party Hard” fazia referência aos excessos que alimentavam essa atmosfera com uma autocrítica distante.

This Is Hardcore é uma obra muito inquietante (na época só comparável a In Utero, do Nirvana), desde o título, que alude à pornografia, até o pessimismo da última música, em contraste brutal com o otimismo da Grã-Bretanha de Tony Blair. Também é o álbum mais bem resolvido do Pulp do ponto de vista musical: “Seductive Barry” transmite um sentimento de ameaça inexorável e hipnótico; “Party Hard” é um exercício funk demente.

Apesar de ter chegado ao primeiro lugar, o álbum fez menos sucesso do que o seu predecessor, Different Class, que era exatamente o que o Pulp desejava e necessitava (apesar da capa ter causado alguma controvérsia, tendo feito com que a banda fosse acusada de exploração da pornografia). Toque este disco imediatamente após Different Class e você terá um curso intensivo sobre os perigos de conseguir o que se quer, quando se quer e com quem quiser.

Help The Aged: YouTube Preview Image

The Fear: YouTube Preview Image

Party Hard: YouTube Preview Image

Seductive Barry: YouTube Preview Image

This Is Hardcore: YouTube Preview Image

Glory Days: YouTube Preview Image

The Day After The Revolution: YouTube Preview Image

“Different Class” do Pulp (1995)

Os meados dos anos 90 foram muito promissores para a música pop britânica. A música pop dessa época glorificava essa “Cool Britannia”, uma Inglaterra elegante e cheia de estilo, e a reinvenção entusiástica do formidável passado do país – e, em particular, a recriação da música dos anos 60, representada por clássicos como The Beatles, The Kinks e The Small Faces – se propagou pelo mundo da música. No auge do britpop houve uma guerra de popularidade entre o Blur e o Oasis, mas uma grande maioria acredita que o vencedor foi o Pulp com o seu quinto álbum, Different Class.

O líder do grupo, Jarvis Cocker, comparou o sentimento de exuberância a uma revolução da classe trabalhadora. Detentor de uma capacidade única de contar histórias e de um estilo eloquente e teatral, deu vida a seus personagens através de grande atenção aos detalhes, coisa que falta a muitos compositores. A versão diferente de pop que o Pulp fazia virou uma geração inteira de pernas para o ar, convertendo suas músicas em hinos. Basta lembrar da imortal e eletrizante “Common People” (não há ironia alguma na raiva com que Cocker interpreta a música) ou das recordações de escola da música “Disco 2000″. “I Spy” é uma vinheta atrativamente sombria de voyeurismo, enquanto “Sorted For E’s And Wizz” é im instantâneo cortante do lado menos atraente da cultura rave.

O título do álbum veio a Cocker como uma epifania, num clube que costumava frequentar. De onde a mensagem na contracapa do álbum: “Não queremos criar problemas, queremos apenas ter o direito de ser diferentes. Só isso”. Composto com um nível superior de estilo e inteligência, Different Class elevou por um curto período o Pulp acima de seus colegas do britpop.

Common People: YouTube Preview Image

Disco 2000: YouTube Preview Image

I Spy: YouTube Preview Image

Sorted For E’s And Wizz: YouTube Preview Image

F.E.E.L.I.N.G.C.A.L.L.E.D.L.O.V.E.: YouTube Preview Image

Underwear: YouTube Preview Image

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