O Queen flertou com o funk, a ópera e a música eletrônica – assim, era fácil esquecer que se tratava de uma fantástica banda de hard rock tão heavy quanto o Black Sabbath, tão densa quanto o Led Zeppelin e tão inteligente quanto o Cream. Sheer Heart Attack fez do grupo um grande sucesso nos Estados Unidos e na Inglaterra, graças ao rock gótico do guitarrista Brian May e ao pop espalhafatoso do vocalista Freddie Mercury.
May caiu doente quando as gravações começaram. A banda, então, registrou a sua parte e deixou espaço para seus overdubs de vocais e guitarra. May toma de assalto o tour de force de “Brighton Rock”, a incendiária “Now I’m Here” – uma das preferidas nos shows – e o pré-thrash de “Stone Cold Crazy”.
O álbum traz ainda a deliciosa “Lily Of The Valley”, de Mercury, e a fúnebre “Dear Friends”, de May. Há também sinais das imitações que poluem a música da banda, como “Bring Back That Leroy Brown”, levada no banjo.
A peça principal do disco é “Killer Queen”, que, como o single, levou o Queen ao estrelato. É uma obra-prima do rock animal que conta a história de uma prostituta de alta classe – uma extravagante justaposição da alta e da baixa cultura, que parece definir a complexa personalidade pública do cantor.
Se May e Mercury eram o Lennon e o McCartney do Queen, seu George Harrison era o baixista John Deacon. A caribenha “Misfire” foi a primeira de suas vinhetas para a banda.
O baterista Roger Taylor também compunha, apesar de sua “Sheer Heart Attack” só ter sido lançada no álbum News Of The World, de 1977. E a fotografia de Mick Rock, da banda ensopada de suor, na capa? “Meu Deus, que agonia foi fazer aquelas fotos, querido”, contou Mercury à NME. “A gente continua tão afeminado quanto naquela época”.
Brighton Rock: 
Now I’m Here: 
Stone Cold Crazy: 
Lily Of The Valley: 
Dear Friends: 
Bring Back That Leroy Brown: 
Killer Queen: 
Misfire: 