Ao contrário da maioria das bandas hippies da área do Haight-Ashbury, em São Francisco, o Quicksilver Messenger Service conseguiu transferir a exploração sonora pura de suas apresentações ao vivo para o estúdio – é só ouvir seu primoroso álbum de estreia, de 1968. Mas a banda levantaria a bandeira da extravagância em seu disco seguinte, Happy Trails, gravado praticamente todo ao vivo no Fillmore East e no Fillmore West.
A faixa de abertura, “Who Do You Love”, de Bo Diddley, ocupa todo um lado do LP e é até hoje um dos temas psicodélicos mais vibrantes já registrados em vinil. Dividida em seis partes – as quatro centrais apresentam, cada uma, um integrante diferente da banda -, a suíte “Who Do You Love” mostra como deveria ser relaxar, tomar ácido e dançar até às quatro da manhã numa daquelas festas de arromba de Bill Graham.
O grupo continua no melhor de Diddley com “Mona”, um trabalho coeso mas, ainda assim, solto, no qual John Cipollina faz uma das interpretações mais intensas de sua impressionante carreira. “Calvary” é uma mistura arrepiante de estilos, levando a um final glorioso de 13 minutos. O disco fecha com a breve despedida de “Happy Trails” (o tema característico do cowboy Roy Rogers na TV), que combina perfeitamente com o desenho de época na capa de George Hunter.
Happy Trails vendeu bem e chegou aos Top 30 nos Estados Unidos. O álbum se mantém como um claro retrato da banda no auge de seu poder de improvisação, e sua influência ainda poda ser sentida na música das jam-bands de hoje.




