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“Automatic For The People” do R.E.M. (1992)

Em 1992, a banda R.E.M. pegou o mundo desprevenido. Em seu segundo álbum lançado por uma grande gravadora, Out Of Time, a banda tinha mostrado um estilo folk pop alegre, emotivo e muito bem-sucedido. Mas neste álbum os rappers e bandolins que faziam participações como convidados foram substituídos por algo mais sutil, mais humano e mais duradouro.

A fotografia da capa, de autoria de Anton Corbijn, monocromática e sombria, deixava antever um conteúdo musical mais soturno. Tanto os críticos como os fãs ficaram embasbacados com a majestosa acústica do single “Drive”, que entrou no Top 5 na Inglaterra e Nos Estados Unidos, ainda que não tivesse um único refrão e a orquestração fosse de John Paul Jones, ex-Led Zeppelin.

O título veio de um restaurante da cidade natal da banda em Athens, na Geórgia. O álbum gerou seis singles (muitos ainda são usados para fechar apresentações ao vivo), de “The Sidewinder Sleeps Tonight”, com sua letra obtusa mas otimista, ao esperançoso “Everybody Hurts” (uma das letras mais diretas e devastadoras já escritas por Michael Stipe). A música “Man On The Moon”, que fala sobre o comediante Andy Kaufman, foi usada mais tarde no filme homônimo.

Muitas das músicas estão relacionadas com a morte. O narrador da música “Try Not To Breathe” está à espera da morte. Contudo, “Sweetness Follows”, um dos pontos altos, sugere que, por mais negro que seja o momento, em breve a luz se fará. A gravação do álbum foi feita em vários estúdios em pontos diversos dos Estados Unidos, um hábito que se tornaria regra para o R.E.M. “New Orleans Instrumental Number 7″ fala, sem palavras, sobre a liberdade que isso lhes deu. Sendo a faixa mais curta do álbum, mostra uma banda livre de tensões, movendo-se sem esforço sobre uma nuvem tranquila de emoções obscuras às quais, ao que parece, apenas eles tinham acesso na época.

Drive: YouTube Preview Image

The Sidewinder Sleeps Tonight: YouTube Preview Image

Everybody Hurts:  YouTube Preview Image

Man On The Moon: YouTube Preview Image

Try Not To Breathe: YouTube Preview Image

Sweetness Follows: YouTube Preview Image

“Green” do R.E.M. (1988)

Um frenesi de cobertura da mídia em relação às condições climáticas fez com que meados de 1988 passassem a ser apelidados de “Greenhouse summer” (verão estufa). Em novembro do mesmo ano, o R.E.M. lançou o seu sexto álbum de estúdio. O seu título demonstrava as novas preocupações sociais da esquerda liberal e a música elevou este quarteto a um nível de sucesso capaz de lotar estádios. E, apesar de todos os acordes e refrãos energéticos, o hábil bandolim de Peter Buck ainda pode ser ouvido em três notáveis baladas.

A mensagem de Green fica evidente logo na capa, onde folhagem, aneis de árvores e postes telegráficos competem entre si. O fundo é manchado de laranja – uma referência ao agente químico Agent Orange usado pelas forças dos Estados unidos no Vietnã para arrasar um terço da cobertura florestal daquele país. A referência continua na música “Orange Crush”.

As preocupações ecológicas também estão presentes no misterioso “I Remember California”. É uma visão estranha da costa ocidental que menciona carcajus, submarinos Trident e engarrafamentos de trânsito antes de fechar com os versos um pouco herméticos: “At the end of the continet / At the edge of the continent” (“No final do continente / Na extremidade do continente”). Em seguida vem o single “Stand”, com seu verso melancólico, “If wishes were trees, the trees would be falling” (“Se desejos fossem árvores, as árvores estariam caindo”).

Ainda que a turnê seguinte do R.E.M. tenha promovido o Greenpeace e a Anistia Internacional, Green não é um manifesto político em forma de rock. Em “World Leader Pretend” as preocupações de Stipe são expressas na primeira pessoa e “Turn You Inside Out” fala de seus embates com os dilemas da fama.

“O R.E.M. é a melhor banda do mundo?” – perguntou Andy Gill, fazendo uma resenha deste álbum na revista Q. Ele decidiu que sim, e milhões de pessoas concordaram.

Orange Crush: YouTube Preview Image

I Remember California: YouTube Preview Image

Stand: YouTube Preview Image

World Leader Pretend: YouTube Preview Image

Turn You Inside Out: YouTube Preview Image

You Are Everything: YouTube Preview Image

Hairshirt: YouTube Preview Image

“Document” do R.E.M. (1987)

No início dos anos 80, quando o R.E.M. era simplesmente uma banda e não uma lenda, o som modulado de suas guitarras atraiu um número respeitável de fãs. Mas foi depois do lançamento do seu quinto álbum, Document, em 1987, que Michael Stipe, Peter Buck, Bill Berry e Mike Mills anunciaram os seus planos para mudar o mundo.

O primeiro verso já diz tudo: “The time to rise / has been engaged” (“O tempo de nos rebelar / já começou”). “Finest Worksong”, impulsionada pelo ritmo do baixo e com um refrão pronto para estádios cheios de fãs, inicia aquele que é talvez o último grande lado A da era do vinil. Há uma sucessão de músicas fantásticas, do pop poderoso de “Exhuming McCarthy” à associação livre de palavras em “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”. Os verdadeiros fãs sabem essa música de cor – os demais fingem que sabem.

A segunda metade começa com o primeiro grande sucesso do R.E.M., “The One I Love”, uma música que se resume a uma frase repetida e a um refrão de uma só palavra. Foi o suficiente para que se tornasse um grupo de sucesso em seu país e serviu para que o rock alternativo do final dos anos 80 chegasse ao grande público. A partir daí, o álbum segue para territórios mais estranhos, com a valsa de “Fireplace” e a balada hipnótica “King Of Birds”.

Document foi o primeiro dos muitos discos clássicos do grupo produzidos por Scott Litt. Os murmúrios indecifráveis de Stipe se foram. Em seu lugar havia agora imagens intrigantes como o refrão de “Exhuming McCarthy” – “You’re sharpening stones / walking on coals / to improve your business acumen” (“Você está afiando pedras / andando sobre brasa / para melhorar seu faro para negócios”).

Depois de Document, o mundo inteiro conhecia o R.E.M. O álbum continua genial, influenciando tantos outros.

Finest Worksong: YouTube Preview Image

Exhuming McCarthy: YouTube Preview Image

It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine): YouTube Preview Image

The One I Love: YouTube Preview Image

Fireplace: YouTube Preview Image

King Of Birds: YouTube Preview Image

“Murmur” do R.E.M. (1983)

Dylan Thomas um dia brincou dizendo que os seus primeiros poemas eram tão complexos que ele mesmo já não conseguia entendê-los. Michael Stipe também admitiu, três anos após ter escrito “Pilgrimage”, incluído em Murmur, que “ainda o impressiona”. O título do álbum de estreia da banda (“Murmúrio”), caracterizado por seus balbucios nebulosos, é, portanto, bem apropriado. Mas Stipe não queria ser um poeta clássico. Reconhecia que a insinuação e imagens crípticas poderiam ser muito sugestivas.

A verdade é que o R.E.M. precisava da tonalidade mística de Stipe para se destacar dos outros grupos. Do ponto de vista musical, Murmur gira em torno dos acordes metálicos da Rickenbacker de Peter Buck e das tortuosas melodias de Stipe. O R.E.M. foi formado em meio aos grupos alternativos de Athens, na Geórgia, e começou a fazer sucesso nas rádios e shows do circuito universitário. Esse disco foi concebido em um estúdio gospel da Carolina, e a gravadora da banda exigiu que os produtores lhe fornecessem um sucesso comercial. Um violoncelista clássico tocou em “Talk About The Passion” e ficou espantado por não ter uma partitura escrita.

O álbum foi um sucesso de crítica. A revista Rolling Stone o nomeou disco do ano e o LP foi subindo na lista dos 30 Mais nos Estados Unidos. Os fãs de carteirinha da banda ajudaram muito, e o R.E.M. possuía um talento desenvolvido ao longo do tempo e resultando em um som mais sofisticado do que, digamos, o do Hüsker Dü ou do Green On Red. Até a fotografia gótica da capa tem imagens de raízes da planta kudzu, uma trepadeira que prolifera na Geórgia, e um trecho ferroviário rural de Athens.

O jornal New York Times publicou uma crítica que dizia: “Esse disco soará tão novo dentro de 10 anos como agora.” Talvez continue assim por mais 20 ou mesmo 30 anos…

Pilgrimage: YouTube Preview Image

Talk About The Passion: YouTube Preview Image

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