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“Hail To The Thief” do Radiohead (2003)

Alguns críticos pensaram que o Radiohead tinha se refugiado num canto tecno com Amnesiac e Kid A, predecessores imediatos de Hail To The Thief. Mas com a mesma habilidade com que havia redefinido o conceito de “álbum de rock” seis anos antes, com OK Computer, a banda se reinventou mais uma vez e ampliou outras fronteiras do rock. Sobretudo aquela que demarcava a longevidade.

Certamente sua criação mais engajada (o título é tirado de um slogan anti-George W. Bush, enquanto a capa é uma colagem colorida de expressões cotidianas, intercaladas com palavras chocantes extraídas das notícias sobre a Guerra do Iraque), o álbum retorna ao som do seu disco de estreia, Pablo Honey – e, acima de tudo, é um rock mais vibrante. A experimentação ainda fica evidente, assentando confortavelmente no mix.

A primeira faixa, “2+2=5″, foi composta, aparentemente, em questão de minutos, mas permanece o momento mais emocionante. “Don’t question my authority or put me in a box”, balbucia Thom. O Radiohead estava de volta e, ainda por cima, tocando instrumentos “de verdade”. De fato, o primeiro som que se escuta é o de uma guitarra elétrica sendo ligada no amplificador.

Há também a velha e doce melancolia do Radiohead, desta vez influenciada pela determinação de Thom em proteger a sua família (o seu primeiro filho nasceu pouco depois do lançamento deste álbum). Em “I Will”, com a voz arrepiante em dois canais sobrepostos, afirma “I won’t let this happen to my children” (“Não vou deixar isto acontecer com meus filhos”). O single “There There” é uma peça de rock apoteótica, na qual quatro dos cinco membros da banda tocaram bateria ao mesmo tempo.

Da política às questões pessoais e à música em si, Hail To The Thief demonstrou que o Radiohead ainda estava ligado.

2+2=5: YouTube Preview Image

I Will: YouTube Preview Image

There There: YouTube Preview Image

Go To Sleep: YouTube Preview Image

“Amnesiac” do Radiohead (2001)

Em 1999, o Blur lançou seu disco 13, com seus hinos perturbadores sobre uma alma numa queda livre futurista, um final perfeito para o pop no final do século. Então, como começar o novo milênio?

O Radiohead tinha revalorizado o uso clínico da tecnologia em Ok Computer. Seu próximo álbum de estúdio, Kid A, teve uma prévia lançada antes na internet em formato MP3. No verão seguinte, veio Amnesiac, potencialmente um retorno às ansiedades impulsionadas por guitarras. Mas a banda, que havia escolhido seu nome para ficar próxima ao R.E.M. nas prateleiras de CDs, aprendeu com este último o truque da reinvenção constante.

Como Michael Stipe, do R.E.M., o vocalista Thom Yorke descobriu o valor dos refrões dispersos e das letras enigmáticas: “Knives out catch the mouse” (“Facas caçam o camundongo”), “There’s someone listening in” (“Há alguém escutando”), “Don’t talk politics and don’t throw stones” (“Não fale sobre política e não jogue pedras”), “Release me… where’d you parh the car?” (“Me solte… onde você estacionou o carro?”). Na sua pulsação eletrônica, cacofonias jazzísticas e loops de Amnesiac, o cantor cria uma aura de perda e isolamento. Os alvos das letras incluem bancos mundiais, a mídia e o primeiro-ministro inglês Tony Blair. Na majestosa “Pyramid Song”, a banda transita pela mitologia egípcia e a redenção. A voz de Yorke é desolada, por vezes hesitante, como a de um homem inseguro em relação à sua mensagem.

Contudo, Amnesiac está carregado de uma beleza sombria e merece ser ouvido várias vezes, como uma arca do tesouro cheia de prazeres: entre a suavidade de um crooner e o complexo escárnio em “You And Whose Army?”; em “Hunting Bears”, com seus momentos lembrando a raga indiana; na inquietante e bela “Morning Bell/Amnesiac”; e nos metais embriagados de “Life In A Glass House”, que encerra o disco. Tamanha riqueza é rara neste novo século.

Pyramid Song: YouTube Preview Image

You And Whose Army?: YouTube Preview Image

Hunting Bears: YouTube Preview Image

Morning Bell/Amnesiac: YouTube Preview Image

Life In A Glass House: YouTube Preview Image

“Kid A” do Radiohead (2000)

Depois de OK Computer, de 1997, tornou-se comum afirmar que o Radiohead era uma das melhores bandas da Inglaterra. No entanto, Kid A, gravado três anos depois, gerou muita controvérsia. Os críticos queriam saber onde estavam as guitarras e porque Thom Yorke parecia estar cantando dentro de uma banheira.

O Radiohead criou um álbum mais focado no som e nas texturas do que naa simples dinâmica entre volumes altos e baixos – e menos ainda em estruturas convencionais para as músicas. Cliques, baterias eletrônicas e teclados sequenciados servem de base para o falsete de Yorke em “Everything In Its Right Place” e na sombria “Morning Bell”. Um baixo lúgubre pontua “The National Anthem”, combinando a bateria de Phil Selway com um naipe de sopros para criar um final apocalíptico. Os belos violões de “How To Disappear Completely” são sobrepostos a uma seção de cordas atonal que acentua o niilismo de Yorke quando canta “I’m not here / this isn’t happening” (“Eu não estou aqui / isto não está acontecendo”).

O guitarrista Jonny Greenwood compôs grande parte dos arranjos de cordas e fez um uso fantástico do Ondes Martenot, um instrumento aletrônico dos anos 20 (famoso por ter sido usado no tema da série original Star Trek – Jornada nas Estrelas). Baterias eletrônicas criam a base para a arrebatadora “Idioteque”. “Motion Picture Sundtrack” encerra o álbum com um órgão cujo som lembra músicas de funerais.

Kid A conquistou um Grammy e alcançou os primeiros lugares das paradas em ambos os lados do Atlântico (apesar de ter sido disponibilizado gratuitamente na internet semanas antes do lançamento oficial). Foi o álbum que fez o Radiohead estourar nos Estados Unidos.

Everything In Its Right Place: YouTube Preview Image

Morning Bell: YouTube Preview Image

The National Anthem: YouTube Preview Image

How To Disappear Completely: YouTube Preview Image

Idioteque: YouTube Preview Image

Motion Picture Soundtrack: YouTube Preview Image

Optimistic: YouTube Preview Image

“OK Computer” do Radiohead (1997)

Misturar Smiths e Queen é sinônimo de demência. Por sorte, as influências idiossincráticas do Radiohead estavam à altura de seu talento e o seu terceiro álbum foi ainda mais longe que o seu espetacular antecessor, The Bends.

O sucesso que os acompanhava desde o sucesso do single “Creep” não tornou seu líder, Thom Yorke, um homem feliz. A música mais alegre do álbum, “Airbag”, fala da “emoção maravilhosa e positiva que você sente quando acaba de se safar de um acidente”.

Em outras faixas ele solta sua raiva contra “negócios e babaquices” (“Electioneering”), contra “estar encurralado” (“Let Down”) e contra “o monstro do armário” (“Climbing Up The Walss”). A mais vivida é “Paranoid Android”, cujo título vem do livro O Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams: a letra, inspirada no jet-set enlouquecido pela cocaína, é uma evocação pavorosa do “mais completo e absoluto caos”.

A beleza da música suaviza o terror das letras. “Subterranean Homesick Alien” é adequadamente espacial. “No Surprises” é uma música delicada acompanhada por um carrilhão, e “Let Down” é tão adorável quanto seria de se esperar de uma música gravada numa sala de dança de Jane Seymour. “Lucky” e “The Tourist” têm um certo toque de Pink Floyd.

Há muitas surpresas sonoras: o loop de bateria inspirado no DJ Shadow na música “Airbag”, a épica “Paranoid Android” no estilo de “Happiness Is A Warm Gun” e “Fitter Happier”, remetendo a Stephen Hawking (na verdade, um computador Apple programado por Yorke).

OK Computer chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e na Inglaterra e, segundo a banda, teve uma recepção “exagerada”. Ainda assim, continua sendo fascinante de se ouvir, como em 1997.

Airbag: YouTube Preview Image

Electioneering: YouTube Preview Image

Climbing Up The Walls: YouTube Preview Image

Paranoid Android: YouTube Preview Image

Subterranean Homesick Alien: YouTube Preview Image

No Surprises: YouTube Preview Image

Let Down: YouTube Preview Image

Lucky: YouTube Preview Image

The Tourist: YouTube Preview Image

Fitter Happier: YouTube Preview Image

Karma Police: YouTube Preview Image

“The Bends” do Radiohead (1995)

É fato conhecido que o peso do sucesso de um único single pode destruir uma banda – é melhor repetir o mesmo e ser acusado de estar cedendo aos impulsos comerciais ou seguir ideais artísticos e arriscar-se a confundir os fãs? Livres do paralisante e claustrofóbico sucesso do single “Creep”, que se tornou um clássico, o Radiohead decidiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

The Bends é sua obra-prima de rock. Ainda longe de explorar a fundo seu fascínio pela música eletrônica, o grupo construiu um punhado de músicas que tinham uma identidade provocante, porém frágil, e, mais importante, podiam fazer com que um estádio em peso dançasse ao som delas. Todas as músicas deste álbum merecem atenção – todas são suficientemente sólidas para que os músicos que tocam nas ruas queiram interpretá-las, acompanhados por um violão ou o mais próximo possível da versão original com uma banda inteira. “Bones”, “Just” e “My Iron Lung” (um single gravado ao vivo, exceto pela voz) ainda hoje conseguem levantar multidões. Depois vinha o lado tranquilo: o delicioso sarcasmo de “Nice Dream”, a sonolenta “Bullet Proof” ou ainda a música que encerra o álbum com um toque falsamente hippie. “Immerse your soul in love” (“Afunde sua alma em amor”) é o que Yorke diz numa das suas melhores interpretações até hoje. É impossível não concordar, entre abismado e admirado.

Visualmente falando, The Bends é uma confusão – a capa mostra uma imagem digitalmente manipulada de um boneco para prática médica de ressuscitamento. Possivelmente era um sinal daquilo que ainda estava por vir, porque os álbuns seguintes seriam ainda mais abstratos. Em 1995, pelo menos, o som do Radiohead era simplista, em comparação, e tinha um efeito devastador – o som de uma era de ouro.

Creep: YouTube Preview Image

Bones: YouTube Preview Image

Just: YouTube Preview Image

My Iron Lung: YouTube Preview Image

Nice Dream: YouTube Preview Image

Bullet Proof: YouTube Preview Image

Planet Telex: YouTube Preview Image

Street Spirit (Fade Out): YouTube Preview Image

Radiohead antecipa lançamento de novo álbum para esta sexta-feira (18)

O Radiohead antecipou em 24 horas o lançamento de The King Of Limbs. O álbum do grupo liderado por Thom Yorke poderá ser baixado nesta sexta-feira (18) por quem comprou a versão digital em formato MP3 (US$ 9) ou WAV (US$ 14). Um link para download será enviado para o e-mail de quem fez a compra.

O mesmo se aplica a quem adquiriu a versão  “newspaper” (jornal, em inglês), que inclui um CD, dois vinis de 10 polegadas, o download no formato desejado, 625 desenhos em tamanhos diferentes e uma capa especial para armazenar o conteúdo.

A banda iria realizar também na noite de hoje um show aberto em Tóquio para mostrar na internet  The King Of Limbs faixa a faixa. De acordo com a Time Out japonesa, a apresentação foi cancelada por falta de segurança

O disco é o primeiro da banda desde In Rainbows (2007), que surpreendeu o mercado fonográfico a ser disponibilizado na web de graça, com a opção de o usuário pagar ou não pelo download (escolhendo o valor).

Durante a madrugada, o Radiohead divulgou o videoclipe da música “Lotus Flower”, primeiro single de The King Of Limbs.

Rodado em preto e branco, o clipe traz o vocalista Thom Yorke de chapéu e camisa branca dançando de forma inusitada e cantando.

A direção do vídeo é de Garth Jennings, que trabalhou com bandas como Vampire Weekend, Beck e Blur.

Lotus Flower: YouTube Preview Image

Fonte: G1.

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