Ray Price estava numa encruzilhada. Em 1952, a convite de Hank Williams, o texano se mudou para Nashville para tocar em sua banda, onde logo construiu uma carreira de sucesso como um dos mais esforçados operários do honky tonk. Uma década depois, porém, o country começava a aprender a ganhar dinheiro. O som da Telecaster vigorosa de Buck Owens – feito sob medida para as rádios AM e fabricado não em Nashville, mas em Bakersfield, Califórnia – alertava o country sobre suas possibilidades comerciais. As mudanças estavam em curso.
O álbum abre com uma fala de Price, descrevendo o que viria a seguir como “músicas sobre felicidade, tristeza e separação”. Há muito de última e pouco da primeira. Ninguém deve se iludir com a característica batida dançante de Price – Night Life é a resposta de Nashville a In The Wee Small Hours, de Sinatra.
A canção que dá título ao disco, escrita por Willie Nelson (que tocou na banda de Price por algum tempo até se desentenderem, ao que parece, porque Nelson atirou em um dos galos de Price), é uma das músicas country mais regravadas até hoje. Mas nada se compara ao vocal blues, implacável e desafiador, do original de Prica. As 11 músicas seguintes mantém os mesmos cenários: casas vazias, salões de bar mal iluminados, avenidas de sonhos desfeitos. Um naipe de cordas é usado em duas faixas, mas a peça-chave é a presença de Buddy Emmons: seu trabalho com o pedal-steel tanto dá o tom honky tonk da gravação como a encharca de melancolia.
Price trocou os ternos Nudie (com os ornamentos indígenas em homenagem a seu apelido, Cherokee Cowboy) por um estilo bem-arrumado e sem extravagâncias, e fez uma versão de “Danny Boy” que chegou aos primeiros lugares das paradas. Mas nunca mais lançou um disco tão bom como este arquétipo da tristeza na hora de fechar o bar.

