No mínimo, Life Thru A Lens demonstrou que nunca devemos virar as costas a um animal ferido. Quando muitos já haviam varrido do mapa Robbie Williams, jogando suas primeiras tentativas de fazer sucesso com um trabalho solo na seção de promoções, o seu álbum de estreia levantou-se das cinzas, consagrando-o como o maior mito pop inglês para toda uma geração.
Os primeiros singles, “Lazy Days” e “South Of The Border”, chegaram ao Top 20 das paradas britânicas, mas foi sem dúvida “Angels” que colocou o mundo aos pés do antigo “bailarino gordo” (citando Noel Gallagher) da boy band Take That.
O convencimento de Williams casava bem com o seu recém-descoberto som power-pop, que juntava o estilo “cabaret” de suas apresentações com letras que deviam muito ao humor britânico.
Mas o álbum não seria nada sem o conjunto de arranjos de rock fantásticos e sólidos, compostos em parceria com o cúmplice de Williams, Guy Chanbers, transformando uma tímida estreia num grande sucesso e numa obra-prima.
“Let Me Entertain You” revisitava os riffs pirotécnicos e a pompa teatral da era do glam rock, mantendo a alta cotação do cantor com um terceiro lugar na Inglaterra. Dito isso, o contraste entre o autobiográfico “Ego A Go Go” e o sombrio “One Of God’s Better People” demonstrava que Williams ainda se encontrava dividido entre ser o centro das atenções e suas raízes na classe operária.
Em retrospectiva, a foto da capa (um panorama do circo midiático que engoliu Williams) era inadvertidamente irônica: este álbum levou o cantor à estratosfera, elevando o caos midiático à enésima potência.









