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“Every Picture Tells A Story” de Rod Stewart

Os The Faces eram, na essência, uma banda de rock ‘n’ rol: um contraponto fraterno e cheio de empatia à majestade satânica dos Rolling Stones. O grupo teve na voz rouca de Rod Stewart um dos melhores vocais da história da música britânica, capaz de interpretar variados estilos – folk, blues, country, soul – com um fervor intuitivo. Durante poucos e gloriosos anos, a carreira solo de Stewart coexistiu com a boa vontade da banda. Seus companheiros fizeram participações especiais em An Old Raincoat Won’t Ever Let You Down (1969) e Gasoline Alley (1970). Every Picture Tells A Story foi o auge desse período fértil e liderou as paradas de sucessos nos Estados Unidos e na Inglaterra.

A faixa-título abre o disco com uma engenhosa instrumentação acústica para um formato hard rock. A história, pouco refinada, de um garoto em busca de sexo ao redor do mundo chega a um clímax de tirar o fôlego com a bateria troglodita de Mick Waller. Em contrsate, “Mandolin Wind” é uma balada de incrível ternura, impregnada de pedal steel e compaixão, enquanto “Tomorrow Is A Long Time” coloca Stewart como um dos melhores intérpretes de Bob Dylan.

A releitura, à base de órgão, de “Reason To Believe”, de Tim Hardin, foi lançada como single, mas o grande sucesso – número um nas paradas inglesas e americanas – foi o lado B do compacto, a imortal “Maggie May”. Embalada por bandolim e violão, essa saga acridoce sobre o amadurecimento traz uma performance impulsora na carreira de Rod, digna de um verdadeiro artista.

Every Picture Tells A Story: YouTube Preview Image

Tomorrow Is A Long Time: YouTube Preview Image

Reason To Believe: YouTube Preview Image

Maggie May: YouTube Preview Image

“Gasoline Alley” de Rod Stewart

O segundo e subestimado álbum de Rod Stewart precedeu o mega-sucesso Every Picture Tells A Story, que icluía “Maggie May”. Mas ambos oferecem um material parecido – releituras de folk, R&B, soul e clássicos do rock, além de músicas novas de compositores da época – e usam, essencialmente, o mesmo time de músicos.

Naquele tempo, Stewart levava uma vida dupla como vocalista e líder dos The Faces e como artista solo. Os The Faces, considerados por muitos como a banda que fazia os melhores shows da época, aparecem aqui e ali no álbum – seu rock ‘n’ roll festivo esá estampado em “It’s All Over Now” -, mas Ron Wood é onipresente.

Uma grande parte do disco é acústica e, em “Gasoline Alley”, Wood e Stewart se juntam num clássico pouco valorizado, que lança um olhar nostálgico sobre os anos da adolescência, reforçado pelo vocal ousado. Uma legião de instrumentistas que não aparece nos créditos – como o que toca rabeca na versão neo-acústica de “Cut Across Shorty” e o do bandolim da faixa-título – impregna o álbum de folk, apesar de os músicos, desajeitadamente tentarem agitar nos rocks.

A delicada leitura feita por Stewart de “Only A Hobo” e o acompanhamento acústico bem elaborado tornam a canção uma das melhores regravações já feitas da música de Bob Dylan, e as duas faixas originais no final mantêm a qualidade. Duas músicas vêm de antigas parcerias – a composta por Elton John ficou à altura do autor, mas a do Small Faces ganhou uma interpretação menos inspirada.

O co-produtor Lou Reisner contratou Stewart como cantor solo depois dele brilhar no The Jeff Beck Group. O estrelato viria no álbum seguinte, mas o terreno foi preparado por Gasoline Alley.

Gasoline Alley: YouTube Preview Image

Only A Hobo: YouTube Preview Image

Country Comfort: YouTube Preview Image

Lady Day: YouTube Preview Image

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