Os The Faces eram, na essência, uma banda de rock ‘n’ rol: um contraponto fraterno e cheio de empatia à majestade satânica dos Rolling Stones. O grupo teve na voz rouca de Rod Stewart um dos melhores vocais da história da música britânica, capaz de interpretar variados estilos – folk, blues, country, soul – com um fervor intuitivo. Durante poucos e gloriosos anos, a carreira solo de Stewart coexistiu com a boa vontade da banda. Seus companheiros fizeram participações especiais em An Old Raincoat Won’t Ever Let You Down (1969) e Gasoline Alley (1970). Every Picture Tells A Story foi o auge desse período fértil e liderou as paradas de sucessos nos Estados Unidos e na Inglaterra.
A faixa-título abre o disco com uma engenhosa instrumentação acústica para um formato hard rock. A história, pouco refinada, de um garoto em busca de sexo ao redor do mundo chega a um clímax de tirar o fôlego com a bateria troglodita de Mick Waller. Em contrsate, “Mandolin Wind” é uma balada de incrível ternura, impregnada de pedal steel e compaixão, enquanto “Tomorrow Is A Long Time” coloca Stewart como um dos melhores intérpretes de Bob Dylan.
A releitura, à base de órgão, de “Reason To Believe”, de Tim Hardin, foi lançada como single, mas o grande sucesso – número um nas paradas inglesas e americanas – foi o lado B do compacto, a imortal “Maggie May”. Embalada por bandolim e violão, essa saga acridoce sobre o amadurecimento traz uma performance impulsora na carreira de Rod, digna de um verdadeiro artista.










