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Roger Waters mostra no Rio o maior espetáculo da tela em The Wall

Roger Waters, ex-líder do Pink Floyd, encheu o estádio do Engenhão, na Zona Norte do Rio, com o show The Wall na noite de quinta-feira. Marcado para as 21h, o espetáculo teve atraso de meia hora para dar tempo ao público, já que os organizadores contabilizavam uma plateia de 50 mil pessoas (a capacidade era de 55 mil lugares), mas, momentos antes da hora marcada para o início, havia 48 mil ingressos vendidos e filas para comprar entradas. Segundo os responsáveis, os produtores de shows já se acostumaram a contar com a mania carioca de deixar tudo para a última hora, já que no Rio, diferentemente das outras capitais, os ingressos só começam a vender bem na última semana.

O show começou com citações, entre elas “Eu sou Spartacus”, do filme de Stanley Kubrick, para felicidade dos nerds que vibraram na plateia. A música que abre o set-list é “In the Flesh?”, e a cena inicial já anuncia o clima teatral do espetáculo: um antigo avião bombardeiro se choca contra o muro de mais de 100 metros de largura e mais de 10 de altura – que é construído e derrubado ao longo da apresentação e também serve de telão – e cai em chamas.

Depois de “The Thin Ice”, com projeções de vítimas de conflitos, “Another Brick in the Wall Part 2″ teve a participação de crianças da escola de música da favela da Rocinha. Num português admirável, Roger Waters dedicou o espetáculo ao brasileiro Jean Charles, assassinado por engano pela polícia inglesa no metrô de Londres em 2005, e a todas as vítimas de terrorismo de estado. As causas defendidas pelo músico marcam presença durante todo o show, que passa por uniformes repressores, pela Segunda Guerra Mundial e por muitos outros temas, como símbolos religiosos e econômicos – a Estrela de Davi (numa referência ao muro construído por Israel para conter os palestinos) e referências aos produtos criados por Steve Jobs na Apple estão lá também, além de imagens do filme de Alan Parker que, em 1982, deu uma cara cinematográfica ao álbum “The Wall”.

Música, efeitos sonoros, recursos cênicos, pirotecnia, bonecos infláveis gigantes e imagens de alta definição compõem um espetáculo impressionante. O show “The Wall”, do álbum de 1979 que vendeu 30 milhões de cópias, foi apresentado originalmente em 1980. Na época, apesar de mostrado em apenas quatro cidades, o espetáculo serviu de exemplo para shows de bandas como Stones e U2. Os ingressos custavam pouco mais de US$ 10, e as apresentações deram prejuízo.

Três décadas depois, no Engenhão, quando Waters cantou os versos de “Mother” que perguntam “Mãe, devo confiar no governo?”, e o muro-telão respondeu com a tradução em português “Nem fodendo” para “No fucking way”, o público foi ao delírio. E, enquanto as músicas rolavam, o imenso muro branco, que fecharia todo o palco, ia sendo erguido até isolar a plateia do ex-líder do Pink Floyd.

Às 22h30, começou o torturante intervalo previsto para durar 20 minutos, mas que se estendeu por mais cinco minutos. Na segunda parte, a interpretação de “Is There Anybody Out There?”, através de um buraco aberto em lugar de um tijolo na parede, causa frisson no público. Em seguida, durante “Nobody home”, vê-se Waters como que sentado na sala de casa por entre tijolos que se movem como pontes levadiças. Na música “Comfortably Numb”, é a vez do velho parceiro dos tempos de Pink Floyd, David Gilmour, ser substituído por dois nomes da turnê: o cantor Robbie Wyckoff e o guitarrista Dave Kilminster. Entre os integrantes da banda, também estão G.E. Smith (guitarra e baixo) e Harry Waters, filho do ex-Pink Floyd, nos teclados. Na penúltima música, ao final de “The trial”, os músicos desaparecem num elevador rumo ao subsolo para, então, o muro ser derrubado e todos, livres, fecharem o show com “Outside the Wall”.

Depois de duas horas de espetáculo, além do intervalo, o tour de force de Roger Waters, que não por acaso se preparou para a turnê também fazendo musculação, lavou a alma dos 50 mil que encheram o Engenhão. A próxima parada é São Paulo, no Morumbi, com shows domingo e terça-feira.

Set-list:
In the Flesh?
The Thin Ice
Another Brick in the Wall Part 1
The Happiest Days of Our Lives
Another Brick in the Wall Part 2
Mother
Goodbye Blue Sky
Empty Spaces
What Shall We Do Now?
Young Lust
One of My Turns
Don Leave Me Now
Another Brick in the Wall Part 3
The Last Few Bricks
Goodbye Cruel World

Intervalo

Hey You
Is There Anybody Out There?
Nobody Home
Vera
Bring the Boys Back Home
Comfortably Numb
The Show Must Go On
In the Flesh
Run Like Hell
Waiting for the Worms
Stop
The Trial
Outside the Wall

Fonte: Almanaque Virtual.

Datas de shows de Roger Waters no Brasil são divulgadas, após recorde na Argentina

Roger Waters bateu o recorde do número de shows de uma mesma turnê na Argentina, que antes pertencia ao Rolling Stones. No país vizinho, com a turnê “The Wall”, o líder do Pink Floyd fará oito shows no estádio River Plate em 2012. Por conta disso, o início das vendas para os shows no Brasil, previsto para começar em setembro deste ano, foi adiado. Nesta segunda-feira, no entanto, uma boa notícia. As datas de apresentações por aqui foram confirmadas. O primeiro show acontece dia 25 de março em Porto Alegre (Beira Rio), 29 no Rio de Janeiro (Engenhão), 31 de março e 1º de abril em São Paulo (Morumbi).

Para a turnê “The Wall”, foi criado um muro cenográfico com 137 metros de largura e 11 de altura, que serve como um telão. Nele, serão projetadas imagens para ilustrar as canções e a história do Pink Floyd. Em 1980, a banda apresentou 29 vezes essa série de shows.

Vale lembrar que se os ingressos esgotarem rapidamente no Brasil, como aconteceu em outros lugares do mundo, a produção não descarta que novas datas sejam abertas. Podemos observar que existem grandes intervalos entre as apresentações, o que aumenta a possibilidade.

Veja os números da turnê:

- Número de tijolos: 424

- Número de tijolos que serão usados na turnê (todos os tijolos são reciclados e serão ‘re-reciclados’ após o uso): 3.000 tijolos para turnê nos EUA e turnê europeia

- Tempo para construir o muro: 45 minutos

- Número de construtores: 12 pessoas da produção do artista e 8 pessoas das produções locais

- Motores elétricos: 47

- Eixos de controle para construção de The Wall: 20

- Comprimento de todos os cabos elétricos, incluindo iluminação, som e potência: Cerca de 32 quilômetros

- Alto-falantes:172

- Moving lights: 82

- Projetores: 23

- Diâmetro da tela circular: cerca nove metros de diâmetro

- Comprimento / largura da projeção da parede: 73 metros de largura x 7,5 metros de altura

- Mesas de controle e seus respectivos operadores: 12

- Carrinhos de cenário: 140

- Altura dos bonecos infláveis: Professor – 9 metros; Esposa – 9 metros; Mãe – 10 metros

- Peso de todo o cenário: 55 toneladas

- Peso de equipamentos de chão: 57 toneladas

- Peso total: 112 toneladas

- Caminhões: 21

- Quantidade de energia necessária para show: 3000 ampères.

 

Fonte: O Globo.

 

 

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