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“Country Life” do Roxy Music

Bryan Ferry conheceu duas fãs do Roxy Music, Constanze Karoli e Eveline Grunwald, em Portugal, enquanto escrevia as letras de Country Life (o quarto álbum de estúdio da banda), e pediu que elas posassem para a capa do disco. A fotografia das jovens alemãs causou sensação – os corpos seminus e a sugestiva posição dos dedos das moças foram considerados muito picantes pelos lojistas e em vários países o álbum ganhou uma capa menos ousada.

É impossível saber se o disco teria feito tanto sucesso nos Estados Unidos sem essa polêmica. Na inglaterra, porém, a reação da crítica ao LP foi muito positiva. O Roxy Kusic estava enquadrado num gênero entre o art rock, influenciado pelo glam rock, e um pop elegante e sofisticado. Com a saída de Brian Eno depois do lançamento do segundo álbum, a banda foi alterando seu conceito original, mas só com o pop adulto de Avalon é que erradicaria todos os traços de seu passado.

As músicas mais fortes do álbum, “The Thrill Of It All”, “Prairie Rose” e “Casanova”, foram bem recebidas na época, mas é curioso que a balada teatral “Bitter-Sweet” )o trecho da letra em alemão foi traduzido por Karoli e Grunwald) tenha sido ignorada. Essa faixa, e outras do Roxy Music, foi incluída no filme de Todd Haynes sobre o glam rock, Velvet Goldmine, de 1998. Regravada com Thom Yorke (do Radiohead) nos vocais, a versão de “Bitter-Sweet” não apenas revelou os primeiros trabalhos do Roxy Music para um novo público, como ainda provou que a influência da banda ia muito além dos singles populares.

The Thrill Of It All: YouTube Preview Image

Prairie Rose: YouTube Preview Image

Casanova: YouTube Preview Image

Bitter-Sweet: YouTube Preview Image

Out Of The Blue: YouTube Preview Image

Triptych: YouTube Preview Image

“For Your Pleasure” do Roxy Music

Bryan Ferry queria ser bonito. Brian Eno queria ser ousado. E, em dois álbuns do início dos anos 70, o Roxy Music conseguiu ser as duas coisas – mas não sem pagar o preço. Eno, irritado com a relutância de Ferry em gravar suas músicas, deixou o grupo depois de For Your Pleasure, de 1973, e a banda nunca voltou a ser a mesma.

No entanto, foi esse cabo-de-guerra que deu gás ao álbum de estreia do grupo e levou For Your Pleasure a atingir picos de qualidade. Onde os dois gênios conseguiram chegar a um acordo, como no single vanguardista “Do The Strand”, os resultados são maravilhosos. Caso contrário, como na faixa “In Every Dream Home A Heartache” – aparentemente, uma ode a uma boneca inflável -, a música se torna simplesmente tediosa. Ainda bem que For Your Pleasure contém bem mais exemplos do primeiro caso.

“Do The Strand” é um dos rocks mais barulhentos gravados pelo Roxy Music. Ferry toma conta de “Beauty Queen” e mostra seu falsete em “Strictly Confidential”. Os teclados robóticos de Eno fazem um contraponto perfeito à fantástica guitarra de Phil Manzanera em “Editions Of You”.

Com For Your Pleasure, o Roxy Music voltou a ter um hit entre os 10 Mais da parada britânica e o álbum seguinte, Stranded, lançado no final de 1973, levou a banda, pela primeira vez, ao primeiro lugar em sua terra natal. Mas os americanos não se encantaram com o Roxy Music até Ferry substituir a experimentação artística por um som soul-pop, também, excelente, que teve seu melhor momento em Avalon, de 1982, o único disco de ouro que o grupo obteve nos Estados Unidos.

Do The Strand: YouTube Preview Image

In Every Dream Home A Heartache: YouTube Preview Image

Beauty Queen: YouTube Preview Image

Strictly Confidential: YouTube Preview Image

Editions Of You: YouTube Preview Image

“Roxy Music” do Roxy Music

Gravado em 19 dias, o primeiro álbum do Roxy Music é, ainda hoje, uma das melhores e mais inovadoras estreias da história da música pop. O vocalista Bryan Ferry e o baixista Graham Simpson deixaram a banda de R&B Basboard, baseada em Newcastle, e voltaram para Londres, onde formaram o Roxy Music com o guitarrista Phil Manzanera, o saxofonista Andy Mackay, o baterista Paul Thompson e o gênio dos sintetizadores Brian Eno. A mistura explosiva de rock dos anos 50 com saxofone e efeitos eletrônicos espaciais era inspirada pelo interesse de Ferry na pop art.

A capa luxuosa traz a modelo Kari Ann Muller vestida de estrela do cinema dos anos 50. Roxy Music vendeu muito bem, graças à fama conquistada pela banda em seus shows, e chegou à lista dos 10 Mais na Inglaterra com o sucesso do single “Virginia Plain”, não incluído no LP. O álbum abre com os sons de uma festa em “Re-Make/Re-Model”, inspirada pelo quadro Re-Think/Re-Entry, pintado por Derek Boshier em 1962. A faixa é um glam rock com um refrão bizarro – o número da placa de um carro, “CPL593H” – por trás da sofisticada voz de Ferry.

A recriação feita por Eno de uma aterrissagem lunar funciona como pano de fundo para uma combinação de instrumentos modernos e clássicos em “Ladytron”. Os Moogs e mellotrons soltam faíscas contra as guitarras incendiárias de Manzanera em “Would You Believe?” e no country futurista “If There Is Something”.

A agitada agenda de chows daquele ano cobrou seu tributo. Simpson foi dispensado depois de ficar doente e Ferry perdeu a voz e foi hospitalizado (a NME mostrou o cantor bebendo champanhe em seu leito, usando um pijama de seda da grife “Roxy Music”). Apesar da inclusão de “Virginia Plain”, o álbum fracassou nos Estados Unidos. Mas o Roxy Music foi uma importante influência para o punk britânico.

Re-Make/Re-Model: YouTube Preview Image

Ladytron: YouTube Preview Image

If There Is Something: YouTube Preview Image

Would You Believe?: YouTube Preview Image

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