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“Gold” de Ryan Adams (2001)

Se Ryan Adams não fosse um compositor prolífico, seria certamente o frequentador mais barulhento do bar local, lamentando as forças que conspiram contra ele e partindo uma garrafa na cabeça do primeiro que lhe mandasse calar a boca. Por sorte, Adams tem a reputação de escrever cerca de nove músicas por dia e são sempre melhores quando ele realmente tem algo de que se lamentar. Em 2001, após duas separações dolorosas que o levaram de Nova York a Los Angeles, e com uma pilha de dinheiro de uma grande gravadora para fazer o seu segundo disco solo, Adams gravou 16 músicas que o ajudaram a encontrar seu caminho de volta.

Com um som tão diversificado quanto as mudanças de humor do seu autor, além de um toque dos anos 70 trazido pelo produtor Ethan Johns, Gold levou Adams ao panteão da música country alternativa, ao lado de Gilliam Welch, Lucinda Williams e Wilco.

Abrindo com a animada mas amarga “New York, New York” e fechando com a magnífica e vacilante “Goodnight Hollywood Boulevard”, Gold perambula pela tradição musical americana, do country ao soul, do blues às baladas, passando por todos os caminhos intermediários. O álbum é tanto uma carta de amor a ídolos como Johnny Cash, Gram Parsons e Bob Dylan quanto a qualquer paixão momentânea. O refrão rústico e oscilante de “Somehow, Someday” lembra os velhos tempos de Tom Petty, enquanto os belos acordes descendentes de “Answering Bell” evocam The Band.

O que normalmente soaria como um clichê é convertido por Adams numa desilusão amorosa palpável, graças ao seu magnetismo emotivo. Só um hábil compositor consegue descrever um mundo tão depressivo de forma tão doce.

New York, New York: YouTube Preview Image

Goodnight Hollywood Boulevard: YouTube Preview Image

Somehow, Someday: YouTube Preview Image

Answering Bell: YouTube Preview Image

The Rescue Blues: YouTube Preview Image

Enemy Fire: YouTube Preview Image

Tina Toledo’s Street Walkin’ Blues: YouTube Preview Image

“Heartbreaker” de Ryan Adams (2000)

As desilusões amorosas e a bebida inspiraram muitos grandes discos, mas dificilmente houve um mais comovente do que o álbum de estreia da carreira solo de Ryan Adams. Uma crônica absolutamente sincera sobre os altos e baixos do amor, Adams gravou Heartbreaker pouco depois de duas separações dolorosas. Em 1999, a Whiskeytown – sua banda de country alternativo que sempre foi mais elogiada do que comercialmente bem-sucedida – desintegrou-se em meio a problemas de bebida e drogas. Pouco depois do fim da banda, a longa relação do cantor com a sua namorada Amy Lombardi também terminou. Adams dirigiu-se então para o Sul e trancou-se num estúdio de Nashville durante 14 dias.

Com apenas duas faixas de rock – a agitada música de abertura “To Be Young (Is To Be Sad)” e “Shakedown On 9th Street” -, Heartbreaker já não apresenta a angústia juvenil e a fúria que haviam caracterizado o seu trabalho prévio com o Whiskeytown. Tendo o tradicional músico de country Gillian Weich e o seu colega David Rawling como músicos de estúdio, Adams desenvolveu um estilo de composição mais livre e emotivo. Joias acústicas como “Call Me On Your Way Back Home” e “Why Do They Leave” captam o sentimento de amor traído de Adams, com acordes tocados bem de leve e frases murmuradas. O seu dueto com a rainha do country alternativo Emmylou Harris, na melancólica canção de viajantes “Oh My Sweet Carolina”, reflete a busca de Adams por uma vida mais simples.

Heartbreaker converteu Adams num artista aclamado pela crítica – segundo o NME, Adams é um “visionário trovador do rock”, embora não tenha conquistado o grande publico. Para tanto, terai de esperar pelo seu álbum seguinte, Gold.

To Be Young (Is To Be Sad): YouTube Preview Image

Shakedown On 9th Street: YouTube Preview Image

Call Me On Your Way Back Home: YouTube Preview Image

Why Do They Leave: YouTube Preview Image

Oh My Sweet Carolina: YouTube Preview Image

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