Se Ryan Adams não fosse um compositor prolífico, seria certamente o frequentador mais barulhento do bar local, lamentando as forças que conspiram contra ele e partindo uma garrafa na cabeça do primeiro que lhe mandasse calar a boca. Por sorte, Adams tem a reputação de escrever cerca de nove músicas por dia e são sempre melhores quando ele realmente tem algo de que se lamentar. Em 2001, após duas separações dolorosas que o levaram de Nova York a Los Angeles, e com uma pilha de dinheiro de uma grande gravadora para fazer o seu segundo disco solo, Adams gravou 16 músicas que o ajudaram a encontrar seu caminho de volta.
Com um som tão diversificado quanto as mudanças de humor do seu autor, além de um toque dos anos 70 trazido pelo produtor Ethan Johns, Gold levou Adams ao panteão da música country alternativa, ao lado de Gilliam Welch, Lucinda Williams e Wilco.
Abrindo com a animada mas amarga “New York, New York” e fechando com a magnífica e vacilante “Goodnight Hollywood Boulevard”, Gold perambula pela tradição musical americana, do country ao soul, do blues às baladas, passando por todos os caminhos intermediários. O álbum é tanto uma carta de amor a ídolos como Johnny Cash, Gram Parsons e Bob Dylan quanto a qualquer paixão momentânea. O refrão rústico e oscilante de “Somehow, Someday” lembra os velhos tempos de Tom Petty, enquanto os belos acordes descendentes de “Answering Bell” evocam The Band.
O que normalmente soaria como um clichê é convertido por Adams numa desilusão amorosa palpável, graças ao seu magnetismo emotivo. Só um hábil compositor consegue descrever um mundo tão depressivo de forma tão doce.














