Confinado a uma melosa civilidade em suas gravações em estúdio direcionadas para o pop, Sam Cooke se reinventou no palco para se transformar em um cantor puro de R&B, exalando sensualidade. Live At The Harlem Square Club ilustra essa transfiguração drástica de forma mais clara do que qualquer outro disco de Cooke – um exorcismo que desenhou uma linha definitiva entre o sagrado e o profano em sua carreira de raízes gospel.
Em 1963, Cooke era um ídolo negro, uma verdadeira fábrica de sucessos, dono do selo e editora SAR (com um acordo que assegurava a ele total controle artístico), com outro disco seu ao vivo – Live At The Copa – na lista dos 30 mais das paradas. Gravado num clube operário em um gueto de Miami, Live At The Harlem Square Club é considerado um de seus melhores álbuns ao vivo, sem discussões – o irônico é que levou 22 anos para ser lançado.
Este documento póstumo, com sua alegria radiante, não tem igual na obra de Cooke. Apoiado pela pulsação firme e afiada de uma banda que incluía o saxofonista King Curtis e o guitarrista Cliff White, Cooke, livre como nunca, canta versões suadas e extrovertidas de joias como “Feel It”, “Chain Gang”, “Twistin’ The Night Away” e “Bring It On Home To Me”, a maioria selecionada de seu repertório recente.
Ao longo do disco, Cooke se apresenta como um showman triunfante, transbordando autoconfiança, numa performance tórrida e provocante.

