No verão de 1970, Carlos Santana, aos 22 anos, já acumulava vários discos de platina por um álbum no qual incluiu dos singles que entraram para os Top 40; fez uma performance inesquecível diante de metade do mundo em Woodstock e ganhou uma crescente legião de fãs. Até hoje, quem faz sucesso na estreia é encorajado a continuar gravando aquilo que funcionou da primeira vez. Mas Santana aderiu ao frek rock de São Francisco, onde os artistas garimpavam sua imaginação e transformavam tudo o que descobriam em rock ‘n’ roll.
Santana elaborou um segundo disco que viajava para além do rock, até o jazz e a salsa, no ritmo de um coração latino. Apesar de serem a face visível da banda, Carlos e sua guitarra impecável eram meros componentes de uma engrenagem extremamente talentosa, e em Abraxas cada integrante do grupo marcou presença. Gregg Rolie foi o responsável pelo órgão sedutor que transformou “Black Magic Woman” e “Oye Como Va” em clássicos instantâneos do rádio, e também compôs os rocks mais pesados “Mother’s Daughter” e “Hope You’re Feeling Better”, em que os riffs típicos de Carlos pairam acima da música. O baixista Dave Brown e o baterista Mike Shrieve assentaram, neste álbum, as bases do que seria uma das melhores e mais afiadas seções rítmicas da história da música, e pavimentaram o caminho para os exuberantes címbalos e congas de Mike Carabello e Jose Areas.
No lançamento de Abraxas, a Rolling Stone afirmou que Santana “pode fazer pela música latina o que Chuck Berry fez pelo blues”. Quando o álbum chegou ao primeiro lugar nas paradas, trazendo as batidas mais firmes que o establishment do rock já tinha ouvido, o prognóstico da revista pareceu até modesto.
Black Magic Woman/Gypsy Queen: 
Oye Como Va: 
Mother’s Daughter: 
Hope You’re Feeling Better: 
Samba Pa Ti: 