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“Scott 4″ de Scott Walker

Depois de seu quarto álbum solo ter sido um fracasso comercial, o tímido Scott Walker desistiu de compor durante boa parte da década seguinte e se tornou virtualmente um recluso. Uma pena, porque Scott 4, o primeiro a trazer apenas músicas escritas por ele, é um álbum de tirar o fôlego. A orquestração bombástica que caracterizou seus discos anteriores foi eliminada e os vazios do álbum se preencheram perfeitamente com a rica voz de barítono do cantor. A faixa de abertura, “The Seventh Seal”, mistura as texturas orquestrais inspiradas em Ennio Morricone com a narrativa baseada no filme O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, o diretor preferido de Walker, um apreciador da cultura europeia.

Em “The Old Man’s Back Again”, Walker, um socialista declarado, faz uma advertência contra o espectro do stalinismo no bloco oriental, depois da invasão da Tchecoslováquia pela Rússia, em 1968 – tudo isso em cima de uma linha funk de baixo. A animada “Get Behind Me” e a apaixonada “Duchness” exploram o interesse crescente de Walker pelo soul e pelo country, respectivamente, enquanto seu vocal emocionante empresta uma mágica vulnerabilidade a “The World’s Strongest Man”, “Hero Of The War” faz uma paródia cínica e inteligente do crescimento do militarismo. “Boy Child” é uma reflexão sobre a inocência, escorada num arranjo de arrepiar.

O disco despertou reações diversas e desconcertantes e foi esquecido em apenas algumas semanas. Mas ganharia uma reavaliação da crítica graças à sua influência sobre nomes como David Bowie, Nick Cave, Mark Almond e The Divine Comedy, de Neil Hannon. Se for relançado de forma correta, suas saborosas texturas e seu amplo escopo ainda irão surpreender as próximas gerações.

The Seventh Seal: YouTube Preview Image

The Old Man’s Back Again: YouTube Preview Image

Get Behind Me: YouTube Preview Image

Duchess: YouTube Preview Image

The World’s Strongest Man: YouTube Preview Image

Hero Of The War: YouTube Preview Image

Boy Child: YouTube Preview Image

“Scott 2″ de Scott Walker

“Me colocar na frente de uma câmera”, disse Scott Walker, certa vez, “é como pegar um eremita que sempre viveu em uma caverna e, de repente, deixá-lo parado em plena Trafalgar Square”. No entanto, não foi apenas a profunda aversão de Walker a ser o centro das atenções que o levou a deixar os Walker Brothers, em 1967. Ele achava que tinha coisas mais ricas para apresentar do que as baladas no estilo Phil Spector (todas regravações) com as quais a banda vinha apimentando as paradas inglesas desde 1965.

Os arranjos orquestrais arrebatadores atraíram o público para Scott, seu álbum solo de estreia, lançado em 1967, embora quem tenha ouvido mais atentamente o misto de versões e canções originais tenha encontrado um disco tremendamente introspectivo. Scott 2 continuou nesse tom com o mesmo tipo de material, mas com um efeito mais impressionante. A série de versões – entre elas, uma desolada leitura de “Windows Of The World”, de Bacharach e Davis – deixou os fãs dos Walker Brothers felizes, mas o verdadeiro tesouro está escondido em outra parte: nas três canções de Jacuqes Brel, lideradas pela abertura galopante de “Jackie”, e nas quatro músicas compostas pelo próprio Walker. A decisão do cantor de assinar como “S Engel”, seu sobrenome verdadeiro, deu credibilidade à hipótese de que faixas como a amendrontadora “Plastic Palace People” fossem autobiográficas”.

Scott 2 foi o álbum solo de Walker que alcançou maior sucesso comercial, mas também marcou o momento em que ele começou a perder seu público. Depois vieram o mais coeso, porém menos consistente Scott 3 e, a seguir, Scott 4, uma densa coleção de material próprio. Mas esse último não chegou às paradas, levando Walker a um declínio criativo só quebrado pelo maravilhoso Tilt, lançado em 1995.

Jackie: YouTube Preview Image

Plastic Palace People: YouTube Preview Image

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