Depois de seu quarto álbum solo ter sido um fracasso comercial, o tímido Scott Walker desistiu de compor durante boa parte da década seguinte e se tornou virtualmente um recluso. Uma pena, porque Scott 4, o primeiro a trazer apenas músicas escritas por ele, é um álbum de tirar o fôlego. A orquestração bombástica que caracterizou seus discos anteriores foi eliminada e os vazios do álbum se preencheram perfeitamente com a rica voz de barítono do cantor. A faixa de abertura, “The Seventh Seal”, mistura as texturas orquestrais inspiradas em Ennio Morricone com a narrativa baseada no filme O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, o diretor preferido de Walker, um apreciador da cultura europeia.
Em “The Old Man’s Back Again”, Walker, um socialista declarado, faz uma advertência contra o espectro do stalinismo no bloco oriental, depois da invasão da Tchecoslováquia pela Rússia, em 1968 – tudo isso em cima de uma linha funk de baixo. A animada “Get Behind Me” e a apaixonada “Duchness” exploram o interesse crescente de Walker pelo soul e pelo country, respectivamente, enquanto seu vocal emocionante empresta uma mágica vulnerabilidade a “The World’s Strongest Man”, “Hero Of The War” faz uma paródia cínica e inteligente do crescimento do militarismo. “Boy Child” é uma reflexão sobre a inocência, escorada num arranjo de arrepiar.
O disco despertou reações diversas e desconcertantes e foi esquecido em apenas algumas semanas. Mas ganharia uma reavaliação da crítica graças à sua influência sobre nomes como David Bowie, Nick Cave, Mark Almond e The Divine Comedy, de Neil Hannon. Se for relançado de forma correta, suas saborosas texturas e seu amplo escopo ainda irão surpreender as próximas gerações.











