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“Bridge Over Troubled Water” de Simon And Garfunkel

Ao se separarem, no fim dos anos 1960, os Beatles deixaram um confuso legado em Let It Be. Companheiros da mesma década, Simon And Garfunkel se despediram com mais elegância, com um álbum que tem em sua faixa-título um hino clássico.

Pequena em estatura e estilo, a dupla manteve sua grandeza graças a canções maravilhosas como “The Sounds Of Silence”, de 1965, e “America”, de 1968. Em 1969, uma prévia de Bridge Over Troubled Water – o hit “The Boxer” – confirmou, de uma vez por todas, que o compositor Paul Simon não era mais ofuscado por Bob Dylan.

E, como Dylan, Simon escrevia letras poéticas. Mas, como Smokey Robinson, compunha músicas deliciosas que podiam ser cantadas tanto por crianças como por Aretha Franklin. De certa forma, a épica faixa-título não faz justiça a Bridge Over Troubled Water, porque não dá pistas de que, dentro do álbum, há canções vivas e alegres como “Cecilia” e “El Condor Pasa (If I Could)”.

Há também músicas delicadas – ilusórias, no caso de “The Only Living Boy In New York” e “So Long Frank Lloyd Wright”. Ambas foram escritas por Simon para seu futuro ex-parceiro Art Garfunkel, que tinha estudado arquitetura (daí a referência a Frank Lloyd Wright). Garfunkel havia abandonado algumas sessões de gravação para atuar no filme Ardil 22.

Bridge Over Troubled Water é fácil de se gostar, mesmo para quem não liga para briga de parceiros ou música folk. Ao ouvir este disco, pode-se entender porque tanta gente fica com os olhos cheios d’água toda vez que os velhos companheiros fazem as pazes por tempo suficiente para cantarem juntos.

The Boxer: YouTube Preview Image

Bridge Over Troubled Water: YouTube Preview Image

Cecilia: YouTube Preview Image

El Condor Pasa (If I Could): YouTube Preview Image

The Only Living Boy In New York: YouTube Preview Image

So Long Frank Lloyd Wright: YouTube Preview Image

“Bookends” de Simon And Garfunkel

“Eles têm a cara dos universitários americanos e, por isso, os universitários se identificam com eles”, escreveu Lillian Roxon no verbet dedicado a Simon e Garfunkel em sua Enciclopédia do Rock, de 1971. Certamente, a capa de bom gosto de Bookends, toda em preto-e-branco, conferiu à dupla, em seu penúltimo (e mais intelectual) álbum, o ar de jovens e sérios estudantes.

“Mrs. Robinson”, a estupenda trilha do filme A Primeira Noite De Um Homem, foi radicalmente reescrita e re-regravada; os dois ganhariam o Grammy por essa música no ano seguinte (Simon havia originalmente pensado nela como uma canção sobre Eleanor Roosevelt, mas adaptou a letra graças à insistência do diretor do filme, Mike Nichols). Joe Di Maggio foi o único que não entendeu a música e chegou certa vez a atacar Simon publicamente por achar que era criticado na letra.

Mas este não foi o único clássico instantâneo do disco. “America” é uma esplêndida vinheta sobre a viagem de ônibus de dois namorados; intimista e épica, essa música traça a jornada interior que leva de um otimismo ingênuo a uma compreensão mais madura do mundo. O folk-rock de “A Hazt Shade Of Winter”, que traz um riff efervescente e um lirismo melancólico, garantiu à dupla lugar entre os Top 20 dos Estados Unidos em 1966.

“Fakin’ It” inclui a participação especial de Beverley Kutner (que logo seria conhecida como Beverley Martyn), que chama Simon, na sua “vida anterior”, de Mr. Leitch – o sobrenome do cantor folk Donovan. “Voices Of Old People”, uma colagem sonora de Garfunkel, acrescenta uma profundidade perfeita às composições mais austeras e fantasmagóricas de Simon, no lado A. O lado B é mais divertido – em particular, a surreal “Punky’s Dilemma” -, enquanto “At The Zoo” – uma canção infantil que é uma sátira alegórica da condição humana – dá ao disco um fecho bem-acabado.

Mrs. Robinson: YouTube Preview Image

America: YouTube Preview Image

A Hazy Shade Of Winter: YouTube Preview Image

Fakin’ It: YouTube Preview Image

Voices Of Old People: YouTube Preview Image

Punky’s Dilemma: YouTube Preview Image

At The Zoo: YouTube Preview Image

Overs: YouTube Preview Image

“Parsley, Sage, Rosemary And Thyme” de Simon And Garfunkel (1966)

O mundo estava prestes a desmoronar, mas ainda havia espaço para a beleza quando Paul Simon e Art Garfunkel gravaram seu primeiro grande álbum, Parsley, Sage, Rosemary And Thyme. De fato, é a tensão entre a sensação de desastre iminente e a insistência de Simon numa conexão emocional que torna este disco eterno, apesar dos numerosos versos e frases musicais que revelam o trabalho como típico dos anos 60 (“Feelin’ Groovy”).

Se o álbum anterior, Sounds Of Silence, foi uma obra feita às pressas para atender ao desejo da gravadora de capitalizar o sucesso da faixa-título, Simon, desta vez, exigiu total controle, o que explica o trabalho brilhante e detalhista realizado pelo engenheiro de som Roy Halee. O apuro da produção aparece logo na faixa de abertura, “Scaborough Fair/Canticle”, uma intrincada e mágica obra-prima do pop, que rivaliza com qualquer uma das criações de Brian Wilson. Mas Simon não é compositor de um gênero só. A variedade do material que ele escreveu para Parsley, Sage, Rosemary And Thyme o revelou como um dos compositores mais talentosos de sua época, de “For Emily, Whenever I May Find Her”, uma canção iluminada pela voz de Garfunkel, a “Homeward Bound”, talvez a melhor música já escrita sobre a vida de um artista na estrada. O fastio literário de “The Dangling Conversation” é totalmente perfeito, enquanto o rock cáustico de “A Simple Desultory Philippic” ainda atinge seus objetivos, mesmo que muitos de seus alvos já não inspirem tamanho desprezo.

A faixa final é uma interpretação doce de “Silent Night” que fala sobre um noticiário de TV tratando da morte de Lenny Bruce e da escalada da violência na Guerra do Vietnã.

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