Quando o Siouxsie And The Banshees entrou em estúdio para gravar o seu quarto álbum, já tinha passado do punk ao pós-punk. Ainda que Sid Vicious tenha sido o primeiro baterista do grupo e Siouxsie tenha pertencido ao Brompley Contingent, em 1981 as versões de 20 minutos de “The Lord’s Prayer” já eram águas passadas. Nesse mesmo ano, o clube londrino The Batcave foi o local de nascimento para a subcultura gótica, e Juju era parte essencial dessa cena. Com a guitarra serpenteante de John McGeoch sobreposta aos ritmos tribais de Steve Severin (baixo) e Budgie (bateria), as fundações estavam prontas para receber a voz de Siouxsie: áspera e preciosa, agressiva mas delicada – quase uma força da natureza. “Spellbound” é nervosismo puro, e a energia intensa da música é complementada perfeitamente por letras que combinam o passado punk da banda com um senso de humor macabro.
Os temas dark inspirados na capa do disco permeiam as músicas, assim como influências de bandas como The Cramps e The Doors. Isso não quer dizer que falte criatividade – do psicodelismo de “Voodoo Dolly” ao dinamismo desenfreado de “Monitor”, passando pelo ritmo mais lento de “Night Shift” e pela inspiradora “Arabian Nights”. A voz profunda de Siouxsie e os ritmos diabolicamente pesados de Budgie são as marcas mais fortes deste disco.













