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“Juju” do Siouxsie And The Banshees (1981)

Quando o Siouxsie And The Banshees entrou em estúdio para gravar o seu quarto álbum, já tinha passado do punk ao pós-punk. Ainda que Sid Vicious tenha sido o primeiro baterista do grupo e Siouxsie tenha pertencido ao Brompley Contingent, em 1981 as versões de 20 minutos de “The Lord’s Prayer” já eram águas passadas. Nesse mesmo ano, o clube londrino The Batcave foi o local de nascimento para a subcultura gótica, e Juju era parte essencial dessa cena. Com a guitarra serpenteante de John McGeoch sobreposta aos ritmos tribais de Steve Severin (baixo) e Budgie (bateria), as fundações estavam prontas para receber a voz de Siouxsie: áspera e preciosa, agressiva mas delicada – quase uma força da natureza. “Spellbound” é nervosismo puro, e a energia intensa da música é complementada perfeitamente por letras que combinam o passado punk da banda com um senso de humor macabro.

Os temas dark inspirados na capa do disco permeiam as músicas, assim como influências de bandas como The Cramps e The Doors. Isso não quer dizer que falte criatividade – do psicodelismo de “Voodoo Dolly” ao dinamismo desenfreado de “Monitor”, passando pelo ritmo mais lento de “Night Shift” e pela inspiradora “Arabian Nights”. A voz profunda de Siouxsie e os ritmos diabolicamente pesados de Budgie são as marcas mais fortes deste disco.

Spellbound: YouTube Preview Image

Voodoo Dolly: YouTube Preview Image

Monitor: YouTube Preview Image

Night Shift: YouTube Preview Image

Arabian Nights: YouTube Preview Image

“The Scream” de Siouxsie And The Banshees (1978)

The Scream fez a ponte entre o punk e o gótico, com uma música que combina o caráter do tipo “faça você mesmo” do primeiro com o senso sombrio de drama do segundo.

No final dos anos 70, o cabelo bem preto e espetado e a maquiagem pálida de Sioux a tornaram um ícone. Dessa forma, é surpreendente que não esteja na capa deste álbum, que traz imagens bonitas e misteriosas de nadadores anônimos debaixo d’água. A mensagem pode ser a de que o disco era um trabalho de toda a banda.

Na faixa “Carcass”, a interação bem azeitada entre o animado baixo de Steve Severin e o potente trabalho de bateria de Kenny Morris se destaca de forma até mais contundente do que o vocal vigoroso de Sioux. É uma música tocada de maneira descomplicada e inteligente e executada com paixão. “Helter Skelter”, a única faixa não original de The Scream, ganha uma leitura mais febril do que a dos Beatles; a guitarra agoniada de John McKay tem sua vitrine em “Metal Postcard (Mittageisen)”. Os Banshees já tinham deixado para trás a raiva objetiva do punk para lidar com áreas mais complexas, como otrauma psicológico (em “Suburban Relapse” e “Jigsaw Feeling”).

Nas duas faixas finais, McKay pega o sax e adiciona um lamento adequado à mistura dos Banshees. O álbum se encerra com a dramática “Switch”, uma microepopeia de quase sete minutos, narrada, tanto na letra quanto na música, como uma comovente novela.

The Scream era um atestado de elegância desordenada de uma banda que, mais adiante, exploraria a desordem e uma elegante melancolia por toda uma carreira de sucesso.

Carcass: YouTube Preview Image

Helter Skelter: YouTube Preview Image

Metal Postcard (Mittageisen): YouTube Preview Image

Suburban Relapse: YouTube Preview Image

Jigsaw Feeling: YouTube Preview Image

Switch: YouTube Preview Image

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