Após dois álbuns bem acolhidos, lançados pelo selo independente One Little Indian, a estreia do Skunk Anansie numa grande gravadora era aguardada com expectativa, para ver se o grupo de agit-rock conseguia atingir um público mais amplo.
A Virgin forneceu o dinheiro necessário para que a banda pudesse gravar o seu esperado terceiro álbum no Bearsville Studios e no Clinton Studios, em Nova York. Mas, apesar de um lugar de destaque no festival de Glastonbury em 1999, o ano não foi tão bom quanto o esperado para a banda.
A vocalista Skin, com sua cabeça raspada e tiradas destemidas, tinha se convertido na porta-voz do mais radical feminismo negro na Grã-Bretanha. Músicas como “Charlie Big Potato” atiram em cheio contra a egocêntrica hierarquia masculina e marcam o tom do álbum. A revista Q definiu-o como “uma guerra sonora alimentada pelos alto-falantes”.
Mas a banda acostumou-se a tocar os extremos do céu e do inferno e mostrou-se igualmente eficaz em músicas mais calmas, substituindo a fúria política pela reflexão e contemplação. A emotiva voz de Skin acompanha belos arranjos de cordas nas faixas “You’ll Follow Me Down” e “Lately”, enquanto “Secretly” é uma resposta apaixonada à infidelidade.
Com Post Orgasmic Chill a banda ampliou o seu som e incorporou novas influências, como o drum ‘n’ bass, ao seu indie-rock já bem desenvolvido. Os excessos de álbuns anteriores foram aparados para trazer à tona a sua vulnerabilidade e força bruta, em partes iguais e com grande sutileza.
Apesar de ter sido o último álbum do Skunk Anansie, Post Orgasmic Chill permanece como uma afirmação triunfante diante da qual nos curvamos.





