Qualquer disco que comece com o verso “Auschwitz, the meaning of pain. The way that I want you to die” (“Auschwitz, o significado da dor. A forma como quero que você morra”) certamente vai captar a atenção do ouvinte. Captou bem a atenção dos executivos da CBS, que se negaram a distribuir o disco, que provavelmente notaram suas letras radicais e a capa com cenas do inferno e desmembramentos.
O Slayer foi formado em Los Angeles em 1982, no seio de uma comunidade de heavy metal que cada vez mais se afastava dos dinossauros remanescentes dos anos 70 e que se interessava por bandas mais jovens, mais rápidas e mais pesadas, como o Metallica ou o Anthrax. Foi preciso entretanto que Rick Rubin os contratasse para o seu selo Def Jam e lhes desse a produção limpa que tanto faltava para que a visão radical do Slayer de extrema violência, inferno e danação fosse desencadeada sobre o público geral, atônito.
Musicalmente, o álbum reúne a agressividade e a precisão do thrash metal com a economia do punk hardcore: quase todas as músicas duram menos de três minutos. A bateria incansável de Dave Lombardo é de tirar o fôlego e, nos solos, Kerry King e Jeff Hanneman parecem estar estripando seus instrumentos em vez de tocá-los. O ápice do álbum é a relativamente longa “Raining Blood”, que começa com um efeito de chuva inquietante para entrar em um riff thrash acelerado enquanto duas guitarras solo ecoam uma à outra ao longo da faixa.
South Of Heaven (1988) foi um disco muito mais acessível, mas Reign In Blood nunca foi superado – uma marca na história do gênero.


