A Sleater-Kinney descende de uma longa linhagem de bandas do Noroeste dos Estados Unidos. O fato de serem mulheres e a sua preferência pela banda punk feminina Bikini Kill levou-as a serem identificadas com o movimento riot grrrl, mas isso é apenas parte da história. Sleater-Kinney (1995) e Call The Doctor (1996) mostraram uma banda cheia de entusiasmo, mas que desejava obter respeito de um público mais amplo do que seus seguidores fieis.
Lançado em 1997 pelo selo orgulhosamente punk Kill Rock Stars, Dig Me Out é uma mistura perfeita de ideologia, atitude e bons riffs. O disco se arma em torno dos vocais em contratempo de Corin Tucker e Carrie Brownstein (em especial o interessante uivo em falsete de Tucker) e dos enérgicos duelos de guitarras (não há baixo). Na faixa-título, a aberturacom a guitarra de Brownstein, pontuada pela caixa de bateria de Janet Weiss, gera um fluxo imediato de energia.
Ao contrário de outras bandas da Kill Rock Star – em especial a Bikini Kill -, a Sleater-Kinney é politizada mas não agressiva. O seu refrão doce em “Little Baby” ilustra o seu delicado equilíbrio entre punk, politica e pop, enquanto a exuberante “It’s Enough” justapõe a fórmula da música pop de dois minutos a letras que criticam e celebram simultaneamente o fascínio (masculino) de críticos e fãs pelas bandas só de mulheres.
“Not What You Want” cria um irresistível crescendo de ruído; em nítido contraste, “Buy Her Candy” é uma balada emotiva que contém um sutil comentário político.
“Uma química musical explosiva, que mistura uma melodia contagiante com uma inovadora desconstrução punk”, maravilhava-se a Rolling Stone. Brownstein foi mais comedida: “A qualidade de Dig Me Out não me surpreende tanto. Trabalhamos duro”.






