Com uma reputação muito mais significativa do que as suas escassas vendas, o Slint, um grupo de Louisville, Kemtucky, definiu a pauta na arena do pós-rock dos anos 90. Chamada originalmente de Squirrel Bait, a banda assumia as mesmas influências que tinham impulsionado o circuito underground norte-americano durante anos – o punk e o heavy metal -, retorcendo-as para criar algo sem nenhuma referência óbvia.
Gravado por Steve Albini, em 1988, Tweez estabeleceu o estilo idiossincrático e basicamente instrumental do Slint, que oscilava entre o sinistro e a relativa leveza. Brian McMahan canta, grita ou fala de forma esparsa e poucas vezes seus vocais parecem ter alguma relação com a música, como se fossem sobras de uma gravação anterior. Tirando a vaga semelhança com o Television, em algum lugar por baixo de toda a distorção e complexidade rítmica em estilo jazzístico, seu vocal soa como se não viesse de lugar algum.
Mas é Spiderland que sustenta a reputação mítica do Slint. O disco refina os esboços primários de Tweez, forjando uma estrutura de metal sólido. As guitarras de McMahan e de David Pajo entrelaçam-se num todo genial. Mais uma vez, seria possível fazer comparações com o Television, mas apenas por conta das constantes invenções. Recebido elogiosamente pela crítica, mas com escasso sucesso comercial, a influência crescente do disco chegou demasiado tarde para o grupo, que se separou depois do lançamento.
Ainda que Nevermind, o lançamento mais famoso de 1991, venha de um fundo igualmente obscuro e possa compartilhar a dinâmica deste álbum, seu modelo simples baseado em Black Sabbath e Black Flag fica muito aquém do inspirado universo paralelo no qual Spiderland existe.




