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“There’s A Riot Goin’ On” de Sly And The Family Stone

O rock ‘n’ soul alegre e multirracial do Sly And The Family Stone refletia o otimismo do movimento pelos direitos civis durante os anos 60. Mas, à medida que esse otimismo definhava e ia se transformando num radicalismo amargo, o Sly And The Family Stone passava por uma experiência parecida – uma dolorosa viagem espiritual. O pessimismo já não era mais estranho ao fusion-pop criado por Sly: “Hot Fun In The Summertime”, por exemplo, falava, de maneira cifrada, dos distúrbios raciais em Watts. Mas a crescente desordem civil e a carnificina no Vietnã, aliados so seu frágil estado emocilnal e a doses maciças de drogas, o levaram a fazer este álbum, um impressionante discurso à nação.

O disco foi resultado de sessões e overdubs intermináveis; movido a cocaína, Stone gravava e regravava as fitas. Dizem que Miles Davis participou com seu trompete; a bateria acústica brigava por espaço com primitivas baterias eletrônicas; o baixo se sobrepunha, predatório; e as guitarras wah-wah feriam os ouvidos.

O funk peso-pesado que domina o álbum – nebuloso, assustador e chapado – empresta uma pungência extra às faixas pop melancólicas do disco, “Runnin’ Away” e “You Caught Me Smilin’” – momentos de ternura para aliviar o funk furioso. Há referências a hits anteriores de Sly, como em “Time” (“‘Everyday people’ looking forward to a simple beating”), ou a transformação do single “Thank You no lento estertor da faixa final, rebatizada como “Thank You For Talkin’ To Me Africa”.

Este diagnóstico doloroso e preciso dos males dos Estados Unidos e da própria desintegração espiritual de Sly afastou muitos fãs e marcou o início da derrocada embalada por drogas do artista. O álbum permanece, porém, brilhante, um grito funky e machucado de uma alma sob extrema tensão.

Luv ‘N’ Haight: YouTube Preview Image

Family Affair: YouTube Preview Image

Time: YouTube Preview Image

Runnin’ Away: YouTube Preview Image

Thank You For Talkin’ To Me Africa: YouTube Preview Image

“Stand!” de Sly And The Family Stone

Poucos discos captaram o otimismo do final dos anos 60 como o quarto LP de Sly And The Family Stone. Formado pelo cantor e multiinstrumentista Sly Stone em São Francisco, o grupo de sete músicos, de diferentes raças e sexos, abriu um novo caminho com sua mistura colorida de funk, pop, rock e sons psicodélicos. Em 1968, eles emplacaram um hit entre os 10 Mais das paradas americanas, o efervescente “Dance To Music”, mas Stand! representou a primeira vez em que a visão caleidoscópica de seu líder se sustentou num trabalho de maior fôlego.

O álbum foi ancorado pelo sucesso de “Everyday People”, primeiro lugar nas paradas, uma ode eterna à tolerância, que casou o ritmo fácil das cantigas de ninar com frases simbólicas como “Different strokes for different folks”. Ï Want To Take You Higher”, que virou um dos hinos do festival de Woodstock, junta o fervor gospel ao blues da guitarra e a metais quase em estado de levitação. Sua batida “four-to-the-four” foi uma clara precursora da disco music e esse mesmo ritmo aparece no final da faixa-título – uma sublime e esperançosa mensagem de orgulho. “Sing A Simple Song” filtra sua alegria ensolarada com os vocais em conjunto e a harmonia do órgão, enquanto “Don’t Call Me Nigger, Whitey” utiliza os efeitos do wah-wah para criar uma vibração urbana mais sombria.

Stand! ficou mais de 100 semanas na parada da Billboard, chegando ao 13o lugar. A coleção Greatest Hits, de 1970, ficou em segundo lugar e There’s A Riot Goin’ On, no ano seguinte, garantiu o primeiro lugar. Sly Stone pavimentou o caminho para o tom sociopolítico do soul dos anos 70, para não falar no jazz fusion elétrico de Miles Davis. A mistura de gêneros feita por Sly continua a inspirar estrelas de hoje, como Prince, OutKast e Red Hot Chilli Peppers.

Everyday People: YouTube Preview Image

I Want To Take You Higher: YouTube Preview Image

Sing A Simples Song: YouTube Preview Image

Don’t Call Me Nigger, Whitey: YouTube Preview Image

Stand!: YouTube Preview Image

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