O vendedor de pornô mais fofinho do rap um dia já foi um gangsta frio como o aço. A sua notoriedade era tal que Doggystyle foi o álbum de estreia que registrou as vendas mais rápidas e o primeiro a entrar direto no primeiro lugar na Billboard. Parte do sucesso deve-se a “What’s My Name”, uma reelaboração altamente bem-sucedida da música de George Clinton, “Atomic Dog”, acompanhada por um vídeo de sucesso; parte teve a ver com Snoop estar no disco The Chronic, de Dr. Dre. Mas acima de tudo o disco deve seu sucesso estrondoso ao fato de Snoop estar envolvido num caso de homicídio, o que teoricamente o tornava o primeiro rapper a (aparentemente) fazer aquilo que falava. Quando ele conseguiu se livrar da prisão, Doggystyle já tinha vendido cerca de quatro milhões de cópias só nos EUA.
Conceitualmente, o álbum transporta Superfly, de Curtis Mayfield, aos anos 90. Em termos de som – apesar dos samples do pioneiro da música disco George McCrae e do cantor japonês Kyu Sakamoto -, ele tem por base o G-funk de Dr. Dre. As letras são tão tolas quanto o controvertido desenho da capa criado por Darryl Daniel, atingindo seu pior momento em “Ain’t No Fun”. Contudo, deixando isso de lado, há coisas boas neste trabalho. Os artistas convidados, entre os quais se encontram o charmoso Nate Dogg e a afro Lady Of Rage, são soberbos. Mas, entre todos, quem realmente brilha é Tha Doggfather, confortavelmente sofisticado e transbordando de autoconfiança em “Lodi Dodi”, em “Serial Killa” e na arrepiante “Murder Was The Case”.
Há faixas não lançadas que se tornaram lendárias: “Doggystyle”, com a participação do próprio George Clinton, e a versão original de “The Next Episode”, de Dr. Dre. Mesmo sem elas, Doggystyle é um verdadeiro motim em technicolor.








