Quando The Art Of Falling Apart foi lançado, em 1983, a visão de Marc Almond sobre a indústria do sexo já tinha se tornado sombria. Em Non-Stop Erotic Cabaret, contudo, Almond e seu colega da escola de artes, Dave Ball, abordaram os altos e baixos de Londres com os olhos arregalados e com a ingenuidade romântica de um suburbano que visita a cidade pela primeira vez. O título vinha de um néon do Soho e a revista que Almond está escondendo na capa dificilmente seria a Melody Maker. O duo talvez tenha levado demasiado a sério o papel de embaixadores do sexo: quando um vídeo obsceno que tinham filmado para “Sex Dwarf” foi enviado para os tabloides – supostamente pelo anão que o estrelava – a confusão gerada acabou levando a polícia a fazer uma busca nos escritórios da Some Bizzarre.
Sexo, contudo, não é o único tema de Non-Stop Erotic Cabaret – ele é uma mistura de credulidade e incredulidade que mostra na capa a essência de seu álbum de estreia. “Frstration”, “Secret Life” e “Chips On My Shoulder” são retratos dos subúrbios em que Almond e Ball cresceram, enquanto “Bedsitter” fala do que aconteceu quando deixaram os subúrbios para trás. As duas músicas-chave são “Youth” e a música de encerramento, “Say Hello, Wave Goodbye”, que definiram um padrão para toda a carreira de Almond. E, claro, “Tainted Love”, que foi o terceiro single do grupo – após o EP Mutant Moments e uma música para as pistas, “Memorabilia” – e chegou ao primeiro lugar em nada menos que 17 países.
A banda implodiu menos de dois anos depois, quando Almond, em um ataque de nervos, reagiu mal a uma crítica ruim publicada na Record Mirror e invadiu os escritórios da revista pata bater no jornalista com um chicote. Seu afastamento durou apenas alguns dias, mas o Soft Cell havia acabado.










