De todas as grandes músicas que Solomon Burke gravou para a Atlantic entre 1962 e 1968, nenhuma explicita de maneira tão categórica o talento sublime do autoproclamado “Rei do Rock ‘n’ Soul” como as que compõem Rock ‘n’ Soul, o terceiro álbum desse artista da Filadélfia para o selo.
Antes de seguir a carreira musical, Burke trabalho como agente funerário, foi, durante algum tempo, evangelista na TV e teve 21 filhos, mas, em Rock ‘n’ Soul, ele encarna o papel de amante com uma sensual perfeição. Em “If You Need Me”, uma canção cheia de desejo composta por Wilson Pickett, Burke solta uma voz gloriosamente áspera. É uma aula de respiração, na qual utiliza todas as nuances de seu vocal surpreendente.
“Cry To Me” – mais tarde regravada pelos Rolling Stones, fãs confessos de Solomon – é uma volta aos tempo de criança de Burke, quando ele pregava nas igrejas, para apresentar um sermão devoto e apaixonado. “Just Out Of Reach”, porém, justapõe os sussurros aveludados de Burke a um swing que mistura western e country. É um estilo que não se parece com nada que ele fez para a gravadora nos anos 60, uma década na qual, na opinião de Burke, a Atlantic era “o melhor selo de rhythm and blues do mundo”.
Embora as gravações originais tenham sido oficialmente apagadas, versões repaginadas de Rock ‘n’ Soul aparecem ao longo do álbum lançado por Burke em 1963, If You Need Me. A masterização e o projeto gráfico desses dois discos deixam algo a desejar, mas, juntos, explicitam o período fértil de criatividade vivido por Burke nos anos 60 – embora o filé mignon seja mesmo o brilhante Rock ‘n’ Soul.

