Dirty foi a melhor tentativa do Sonic Youth de produzir um grunge mainstream. É um grande feito, de certa forma, e um clássico para qualquer pessoa que se interesse pela revolução do rock independente que teve início em fins da década de 80. O álbum ainda ressoa com uma eletricidade ondulante, elegância e sofisticação naturais, letras rebuscadas e uma visão inteligente do mundo.
Gravado no estúdio Magic Shop, de Manhattan, por Butch Vig – produtor responsável pela antológica “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana -, revela a reconciliação do noise- rock com a sua própria história musical (vestígios da arte conceitual, punk hardcore e experiências radicais apresentadas de uma forma coerente e bem articulada), ao mesmo tempo em que nos apresenta um rock com uma sonoridade que poucas vezes a banda voltaria a recriar de maneira tão eficaz e viva.
Os guitarristas e vocalistas Thurston Moore e Lee Ranaldo elaboram paisagens sonoras e riffs impressionantes, que vão desde a fantasiosa “Theresa’s Soundworld” até a agressiva “Youth Against Fascism”, enquanto a baixista Kim Gordon vai experimentando diferentes articulações que vão desde a raiva feminista de “Swimsuit Issue” até a doçura crua da última música, “Créme Brulée”. Sem esquecer da contribuição do baterista Steve Shelley e do fato de que sucessos do rock alternativo como “100%” e “Sugar Kane” contribuíram para que este disco se convertesse numa obra de referência.
Assim como todos os seus trabalhos posteriores, Dirty documenta uma banda tão fiel à sua personalidade multifacetada quanto aos acontecimentos de sua época, misturando o pessoal e o social em camadas superpostas de som e raiva.


































