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“Dirty” do Sonic Youth (1992)

Dirty foi a melhor tentativa do Sonic Youth de produzir um grunge mainstream. É um grande feito, de certa forma, e um clássico para qualquer pessoa que se interesse pela revolução do rock independente que teve início em fins da década de 80. O álbum ainda ressoa com uma eletricidade ondulante, elegância e sofisticação naturais, letras rebuscadas e uma visão inteligente do mundo.

Gravado no estúdio Magic Shop, de Manhattan, por Butch Vig – produtor responsável pela antológica “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana -, revela a reconciliação do noise- rock com a sua própria história musical (vestígios da arte conceitual, punk hardcore e experiências radicais apresentadas de uma forma coerente e bem articulada), ao mesmo tempo em que nos apresenta um rock com uma sonoridade que poucas vezes a banda voltaria a recriar de maneira tão eficaz e viva.

Os guitarristas e vocalistas Thurston Moore e Lee Ranaldo elaboram paisagens sonoras e riffs impressionantes, que vão desde a fantasiosa “Theresa’s Soundworld” até a agressiva “Youth Against Fascism”, enquanto a baixista Kim Gordon vai experimentando diferentes articulações que vão desde a raiva feminista de “Swimsuit Issue” até a doçura crua da última música, “Créme Brulée”. Sem esquecer da contribuição do baterista Steve Shelley e do fato de que sucessos do rock alternativo como “100%” e “Sugar Kane” contribuíram para que este disco se convertesse numa obra de referência.

Assim como todos os seus trabalhos posteriores, Dirty documenta uma banda tão fiel à sua personalidade multifacetada quanto aos acontecimentos de sua época, misturando o pessoal e o social em camadas superpostas de som e raiva.

Theresa’s Soundworld: YouTube Preview Image

Youth Agains Fascism: YouTube Preview Image

Swimsuit Issue: YouTube Preview Image

Créme Brulée: YouTube Preview Image

100%: YouTube Preview Image

Sugar Kane: YouTube Preview Image

“Goo” do Sonic Youth (1990)

Um ano depois do lançamento de Goo, o diretor de cinema Dave Markey viajou pela Europa com o Sonic Youth. O documentário resultante dessa experiência, 1991: The year That Punk Broke, constitui uma visão fascinante e caótica de uma época em que o grupo, o Dinosaur Jr. e o emergente Nirvana se encontravam à beira do sucesso internacional em grande escala.

Formado originalmente em Nova York, em 1981, o Sonic Youth adaptou as dissonâncias inspiradas no Velvet Underground e o ruído experimental da no wave nova-iorquina. Após ter aprendido muitos truques com o grupo do compositor vanguardista Glenn Branca, no qual os integrantes Thurston Moore e Lee Arnaldo tocaram, a banda poliu o seu som nos anos 80, evoluindo de um experimentalismo de estilo livre para discos mais estruturados e aclamados pela crítica, como Evol, Sister e Daydream Nation.

Ainda que Goo fosse o primeiro álbum do grupo para um grande selo, não foi um sucesso de vendas. Com backing vocals de J. Mascis, líder do Dinosaur Jr., e uma fusão à frente de seu tempo com a participação de Chuck D., do Public Enemy (“Kool Thing”), Goo era acessível em termos de músicas e estrutura ainda que se mantivesse experimental em termos de tom e textura. As letras sobre a morte de Karen Carpenter por anorexia (“Tunic (Song For Karen)”) e doideiras de um minuto (“Scooter And Jinx”) mostravam a continuidade do controle criativo, enquanto a capa do artista ultracool Raymond Pettibon, um quadrinho nihilista estilizado, manifestava a continuação de seu estilo cool.

Apesar de muitos críticos preferirem Daydream Nation, Goo continua sendo um exemplo magistral de como uma banda de rock underground pode dar o salto para chegar a um grande selo e não só sobreviver com a alma e os culhões intactos como também florescer e alcançar um público mais vasto e apreciativo.

Kool Thing: YouTube Preview Image

Tunic (Song For Karen): YouTube Preview Image

Dirty Boots: YouTube Preview Image

Disappearer: YouTube Preview Image

Titanium Exposé: YouTube Preview Image

“Daydream Nation” do Sonic Youth (1988)

Originalmente um disco duplo de vinil, Daydream Nation marcou o fim de uma era para o Sonic Youth. Extensa e vigorosa, enérgica e complexa, sua música completava uma busca que tinha começado no underground nova-iorquino dos anos 80 e que tinha passado por experiências com o minimalismo e o hardcore. Com uma série de gravações, particularmente o fascinante Evol e o magnífico Sister, ambos de 1986, a banda encaminhava-se de maneira natural para esta declaração definitiva: a obra pela qual certamente será lembrada como a banda que introduziu para o grande público inovações tais como afinações alternativas e colagem de ruídos.

Surrealista e exacerbado e, ao mesmo tempo, mordaz e realista, este álbum começa com uma memorável cena de rua no hino “Teen Age Riot” e acaba com a convulsiva beleza das três faixas que formam “Trilogy”, a suíte final. Entre essas faixas, a banda solta a mão no rock (“Silver Rocket”, “Candle”), levando o ouvinte fascinado em meio ao seu sentido estético idiossincrático (“The Sprawl”, “Providence”)  e sua ousadia (“Eric’s Trip”, “Total Trash”).

Daydream Nation, o seu último trabalho para um selo indie, foi produzido por Nick Sansano na Greene Street Recording, em Manhattan, e levou o quarteto formado por Steve Shelley (bateria), Kim Gordon (baixo) e os guitarristas Thurston Moore e Lee Ranaldo a um novo nível de reconhecimento como mestres do passado do rock e visionários de um novo tempo. No alvorecer dos anos 90, o mundo estava pronto para mais uma revolução de rock – especialmente essa nação sonâmbula a que se refere o título, uma América do Norte que agora parece tão remota no tempo mas que é tão vivamente retratada no disco.

Teen Age Riot: YouTube Preview Image

Trilogy (The Wonder/Hyperstation/EliminatorJr.): YouTube Preview Image

Silver Rocket: YouTube Preview Image

Candle: YouTube Preview Image

The Sprawl: YouTube Preview Image

Providence: YouTube Preview Image

Eric’s Trip: YouTube Preview Image

Total Trash: YouTube Preview Image

Kissability: YouTube Preview Image

“Sister” do Sonic Youth (1987)

Apesar de continuar lançando discos belíssimos, o auge do Sonic Youth foi no final dos anos 80. Em Evol (1986), o quarteto nova-iorquino havia dado tons mais sutis e mais melódicos a seu “no wave” atonal. Dois anos mais tarde, o álbum duplo Daydream Nation tornou-se um sucesso da parada independente e concretizou um contrato com uma grande gravadora. Sister foi a ponte entre eles: um conjunto sucinto, atraente, que equilibra as dissonâncias atmosféricas com músicas formidáveis.

Inspirada numa história de Philip K. Dick, “Schizophrenia” é uma pequena obra-prima de intriga sustentada. Enquanto as guitarras são gentilmente dedilhadas, Thurston Moore relata um encontro inquietante com a irmã de um amigo de longa data. Em vez de usar um refrão, Moore e o guitarrista Lee Ranaldo habilidosamente intercalam um turbilhão de notas harmônicas. Passam então para um segundo verso muito hermético, recitado pela baixista Kim Gordon com a voz de uma jovem mentalmente perturbada. A banda acelera até chegar a um clímax eufórico.

É Gordon quem faz a voz principal em “Beauty Lies In The Eye” e “Pacific Coast Highway”. A primeira é uma pungente balada com ruído ambiente que remete a abusos sexuais; a segunda é ainda mais sinistra. Outros destaques são uma versão da música “Hot Wire My Heart”, do Crime; “Cotton Crown” traz à mente o misterioso lado das ruas iluminadas em néon de Manhattan antes que fossem esterilizadas pela política de tolerância zero; em “White Cross” o estupendo baterista Steve Shelley realiza uma série de poderosos crescendos, como um tsunami auditivo.

Sister continua sendo um clássico não só para os fãs da música alternativa como para os fãs de rock de todos os gêneros.

Schizophrenia: YouTube Preview Image

Beauty Lies In The Eye: YouTube Preview Image

Pacific Coast Highway: YouTube Preview Image

Hot Wire My Heart: YouTube Preview Image

Cotton Crown: YouTube Preview Image

White Cross: YouTube Preview Image

“Evol” do Sonic Youth (1986)

O terceiro disco do Sonic Youth é importante por dar forma definitiva ao grupo com a inclusão de Steve Shelley na bateria e por ser o primeiro dos trabalhos realmente brilhantes da banda que ajudaram a definir um gênero. Antes ainda eram iniciantes na cena experimental de Nova York nos anos 80, decididos a obter novos e estranhos gritos de suas guitarras. Evol foi quando começaram a afinar os ouvidos.

O som pode ser ruidoso e áspero, mas este álbum está ornado com linhas pop menos evidentes. O vocalista e guitarrista Thurston Moore explicou que a péssima acústica do espaço minúsculo onde gravaram obrigou-os a se aterem a melodias reconhecíveis para que pudessem ouvir uns aos outros. Isso explica “Tom Violence”, a música de abertura: contra o com de acordes recém-descobertos, a linha vocal simples e clara de Moore sobe e desce em harmonias quase conflitantes com o resto da música. Da mesma forma, a fantasmagórica coda de Kim Gordon, como uma cantiga de ninar em “Star Power”, flutua sobre riffs quase abstratos numa atmosfera que fica entre o apavorante e o confortável.

O melhor momento do disco é a lenta construção da subida de “Expressway To Yr Skull”, na qual todos os formidáveis zumbidos, ecos, pulsos, lamentos e o entusiástico senso melódico realmente conseguem se juntar. É como uma resposta do art-rock para “Freebird” ou “Stairway To heaven” e certamente também é um dos grandes momentos da banda – rock reconstruído e recontado em uma excitante e nova linguagem.

Tom Violence: YouTube Preview Image

Star Power: YouTube Preview Image

Expressway To Yr Skull: YouTube Preview Image

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