Em 1970, o californiano Spirit já havia gravado três LPs inovadores, mas sua síntese de rock, clássico e jazz não tinha despertado maior interesse. Poderoso na Costa Oeste, o empresário Lou Adler, que tinha contratado a banda para seu selo Ode em 1968, a abandonou. Para coroar, houve um racha entre as principais forças criativas do Spirit – o mago da guitarra Randy California (que tinha tocado e aprendido tudo com Jimi Hendrix, quando os dois formavam os Blue Flames) e o cantor Jay Ferguson. California pregava o experimentalismo; Ferguson estava atrás do sucesso comercial.
Os ânimos não poderiam estar mais acirrados quando o Spirit gravou Twelve Dreams Of Dr. Sardonicus. Felizmente, David Briggs, que havia trabalhado com Neil Young, conseguiu transformar toda essa animosidade na obra-prima do grupo. O álbum foi turbinado por arranjos de metal suculentos (“Morning Will Come”), harmonias vocais criativas (“Nothin’ To Hide”) e a utilização estruturada dos efeitos psicodélicos de estúdio, como o trabalho em mono nos canais de estéreo e o uso de fitas de trás para a frente. A banda experimentou o então novo sintetizador Moog em “Love Has Found A Way” e “Space Child”, e revelou singles perfeitos de rock na faixa “Mr. Skin” e na funky “Animal Zoo” – anos-luz à frente de seu tempo. Também criou um clássico das rádios FM, a acústica “Nature’s Way”.
Depois de um concerto de final de ano no Fillmore East, em 1970, a banda se separou. O álbum ganhou o disco de platina cinco anos depois, uma recompensa tardia para o trabalho soberbo realizado por Briggs e pela formação original do Spirit. Ah, e o “Dr. Sardonicus”? Era o apelido dado pelo grupo para a mesa de mixagem do estúdio.









