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“Jazz Samba” de Stan Getz And Charlie Byrd (1962)

Embora sempre receba o crédito por ter despertado a onda da bossa nova, não foi o Jazz Samba que apresentou o novo ritmo brasileiro ao resto do mundo. O filme Orfeu Negro, um sucesso de 1959 dirigido por Marcel Camus, já havia intrigado as plateias internacionais com sua impressionante trilha sonora, de Luiz Bonfá e Tom Jobim. Mas, quando o guitarrista Charlie Byrd voltou de uma viagem à América do Sul com fitas de músicas brasileiras e começou a distribuí-las entre os amigos, ele acendeu um pavio que explodiu suavemente com sua colaboração. O macio e luminoso sax tenor de Stan Getz mostrou fazer um par perfeito com as melodias graciosas e inefáveis da bossa nova e seu ritmo oscilante.

Gravado numa única sessão em uma igreja em Washington, DC, o álbum é uma maravilhosa mistura de swing e samba, com o sax de Getz emendando uma faixa na outra. Uma estrela do jazz do final dos anos 40, o saxofonista teve problemas com drogas e havia acabado de voltar para os Estados Unidos, depois de muitos anos na Europa, quando “Desafinado” virou um hit galopante. O sucesso do disco e as cada vez mais populares gravações de bossa nova de Getz com João e Astrud Gilberto transformaram o gênero brasileiro numa força comercial, numa época em que a energia inicial do rock ‘n’roll havia se dissipado em um pop descartável, e os Beatles ainda estavam plantando as sementes de sua música em Hamburgo.

A parceria entre Byrd e Getz terminou em maus termos logo depois, mas a música que produziram permanece como uma ilha de calma e beleza transcendental num universo pop que, muitas vezes, é regido pelo brilho do flash e pelas aparências.

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