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“Getz/Gilberto” de Stan Getz And João Gilberto (1963)

A paixão dos Estados Unidos pela música latina não era nova – ao longo do século XX, o tango, o chachachá, a rumba e o mambo tinham sido a trilha sonora de muitos bailes e jazz clubs do país. Nascido na Filadélfia e criado na Costa Oeste, o saxofonista Stan Getz gravou Jazz Samba, em 1962, como uma variação exótica de seu hard bop lírico, depurando os ritmos agitados do samba brasileiro até chegar a uma batida simples e sinuosa que se tornou conhecida como bossa nova.

Getz e Byrd se encontraram, involuntariamente, no topo de uma enorme onda internacional, quando a versão deles de “Desafinado”, de Tom Jobim, vendeu milhões de cópias. Ao contrário, porém, do que aconteceu com os que correram atrás desse bonde mais tarde, Getz não foi descartado como ilegítimo pelos brasileiros, mas reconhecido por pioneiros da bossa nova como Baden Powell e o próprio Jobim.

Stan Getz era o único gringo em Getz/Gilberto, acompanhado ao piano por Jobim (que tinha também tocado violão com Getz) e na bateria pelo brasileiro Milton Banana. Mas a verdadeira estrela era op violonista e cantor João Gilberto, o irritadiço purista da bossa nova que, com seu vocal monótono e hesitante e suaves batidas de violão, havia criado o gênero.

Reza a lenda que o produtor queria que parte de “The Girl From Ipanema” fosse cantada em inglês. João não falava a língua e sua jovem mulher Astrud se ofereceu para cantar um take. Seu vocal infantil e ofegante se tornou uma das performances definitivas do século XX e as duas faixas em que ela canta – incluindo uma leitura da letra de Gene Lees para “Corcovado” – estão entre os vários destaques deste álbum. Um relançamento, em 1990, incluiu a versão em 45 rpm das duas músicas.

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