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“Aja” do Steely Dan (1977)

Em 1977, o Steely Dan era, mais do que uma banda, uma festa móvel liderada pelos fundadores Donald Fagen e Walter Becker – e que festa!

Aja tem pouco a ver com o pastiche bem-humorado de Pretzel’s Logic ou com o cinismo de The Royal Scam. Ao contrário, Fagen e Becker elaboraram uma obra refinada, com influências de jazz, que vendeu mais de cinco milhões de cópias.

“Black Cow” dá o tom – cosmopolita e estranha, a faixa conta a história de um amante traído que, finalmente, perde a paciência. O solo de Victor Feldman em seu Fender Rhodes é uma demonstração de destreza, enquanto os metais sincopados e elegantes levam o bop até o fim numa classe impecável.

A faixa-título é uma proposta diferente – um poema musical sobre a mística do Oriente, que mergulha num devaneio filosófico, “Aja” é o centro de gravidade do álbum. A canção constroi um mundo delicado, com tintas de ópio, para o destruir no final com a bateria arrasadora de Steve Gadd e o sax tenor mortal de Wayne Shorter.

Talvez essa inclinação esotérica tenha feito a Rolling Stone dizer que o disco “revela um isolamento do público cuidadosamente manipulado”. Isso é verdade, em parte, mas não em “Deacon Blue”, seu canto do cisne para um velho boêmio de Los Angeles, uma música suave mas com um humor amargo.

Há ainda duas músicas dançantes – a funky e irresistível “Peg” (mais tarde sampleada por De La Soul em “Eye Know”) e o boogie “Josie”.

Aja teve uma produção irrepreensível e a participação de 30 dos melhores músicos de estúdio da época. É um verdadeiro marco do jazz rock.

Black Cow: YouTube Preview Image

Aja: YouTube Preview Image

Deacon Blue: YouTube Preview Image

Peg: YouTube Preview Image

Josie: YouTube Preview Image

“Pretzel Logic” do Steely Dan

Antes de formar a dupla de compositores do Steely Dan, Donald Fagen e Walter Becker escreviam músicas para a ABC, tendo emplacado sucessos com gente famosa como Barbra Streisand. Eles elaboraram um som próprio em Can’t Buy A Thrill e o desenvolveram ainda mais em Countdown To Ecstasy, mas acabaram voltando aos tempos de compositores pop: dentro do esquema tradicional das canções de três minutos, a dupla resolveu jogar com estilos e gêneros. O resultado foi Pretzel Logic, que ganhou um disco de platina.

A primeira música já dá o tom do álbum. “Rikki Don’t Lose That Number” é uma história comovente de amor não correspondido que trafega entre um samba leve e uma balada ao piano, até o belo solo de guitarra de Jeff “Skunk” Baxter colocar uma fatia de country rock da Califórnia bem no meio da canção. Na mesma linha, “Any Major Dude Will Tell You” é iluminada pelo sol de Orange County.

Mas o grupo não deixa de lado a ironia – “Monkey In Your Soul”, que, de alguma forma, mistura Noël Coward e a Stax, tem uma letra maravilhosa, embebida em veneno, enquanto o orgulho ferido e a inveja são tratados com humor negro em “Through With Buzz”.

O terceiro elemento do disco é o pastiche satírico. “Night By Night” fala do desafio de ser solitário com uma dinâmica de seriado policial; o atrapalhado homicídio descrito em “With A Gun” podia estar num filme dos irmãos Coen. “East St. Louis Toodle-Oo” é um momento de diversão para a banda – notável, entre outras coisas, por apresentar a guitarra pedal steel ao ragtime.

Rikki Don’t Lose That Number: YouTube Preview Image

Any Major Dude Will Tell You: YouTube Preview Image

Monkey In Your Soul: YouTube Preview Image

Through With Buzz: YouTube Preview Image

Night By Night: YouTube Preview Image

With A Gun: YouTube Preview Image

East St. Louis Toodle-Oo: YouTube Preview Image

“Countdown To Ecstasy” do Steely Dan

Depois de vender um milhão de cópias de seu primeiro álbum, Can’t Buy A Thrill, o Steely Dan mudou de formação, com Donald Fagen assumindo os vocais. Foi o início do som “clássico” do Steely Dan.

Com um hit na bagagem, era apenas uma questão de tempo até o grupo ampliar o escopo de seu material. Countdown To Ecstasy traz mais das influências do jazz e das letras obscuras que caracterizaram posteriormente o trabalho da banda, e a capa do álbum já sugere esse clima mais sombrio.

A faixa de abertura, “Bodhisattva”, é uma beleza. Uma sátira sobre a Califórnia e seu carma, a música é um rockabilly para superdotados, com destaque para o maravilhoso duelo de guitarras de Jeff “Skunk”Baker e Denny Dias, um arrasador músico de jazz de Nova York.

“Your Gold Teeth” novamente apresenta Dias, num estilo menos direto. A música conta a história de uma experiente trapaceira que vive de sua aparência e esperteza – parece um livro de Elmore Leonard. O outro lado do disco tem um clima gélido, graças ao vibrafone de Victor Feldman e ao piano elétrico de Fagen, e os solos passam por estranhas regiões psicotrópicas. Mas essa ambiguidade não aparece em “My Old School”, na qual um rock puro narra delitos de colegiais, embalado por fisgadas de guitarra de “Skunk” Baker.

De um tom mais pesado do que o álbum de estreia, Countdown To Ecstasy prenuncia, num estilo ácido, os temas do trabalho posterior da banda.

Bodhisattva: YouTube Preview Image

Your Gold Teeth: YouTube Preview Image

My Old School: YouTube Preview Image

“Can’t Buy A Thrill” do Steely Dan

Em1972, ninguém sabia o que fazer com o Steely Dan e o seu álbum de estreia, Can’t Buy A Thrill, nem mesmo seus criadores, Donald Fagen e Walter Becker. Porém aqueles que só viram neles uma outra produção arrumadinha do rock da Costa Oeste não entenderam a questão. Embora o álbum fosse apenas a primeira fase de uma viagem de descoberta musical, havia muito ali para diferenciar o Steely Dan do resto.

As harmonias vocais lembram Crosby, Stills, Nash And Young, mas os arranjos alcançam novos níveis de sofisticação. Miles Davis já tinha inventado a fusão do rock com o jazz, mas, quando o vocal de Fagen entra depois da maravilhosa introdução de jazz latino de “Do It Again”, é preciso admitir que os garotos sabiam das coisas.

O vocalista David Palmer, que não apareceu em mais nenhum outro disco, tem seu melhor momento em “Dirty Work”, embora faça falta o estilo agressivo de Fagen. A inclusão da faixa foi, talvez, uma tentativa de fazer seu som ainda mais palatável para as rádios. “Reeling In The Years” soa como um hit clássico já nas primeiras notas – solos de guitarra inesquecíveis dão espaço a suculentos refrões impulsionados pelo baixo de Walter Becker. É um ritmo para dançar, executado com a precisão que se tornaria a principal característica do Steely Dan.

A Billboard foi discreta ao dizer que o álbum teria “boas possibilidades de gerar hits para um grupo que deve durar algum tempo”.

Do It Again: YouTube Preview Image

Dirty Work: YouTube Preview Image

Reeling In The Years: YouTube Preview Image

Steely Dan

Steely Dan é uma banda americana de jazz fusion centrada na dupla Walter Becker e Donald Fagen. O grupo ganhou popularidade nos anos 70, quando fez sete álbuns juntando elementos do jazz, rock, funk, R&B e pop. Inicialmente rock, sua canção absorveu complexas estruturas e harmonias com influências do jazz. O nome da banda se refere a um livro de William Burroughs. Além de Fagen (piano, teclados e vocal) e Becker (baixo e guitarra), a banda original tinha Denny Dias (guitarra), Jeff “Skunk” Baxter (guitarra e percussão), Jim Hodder (bateria) e David Palmer (vocal). O grupo fez turnês de 1972 a 1974, mas de 1975 a 1980 se retirou dos palcos para trabalhar unicamente em estúdio. Depois de uma pausa que durou até 1993, e atendendo a pedidos, Fagen e Becker voltaram a se reunir e a se apresentar nos EUA, lançando um disco “Alive in America” em 1994. Em 2000, a dupla lançou “Two Against Nature”, primeiro disco com inéditas em 20 anos, ganhando quatro Grammys em 2001.

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