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“Manassas” de Stephen Stills

Ao saber que o amigo Chris Hillman morria de tédio no The Flying Burrito Brothers, Stephen Stills o convidou para tocar em seu novo álbum solo, ao lado da pedal steel do guitarrista dos Burritos, Al Perkins, e do rabequista de bluegrass Byron Berline. Gravado no Criteria Studios, em Miami, este álbum conceitual bebe do rock, folk, música latina, country e blues – com a colaboração de Calvin “Fuzzy” Samuels (baixo), Dallas Taylor (bateria), Paul Harris (teclado)  e Joe Lala (percussão).

A riqueza do material e do time de músicos resultou num álbum duplo ambicioso, talvez o maior lançamento da carreira de Stills – um trabalho saboroso e renovador, ainda que dentro da melhor tradição do rock. O repertório variado, que poderia parecer muito disperso, forma, na verdade, um todo coeso. A gravação se dividiu claramente em quatro partes, espelhadas nos quatro lados do lançamento original em vinil. “The Raven” junta rock e estilos latinos; “The Wilderness” é country e bluegrass, marcada pelo bandolim, violino, pedal steel e uma harmonia excepcional em várias partes; “Consider” prioriza o folk e o folk-rock; “Ropck And Roll Is Here To Stay” é mais blues e rock; e a épica “treasure” se tornou uma das faixas mais importantes do grupo (a acústica “Blue Man” é dedicada a Jimi hendrix, Al “Blind Owl” Wilson e Duane Allman).

O baixista dos Rolling Stones, Bill Wyman, ajudou Stills a terminar “The Love Gangster”. Mais tarde, ele revelou a Dallas Taylor que queria ter saído dos Stones para se juntar ao time de Manassas – mas ninguém o convidou.

Treasure: YouTube Preview Image

“Stephen Stills” de Stephen Stills

Ele não tinha nada a provar, mas acabou provando. Uma superestrela do soft rock californiano do final dos anos 60, Stills já tinha intimidade com o sucesso ao lançar seu primeiro álbum solo. Quando estava no Buffalo Springfield, ele compôs o hino da contracultura, “For What Is Worth”, e, em 1970, se alinhava no grupo dos que haviam vendido um milhão de cópias. Aos 25 anos, o músico texano vivia uma época de ouro, que poucos conseguiriam alcançar.

No entanto, os críticos consideravam Stills menos talentoso do que seus companheiros Neil Young, David Crosby e Graham Nash. Com este disco, ele calou a boca de todo mundo.

Acompanhado por um time de estrelas – que incluía Jimi Hendrix (a quem o álbum é dedicado), Eric Clapton, Booker T., Crosby, Rita Coolidge, Nash, John Sebastian e Cass Elliot -, a voz e a guitarra rascantes de Stills injetam uma singular combinação de ousadia e melancolia à fórmula clássica do cantor-compositor. O disco mistura harmonias típicas do Crosby, Stills, Nash & Young (“Do For The Others”), um R&B cheio de gospel, da escola de Joe Cocker e Leon Russell (como na esplendorosa “Church”), ritmos latinos (como na apaixonada “Love The One You’re With”, um sucesso nas rádios), folk blues (elétrico em “Go Back Home”; acústico na faixa ao vivo “Black Queen”) e hard rock (“Old Times Good Times”). Um leve tom reflexivo, porém, beira a superfície.

As 10 faixas soberbas traçam uma viagem emocionada por um Eclesiastes pessoal de amor e desamor. Com seu álbum de estreia, Stephen Stills consegue imprimir sua própria assinatura, poderosa e lírica, num mosaico vibrante da música americana.

Black Queen: YouTube Preview Image

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