Em 15 de agosto de 1975, Stevie Wonder assinou um contrato de treze milhões de dólares com a Motown, que garantia a ele total liberdade artística. Wonder tinha estocado centenas de músicas e, nos meses seguintes, gravou outras 200, forçando a gravadora a organizar o primeiro de dois álbuns duplos que o transformaram de dissidente precoce a megaestrela internacional (foi um dos primeiros álbuns a entrar nas paradas americanas já no topo).
Há momentos em que o disco se aproxima do jazz: “Sir Duke” é uma homenagem no estilo big-band a Duke Ellington; “Contision” traz um jazz-rock instrumental à la Mahavishnu Orchestra. Com elementos de samba, “As” conta com Herbie Hancock; “Another Star”, com gosto de salsa, tem o flautista Bobbi Humphrey e o guitarrista George Benson; e a celestial “If It’s Magic” apresenta um dueto com a harpista Dorothy Ashby.
O álbum sofreu vários atrasos por conta das novas canções. “Houve vezes em que Stevie ficou no estúdio direto, durante 48 horas”, contou o baixista Nathan Watts. “Ninguém conseguia fazer o homem parar, nem para comar!”. De fato, as quatro faixas finais do CD eram, originalmente, um disco bônus de sete polegadas e 33 rpm.
Songs In The Key Of Life foi muito elogiado, embora Robert Christgau, do Village Voice, tenha achado o disco repleto de bobagem New Age (“Saturn”), sermões didáticos (“Black Man”) e sentimentalismo barato (“Isn’t She Lovely”). Apesar disso, o disco deu o tom político da militância de Stevie Wonder no movimento negro – há agradecimentos a Jesse Jackson e Louis Farrakhan, ao lado de Frank Zappa e Andy Williams.
































