O Suede não deveria existir em 1994. Este disco nem tinha sido terminado quando perderam Bernard Butler, seu principal compositor devido a um amargo desentendimento. Tomaram a peculiar decisão de fazer uma audição para conseguir um novo guitarrista publicando um anúncio anônimo no NME, pedindo de forma velada alguém que “gostasse de Suede”. Felizmente, Richard Oakes, com 17 anos, mostrou que era mais do que capaz de recriar, ao vivo, as guitarras que Butler tinha gravado em estúdio. Sem feridas, a banda seguiu em frente e, com Dog Men Star, o Suede criou um álbum de admirável ímpeto e beleza. As novas músicas transmitiam uma energia provocante e excitante: desde a hipnótica e psicodélica “Introducing The Band”, que abre o álbum, ao final orquestral de “Still Life”. O primeiro single audacioso, “We Are The Pigs”, estava cheio do mesmo tipo de com urbano que começaram a desenvolver em seu primeiro álbum – refletido também na imagem de um nu andrógino, em tom sépia, da capa do disco. A música “The Wild Ones” está cheia de viradas de bateria e de violão pinçado, sendo uma das mais melódicas do Suede. A incrivelmente grandiosa “Asphalt World” dura quase 10 minutos e soa como uma ópera rock onde sobre ecstasy, dos táxis londrinos e sexo selvagem. Uma grande proeza.
O fato de o novato Richard Oakes ter segurado tudo isso sem vacilar diz muito – em parte sobre a sua inocência, mas sobretudo sobre o sangue-frio do vocalista Brett Anderson. Quando parecia que sua banda estava no limiar da ruptura, ele trabalhou duro e se concentrou na turnê de promoção do álbum mais ambicioso de sua carreira.















