Arquivos

Categorias

“Dog Man Star” do Suede (1994)

O Suede não deveria existir em 1994. Este disco nem tinha sido terminado quando perderam Bernard Butler, seu principal compositor devido a um amargo desentendimento. Tomaram a peculiar decisão de fazer uma audição para conseguir um novo guitarrista publicando um anúncio anônimo no NME, pedindo de forma velada alguém que “gostasse de Suede”. Felizmente, Richard Oakes, com 17 anos, mostrou que era mais do que capaz de recriar, ao vivo, as guitarras que Butler tinha gravado em estúdio. Sem feridas, a banda seguiu em frente e, com Dog Men Star, o Suede criou um álbum de admirável ímpeto e beleza. As novas músicas transmitiam uma energia provocante e excitante: desde a hipnótica e psicodélica “Introducing The Band”, que abre o álbum, ao final orquestral de “Still Life”. O primeiro single audacioso, “We Are The Pigs”, estava cheio do mesmo tipo de com urbano que começaram a desenvolver em seu primeiro álbum – refletido também na imagem de um nu andrógino, em tom sépia, da capa do disco. A música “The Wild Ones” está cheia de viradas de bateria e de violão pinçado, sendo uma das mais melódicas do Suede. A incrivelmente grandiosa “Asphalt World” dura quase 10 minutos e soa como uma ópera rock onde sobre ecstasy, dos táxis londrinos e sexo selvagem. Uma grande proeza.

O fato de o novato Richard Oakes ter segurado tudo isso sem vacilar diz muito – em parte sobre a sua inocência, mas sobretudo sobre o sangue-frio do vocalista Brett Anderson. Quando parecia que sua banda estava no limiar da ruptura, ele trabalhou duro e se concentrou na turnê de promoção do álbum mais ambicioso de sua carreira.

Introducing The Band: YouTube Preview Image

Still Life: YouTube Preview Image

We Are The Pigs: YouTube Preview Image

The Wild Ones: YouTube Preview Image

Asphalt World: YouTube Preview Image

“Suede” do Suede (1993)

O primeiro álbum do Suede encerrou um turbilhão na mídia que havia começado mais cedo naquele ano, com a banda chegando à capa da Melody Maker antes mesmo de ter lançado uma música.

Em grande parte uma soma de suas influências musicais (David Bowie, The Smiths), o quinteto conseguiu criar um álbum que se destacava pelo estilo completamente oposto ao grunge em ascensão e ao estilo indolente de sua época. Some a essa ousadia um flerte com a bissexualidade no conteúdo das letras das músicas (graças ao cantor Brett Anderson) e você tem uma combinação irresistível.

Desde a entrada da bateria na música “So young” o Suede é uma viagem que abarca o glam rock (o refrão fácil de memorizar em “Animal Nitrate”) e também um tom depressivo tipicamente urbano (“Breakdown” e “Sleeping Pills” são exemplo de duas das letras mais depressivas de toda a carreira de Anderson).

Contudo, foi justamente essa abordagem dos aspectos mais sórdidos e deteriorados da vida londrina que lhes deu espaço para criar um novo som. A música “Animal Lover”, supostamente sobre Damon Albarn, do Blur, novo namorado da ex-companheira de Anderson (Justine Frischmann, do Elastica), é um verdadeiro choque para os sentidos, enquanto “Metal Mickey” era otimista, ainda que com um tom frustrado de cidade-satélite.

As letras “anglocêntricas” de Anderson, junto com o som das guitarras do Suede, criaram um modelo para o pop britânico. Todavia, o grupo aspirava a algo muito maior em comparação com outros grupos estreantes. “The Next Life”, uma balada no piano cujo protagonista sonhava, às lágrimas, com um futuro melhor, soava tão ridiculamente dramática e exagerada que era o final perfeito para o álbum.

So Young: YouTube Preview Image

Animal Nitrate: YouTube Preview Image

Breakdown: YouTube Preview Image

Sleeping Pills: YouTube Preview Image

Animal Lover: YouTube Preview Image

Metal Mickey: YouTube Preview Image

The Next Life: YouTube Preview Image

The Drowners: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados