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“Rings Around The World” do Super Furry Animals (2001)

Após o fim do selo independente Creation Records, o Super Furry Animals lançou seu quinto álbum por uma grande gravadora. Contudo, a partir da primeira audição, fica claro que seus integrantes jamais deixariam isso afetar sua destemida ambição musical e sua tendência experimentalista.

A irrepreensível faixa-título “(Drawing) Rings Around The World”, repleta de harmonias que o próprio Brian Wilson, do Beach Boys, aprovaria, descreve a sensação de uma sobrecarga de comunicação tecnológica. Termina com gravações de chamadas telefônicas feitas pela banda, numa noite, para números aleatórios de todo o mundo. “Receptacle For The Respectable” mantém o tom de pop dançante antes de se partir em diferentes direções. Escorregando sem esforço para o território de Bacharach antes de mergulhar num crescendo de death metal, também traz o som de Paul McCartney mastigando aipo. “Run! Christian, Run!” vê o country-rock derreter sobre um loop eletrônico com um efeito impressionante.

O grupo promoveu Rings Around The World com a Furrymania: uma série de finais de semana em cidades diferentes, incluindo projeções de cinema, clubes noturnos e carruagens com som surround. Embora alguns críticos acusem a banda de forçar a barra no quesito excentricidade, a revista Rolling Stone capturou a reação da maior parte dos ouvintes, descrevendo suas conquistas como “Uma obra-prima musical com uma piscadela de inteligência”.

(Drawing) Rings Around The World: YouTube Preview Image

Receptacle For The Respectable: YouTube Preview Image

Run! Christian, Run!: YouTube Preview Image

“Fuzzy Logic” do Super Furry Animals (1996)

Em 1996 a Inglaterra tinha vários motivos para se vangloriar. Pela primeira vez em 30 anos a seleção de futebol estava indo razoavelmente bem numa competição internacional. O britpop estava no auge com bandas como o Oasis, o Blur e o Pulp dominando o cenário. Não deixa de ser engraçado que um dos discos do ano pertencesse a um grupo definitiva e orgulhosamente galês.

Surgindo do nada, Fuzzy Logic fazia referências casuais a fenômenos culturais tão díspares quanto o humorista Bill Hicks, o famoso contrabandista de drogas Howard Marks ( que aparece na capa do disco sob diversos disfarces), o cientista do século XVII, Isaac Newton, e o hamster do grupo, Stavros. A música era uma mistura intrincada de pop dos anos 60, punk rock e psicodelismo, tudo sob a ótica dance dos anos 90. Na verdade, o Super Furry Amnimals foi formado com o objetivo de fazer discos de techno – mais tarde, naquele ano, invadiu os circuitos de festivais com um tanque azul-claro equipado com um poderoso sistema de som e que trazia a mensagem “Se você não quiser que eu destrua vocë…” pintada no canhão.

As letras alucinantes e absurdas de Gruff Rhys eram frequentemente cômicas, mas ainda assim conseguiam lembrar uma mentalidade gentilmente paroquial. A banda passava, sem problema algum, do punk rock mais carregado (“God! Show Me Magic”, “Something For The Weekend”, “Bad Behaviour”) para o psicodelismo (“Hometown Unicorn”, “Gathering Moss”).

O Super Furry Animals iria gravar outros discos mais coerentes e “melhores” que este, mas o bom-humor e o prazer proporcionados por escutar uma banda tão inventiva como esta fazem com que Fuzzy Logic seja difícil de igualar.

God! Show Me Magic: YouTube Preview Image

Something For The Weekend: YouTube Preview Image

Bad Behaviour: YouTube Preview Image

Hometown Unicorn: YouTube Preview Image

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