Embora tenha parecido uma boa ideia na época, a revolução tecnológica dos anos 80 não fez bem ao rock. O sintetizador Yamaha DX7, onipresente, fez desaparecer as diferenças entre a música de elevador e os singles do Top 10. Além disso, uma geração inteira de bateristas foi substituída por máquinas. O resultado? Baterias pavorosas.
Uma espécie de divisor de águas chegou, em 1986 – provavelmente o pior ano para a música em toda a História -, quando o Talk Talk, um dos principais culpados por esse rock encharcado de sintetizadores, se tornou o primeiro a rejeitá-lo. Tinham perdido o tecladista Simon Brenner e recrutaram o produtor Tim Friese-Greene – um contraste experimental para as composições emocionais do guitarrista e vocalista Mark Hollis. Em seguida, Mark e Tim quebraram o formato anteriormente inflexível da banda, acrescentando o baterista Lee Harris e o baixista Paul Webb à formação, além de contar com m’sicos convidados como Steve Winwood, Danny Thompson (baixo) e o guitarrista dos Pretenders, Robbie McIntosh.
The Colour Of Spring foi uma revelação. Finalmente as composições de Hollis estavam envoltas numa instrumentação adequada à sua melancolia frágil. As inesquecíveis “April 5th” e “Chameleon Day” tinham um formato livre que era anteriormente impensável para a banda, mas os melhores exemplos eram as sublimes “Life’s What You Make It” e “Living In Another World”. Esta última mal alcançou as paradas inglesas – um destino comum para os melhores singles daqueles tempos sombrios.





