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“Remain In Light” do Talking Heads (1980)

Originalmente intitulado Melody Attack, este disco é o ponto alto da carreira do Talking Heads, o último e mais bem realizado dos três álbuns que eles gravaram com Brian Eno. Produzido em um período turbulento da história do grupo, Remain In Light pode ser visto como uma briga pela atenção do líder David Byrne entre os demais membros da banda (Tina Weymouth, Chris Frantz e Jerry Harrison) e o produtor e co-autor Brian Eno. Essa tensão gerou um álbum sempre interessante de se ouvir.

Depois de gravar todos os canis de base, os integrantes reagruparam-se em Nova York no verão de 1980 para terminar o disco. Lutando contra um bloqueio criativo, Byrne converteu os improvisos – geralmente simples variações sobre um mesmo acorde – em músicas estruturadas. Com diversas camadas sobrepostas de vocais, bateria, baixo e percussão, as sequências rítmicas entremeadas do disco deixam o ouvinte sem fôlego, desde “The Great Curve”, com sua influência africana, a “Crosseyed And Painless”, lembrando Kurtis Blow. A maior improvisação, “Weird Guitar Riff Song”, transformou-se em “Once In A Lifetime”, evocando a música de Fela Kuti, com Byrne imitando o estilo de um pregador.

Lançado em outubro de 1980, Remain In Light demonstrou que o pop podia funcionar tanto para a cabeça quanto para os pés. O processo de criação do disco acabou dividindo o grupo: Eno e Byrne de um lado, Weymouth e Franz do outro, tendo Harrison como mediador. Ainda que Eno fosse sair em breve dessa equação, a pressão criada afetou a banda e levou à sua dissolução 10 anos depois.

The Great Curve: YouTube Preview Image

Crosseyed And Painless: YouTube Preview Image

Once In A Lifetime: YouTube Preview Image

“Fear Of Music” dos Talking Heads (1979)

Com Fear Of Music, os Talking Heads escavaram um veio de paranoia que seus dois primeiros álbuns tinham apenas arranhado. Talking Heads: 77 e More Songs About Buildings And Food eram obras pouco convencionais de pop, que desconstruíram a vida na decadente cultura americana. Em Fear Of Music, David Byrne dirigiu seu olhar destruidor para dentro de si e dissecou sua própria mente ansiosa.

Essa aguçada auto-análise está ancorada em um som mais triste e denso. Faixas como “Animals” – um grande momento psicótico, no qual Byrne descarrega sua desconfiança em relação ao mundo animal – e “Mind”, uma canção fúnebre para uma ex-amante que morreu, constroem uma atmosfera ameaçadora através de repetições em ritmo funk simples mas distorcidas.

A produção hiperacurada de Brian Eno contribui para o tom de pressentimento do álbum. A ex-estrela do Roxy Music, que também produziu More Songs About Buildings And Food, de 1978, reuniu estranhos efeitos sonoros em Fear Of Music – marcando a ruptura com o som do tipo ao vivo no estúdio dos dois primeiros álbuns. Os riffs são esticados e fragmentados em “Electric Guitar”. Backing vocals espectrais – a cargo das irmãs da baixista Tina Weymouth – flutuam em “Air” e as visões de colapso mental de “memories Can’t Wait” surgem carregadas de distorção e ondas de eco.

A guinada da banda para um rumo sombrio confundio os fãs ingleses (Fear Of Music chegou apenas ao 29o lugar na parada britânica), mas os críticos e o público americano adoraram o som experimental do álbum. O lendário crítico de música Lester Bangs declarou que este disco era “o melhor dos Heads” e Fear Of Music ficou em 21o lugar entre os 100 Mais da Billboard, o posto mais alto alcançado pelos Talking Heads até então.

Animals: YouTube Preview Image

Mind: YouTube Preview Image

Electric Guitar: YouTube Preview Image

Air: YouTube Preview Image

Memories Can’t Wait: YouTube Preview Image

I Zimbra: YouTube Preview Image

Life During Wartime: YouTube Preview Image

Heaven: YouTube Preview Image

“More Songs About Buildings And Food” dos Talkings Heads (1978)

David Byrne e Brian Eno faziam um par perfeito, formado no céu das escolas de arte. O primeiro álbum dos Talking Heads, Talking Heads: 77, apesar de sua qualidade, mostrou que a banda precisava de foco e Eno providenciou isso sem eliminar o ecletismo natural da banda ou solapar a voz individual de Byrne.

A capa modernista criada por Byrne, que mostra os quatro Talkings Heads reconstruídos como uma grade, dá apenas uma pista do caráter experimental do álbum. As letras excêntricas e auto-referentes do cantor são o destaque de “With Our Love” e “Good Thing”, mas têm de abrir espaço dentro do ritmo cada vez mais complexo da baixista Tina Weymouth e do baterista Chris Frantz. Se Talking Heads: 77 mirava a cabeça, More Songs About Buildings And Food se dirigia aos pés, fluindo pelo minimalismo clássico, música disco espacial e funk africano.

O frenesi provocado pelo sucesso anterior da banda, “Psycho Killer”, se materializou novamente na arrasadora faixa de abertura, “Thank You For Sending Me An Angel”. Em “Artists Only”, Byrne quase se contorce com uma energia nervosa. A medida que o tempo passa, aumenta a intensidade e vem a poderosa releitura de “Take Me To The River”, de Al Green, o primeiro single da banda a ficar entre os Top 40.

O álbum vendeu modestamente. O mais importante é que foi o pontapé inicial da parceria de quatro anos entre Eno e os Talking Heads, que culminou com Remain In light, de 1980. Esse ciclo configurou o auge da carreira do grupo e se iguala à série de álbuns que Eno gravou com David Bowie.

With Our Love: YouTube Preview Image

The Good Thing: YouTube Preview Image

Thank You For Sending Me An Angel: YouTube Preview Image

Artists Only: YouTube Preview Image

Take Me To The River: YouTube Preview Image

“Talking Heads: 77″ dos Talking Heads (1977)

Os Talking Heads foram formados em Nova York, com o nome de The Artistcs, pelo escocês David Byrne, por Chris Frantz e Tina Weymouth. A fama obtida nas apresentações ao vivo o tornou um dos grupos mais elogiados nos palcos do clube nova-iorquino CBGB. Contratados por Seymour Stein para seu selo, Sire, eles recrutaram o guitarrista Jerry Harrison, ex-Modern Lovers, e começaram a trabalhar em seu clássico álbum de estreia, com a colaboração do produtor Tony Bongiovi, primo de Jon Bon Jovi.

O single “Love Goes To Building On Fire”, lançado um pouco antes do álbum, levantou suspeitas de que a banda estaria comprometendo sua música para ganhar aceitação comercial. Talking Heads: 77 mostrou que sua integridade permanecia intacta. A virulenta faixa de abertura, “Uh-Oh, Love Comes To Town”, inspirada na paixão de Byrne pelos grupos dos anos 60, colocava sua característica voz tensa contra os convulsivos ritmos funk de Frantz e Weymouth. Inicialmente, Bongiovi acrescentou cordas psicodélicas ao monólogo de “Psycho Killer”, mas a banda se queixou de que tinha ficado parecido com um disco de Natal. No entanto, faixas como “New Feeling” e “Don’t Worry About The Government”, com o seu trabalho diferenciado de guitarra, súbitas mudanças de tempo e as estrofes líricas, inteligentes e desconexas de Byrne, mostravam que os Talking Heads tinham se alimentado do punk, funk e disco para criar um som próprio convincente.

Talking Heads: 77 entrou para os Top 40 da Europa. A Rolling Stone elegeu o grupo, ao lado de Peter Gabriel, como a revelação de 1977, e este álbum excelente continua influenciando bandas como o Radio 4 e The Rapture, que mantiveram vivo muito do espírito criativo inicial dos Talking Heads.

Uh-Oh, Love Comes To Town: YouTube Preview Image

Psycho Killer: YouTube Preview Image

New Feeling: YouTube Preview Image

Don’t Worry About The Government: YouTube Preview Image

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