Originalmente intitulado Melody Attack, este disco é o ponto alto da carreira do Talking Heads, o último e mais bem realizado dos três álbuns que eles gravaram com Brian Eno. Produzido em um período turbulento da história do grupo, Remain In Light pode ser visto como uma briga pela atenção do líder David Byrne entre os demais membros da banda (Tina Weymouth, Chris Frantz e Jerry Harrison) e o produtor e co-autor Brian Eno. Essa tensão gerou um álbum sempre interessante de se ouvir.
Depois de gravar todos os canis de base, os integrantes reagruparam-se em Nova York no verão de 1980 para terminar o disco. Lutando contra um bloqueio criativo, Byrne converteu os improvisos – geralmente simples variações sobre um mesmo acorde – em músicas estruturadas. Com diversas camadas sobrepostas de vocais, bateria, baixo e percussão, as sequências rítmicas entremeadas do disco deixam o ouvinte sem fôlego, desde “The Great Curve”, com sua influência africana, a “Crosseyed And Painless”, lembrando Kurtis Blow. A maior improvisação, “Weird Guitar Riff Song”, transformou-se em “Once In A Lifetime”, evocando a música de Fela Kuti, com Byrne imitando o estilo de um pregador.
Lançado em outubro de 1980, Remain In Light demonstrou que o pop podia funcionar tanto para a cabeça quanto para os pés. O processo de criação do disco acabou dividindo o grupo: Eno e Byrne de um lado, Weymouth e Franz do outro, tendo Harrison como mediador. Ainda que Eno fosse sair em breve dessa equação, a pressão criada afetou a banda e levou à sua dissolução 10 anos depois.
























