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“Blood And Chocolate” de Elvis Costello And The Attractions (1986)

Nas notas do encarte da reedição de Blood And Chocolate, Elvis Costello informou aos leitores que “não há muito a explicar sobre este disco”. Talvez, mas aqueles que conhecem apenas os dois últimos terços da sua carreira notarão a raiva que transpassa na primeira faixa, “Uncomplicated”, e certamente se perguntarão como, porque e quando ele ficou tão raivoso.

Vindo logo após King Of America, mais tradicional e sem a banda de acompanhamento, The Attractions, Blood And Chocolate é, de fato, um choque. Gravado quase todo ao vivo no estúdio, com monitores de palco em vez de fones de ouvido e com aplificadores no volume máximo, ele soa seco, básico e sujo. Não foi coincidência. As músicas são amargas como um adeus ou pungentes como mensagens de amor envoltas em arame farpado. Elas vêm embaladas em rock de garagem (“I Hope You’re Happy Now”), em pop dos anos 60 (“Poor Napoleon”), em melancolia (“Home Is Anywhere You Hang Your Head”) ou em claustrofobia (“I Want You”, um ponto alto de sua carreira), mas vêm secas.

O público não gostou desse Costello irado e o marketing estranho também não ajudou. “Tokyo Storm Warning”, um furioso “diário de viagem de um pesadelo de um brutamontes” (observação de Costello no encarte) com seis minutos de duração, foi a bizarra escolha do primeiro single, mais incompreensível ainda pela decisão de dividir a música em duas partes, com fades malfeitos, nos lados A e B. Após o fracasso dos dois singles seguintes, Elvis Costello criou o pop perfeito de Spike. Desde então, Costello tem colaborado com inúmeros artistas numa fascinante, embora por vezes estranha, carreira.

Uncomplicated: YouTube Preview Image

I Hope You’re Happy Now: YouTube Preview Image

I Want You: YouTube Preview Image

Tokyo Storm Warning: YouTube Preview Image

Battered Old Bird: YouTube Preview Image

“Imperial Bedroom” de Elvis Costello And The Attractions (1982)

Seis álbuns em cinco anos, e mesmo assim o hiperativo e produtivo Elvis Costello não errou uma única vez. Tinha emergido dos rugidos do punk, flertado com imitações do Abba, homenageado o soul e chegado a ir a Nashville para gravar um álbum de country bem razoável. E depois? Bem, ele contratou como produtor Geoff Emerick (o engenheiro inspirado de Sgt. Pepper, dos Beatles) e, juntos, começaram a trabalhar no que pouco a pouco se revelaria uma coleção sedutora de pop exuberante e inebriante – se é que algo impregnado com tanta melancolia, culpa e desespero pode ser corretamente descrito como pop.

Enquanto isso, sua banda, The Attractions, demonstrou mais uma vez que a genialidade nem sempre precisa de um líder. “Enlouqueça, componha um arranjo realmente excêntrico…”, foram as instruções que Costello deu a Steve Nieve para “…And In Every Home”. Ele seguiu tudo à risca.

Mas Imperial Bedroom é de fato uma obra-prima, como foi proclamado pela campanha publicitária nos Estados Unidos? Alguns críticos reclamaram do que consideravam ser um trabalho melodramático superproduzido e as vendas foram decepcionantes. Décadas mais tarde a música continua tendo brilho e as letras ferem como navalhas. Não, obra-prima não é um exagero. Imperial Bedroom é um álbum altamente interessante, um punho fechado dentro de uma luva de pelica.

Um comentário final: a arte da capa no estilo de Picasso, que define tão astuciosamente o som do disco, aparece nos créditos como sendo obra de “Sal Forlenza, 1942″ – na realidade, é um pseudônimo do falecido Barney Bubbles.

…And In Every Home: YouTube Preview Image

Beyond Belief: YouTube Preview Image

Shabby Doll: YouTube Preview Image

Man Out Of Time: YouTube Preview Image

Almost Blue: YouTube Preview Image

Town Cryer: YouTube Preview Image

“Armed Forces” de Elvis Costello And The Attractions (1979)

Gravado durante seis semanas no Eden Studios, em Londres – com o nome original de Emotional Fascism, Armed Forces -, o terceiro álbum de Elvis Costello foi um claro passo atrás em relação à música agressiva do disco anterior, This Year’s Model. Os arranjos pop deixavam perceber a formação clássica do tecladista Steve Naive (antes, Steve Nason), que vinha exercendo uma influência crescente no trabalho de apoio a Costello. O primeiro single, “Oliver’s Army”, vendeu 400 mil cópias, mas não conseguiu derrubar “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, do topo da parada; da mesma forma, o álbum também ficou em segundo lugar.

O LP incluiu um single de sete polegadas, com três faixas ao vivo e uma capa graficamente elaborada. Entre essas faixas havia um take de piano e voz da música de abertura do álbum, “Accidents Will Happen”, muito melhor, sob qualquer ponto de vista, do que o corte feito pelo estúdio. Outro destaque era “Green Shirt”, uma “homenagem” à apresentadora da BBC TV Angela Rippon, na qual Naive teve controle total para usar seu arsenal de teclados.

Para alguns, a inclusão de “Sunday’s Best”, uma música escrita para Ian Dury e por ele rejeitada, podia sugerir que a fonte criativa de Costello estava começando a secar. A canção foi retirada do álbum, no lançamento dos Estados Unidos, e substituída por uma versão de “What’s So Funny ‘Bout Peace Love And Understanding”, de Nick Lowe.

Mas não havia dúvidas, ao se ouvir o repetido refrão “I will return” (“Eu voltarei”), no final de “Two Little Hitlers”, de que Costello cumpriria a promessa. Ele conseguiu, com sucesso, se infiltrar no mainstream. Como contrsate, seu projeto seguinte teve o soul como base.

Oliver’s Army: YouTube Preview Image

Accidents Will Happen: YouTube Preview Image

Green Shirt: YouTube Preview Image

Sunday’s Best: YouTube Preview Image

Two Little Hitlers: YouTube Preview Image

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