Em 1969, com os Estados Unidos politicamente divididos, culturalmente partidos e totalmente atolados no Vietnã, a até então gloriosa década de 60 estava se arrastando para o fim. Dylan fechou a porta e baixou as cortinas para uma geração em busca de respostas. As drogas eram cada vez mais pesadas e o movimento psicodélico se enfraquecera. Foi nesse ambiente que a banda mais influente da época lançou sua obra-prima.
Construído a partir do extraordinário ciclo de canções de Robbie Robertson inspirado no Sul dos Estados Unidos, The Band reflete bem a época, por estar enraizado no orgulho ferido do passado de uma nação (quase foi intitulado “América”). É curioso que quatro canadenses e um sulista de Arkansas tenham conseguido absorver e definir de forma tão marcante essa herança.
Gravado (em parte) numa casa alugada que pertencia a Sammy Davis Jr., nas colinas de Hollywood, estas gravações são o ápice de seus anos de rockabilly na estrada, dos tempos com Dylan e de sua estada em Woodstock. Do piano dos bares de Nova Orleans nos anos 30 ao ragtime soul, a música tem textura granulada e ritmo fluente. Os vocais entrelaçados de Levon Helm, Richard Manuel e Rick Danko mudam de repente para um efeito fantasmagórico etéreo.
A The Band teve muitos pontos altos, mas este seu segundo álbum é o mais mágico, poético e bem realizado. Na capa, os integrantes do grupo parecem um bando mal-encarado de homens da fronteira ou uma gangue raivosa de foras-da-lei – e realmente eram as duas coisas.










