Antes do lançamento de Giant Steps, o Boo Radleys era o fundo da lixeira da Creation Records. O selo inglês, em acelerada expansão, ainda não tinha descoberto o Oasis, mas tinha várias outras bandas de sucesso, como o Primal Scream e o Teenage Fanclub. Mas o The Boo Radleys, de Liverpool (o nome vem do personagem recluso de O Sol É Para Todos), era uma banda apática de sonoridade similar à do Dinosaur Jr. com similaridades malvistas com a cena agora ridicularizada do shoe-gazing.
Foi então que lançaram Giant Steps, para surpresa geral. Este é um disco caleidoscópico com 17 músicas que são tão extravagantes e viajantes quanto a capa do álbum. Claro que há canções relativamente lineares, como “Wish I Was Skinny” e “Barney (…And Me)”. Mas também há passagens realmente sublimes, como, por exemplo, a junção do feedback de guitarra de “Leaves And Sand” que se junta com as paisagens sonoras amplas e de perspectiva variável de “Butterfly McQueen”, que, por sua vez, se transforma na batida ensolarada de “Rodney King”. O melhor momento é, sem dúvida, “Take The Time Around” – Beatles visto com olhos grunge, se desenvolvendo até chegar ao reggae cheio de cores mariachis do principal single do disco, “Lazarus”.
Poderíamos pensar que Sun Ra, Phil Spector e Brian Wilson tinham juntado forças para compor e produzir este obra-prima melódica de space-rock orquestral. Contudo, o crédito vai todo para o compositor do Boo Radleys, Martin Carr, enquanto a própria produtora da banda, BOOS! Productions, conjurou toda essa aventura sonora em um dia sombrio do inverno londrino. As revistas NME e Select nomearam o trabalho como disco do ano e ainda hoje é considerado um clássico cult.







