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“Sweetheart Of The Rodeo” do The Byrds

Em março de 1968, quando os Byrds entraram no estúdio da Columbia Records em Nashville para gravar seu sexto álbum, apenas dois integrantes originais permaneciam na banda: Roger McGuinn e Chris Hillman. McGuinn havia imaginado um álbum duplo que contasse a história da música popular americana, desde o country tradicional, passando pelo rock, até o som eletrônico futurista movido por sintetizadores Moog. Recém-recrutado pelos Byrds, Gram Parsons – que, com sua International Submarine Band, havia gravado um disco country, Safe At Home, pela gravadora LHI, de Lee Hazlewood – o convenceu a ficar no country.

Parsons compôs, com o ISB Bob Buchanan, a melhor música de Sweetheart Of The Rodeo – “Hickory Wind”, uma balada nostálgica, com muita steel guitar, sobre a inocência perdida. Também faz o vocal principal da canção, além de ter escrito a outra obra original do disco, “One Hundred Years From Now”, e ter sugerido quatro das nove versões gravadas. Parsons teria comandado todo o álbum, se Hazlewood não tivesse ameaçado processá-lo pelo fato de que ele ainda estava sob contrato com seu selo. Por isso o vocal de Parsons foi eliminado das faixas “You Don’t Miss Your Water”, de William Bell, e “The Christian Life”, dos Louvin Brothers. Os únicos vestígios do passado dos Byrds estão nas canções de Dylan, “You Ain’t Going Nowhere” e “Nothing Was Delivered”, retiradas de Basement Tapes.

O público dos Byrds estava acostumado à experimentação radical da banda, mas rejeitou o comprometimento do álbum com um gênero associado a sulistas reacionários. Considerado um fracasso por alguns em seu lançamento, o disco vem ressurgindo como uma obra pioneira do country rock, exercendo uma poderosa influência em bandas tão diversas como os Eagles e Wilco.

Hickory Wind: YouTube Preview Image

One Hundred Years From Now:YouTube Preview Image

You Don’t Miss Your Water: YouTube Preview Image

The Christian Life: YouTube Preview Image

You Ain’t Going Nowhere: YouTube Preview Image

Nothing Was Delivered: YouTube Preview Image

You’re Still On My Mind: YouTube Preview Image

One Hundred Years From Now: YouTube Preview Image

“The Notorious Byrd Brothers” dos Byrds

A capa do seu quinto LP indicava que os Byrds estavam passando por mudanças. O guitarrista David Crosby havia deixado a banda de forma amarga e é por isso que apenas aparecem na foto o baixista Chris Hillman, o líder Roger McGuinn e o baterista Michael Clarke.

Apesar desse turbilhão, o álbum é uma síntese celestial de melodia e experimentação, incluindo inovadoras texturas eletrônicas. “Artificial Energy” utiliza trompetes para simular o zumbido da anfetamina; a euforia da música é minada pela letra especialmente na dissonância da última linha. Essa abertura dramática se dissolve na versão de “Goin’ Back”, de Carole King e Gerry Goffin, marcada pela pedal steel e cuja nostalgia ganha pungência à luz do Vietnã. A guerra amplia o contexto da etérea “Draft Morning”, de Crosby, e a metálica “Wasn’t Born To Follow”, outra obra de Goffin/King, apenas sublinha o fato de que os Byrds foram pioneiros do folk rock e da música psicodélica.

O lado B flutua como uma aura, incluindo temas caros aos Estados Unidos (“Change Is Now”, “Old John Robertson”), devaneios utópicos (“Tribal Gathering”, “Dolphin’s Smile”) e futurismo (“Space Odyssey”). O CD relançado mais tarde apresenta vários extras, destacando-se a balada de Crosby, “Triad”.

Embora tenha chegado apenas ao 47o lugar na parada da Billboard, The Notorious Byrd Brothers soa hoje como uma das grandes obras do pop dos anos 60, uma declaração conjunta nos moldes de Sgt. Pepper… Os Byrds, nesse meio-tempo, foram atrás do independente Gram Parsons, se mudaram para Nashville e surgiram com o clássico do country-rock Sweetheart Of The Rodeo.

Artificial Energy: YouTube Preview Image

Goin’ Back: YouTube Preview Image

Draft Morning: YouTube Preview Image

Wasn’t Born To Follow: YouTube Preview Image

Change Is Now: YouTube Preview Image

Old John Robertson: YouTube Preview Image

Tribal Gathering: YouTube Preview Image

Dolphin’s Smile: YouTube Preview Image

Space Odyssey: YouTube Preview Image

Triad: YouTube Preview Image

“Younger Than Yesterday” dos Byrds (1967)

Em seu quarto álbum, os Byrds ampliaram o ecletismo de 5D (Fifth Dimension), de 1966. A faixa de abertura, “So You Want To Be A Rock ‘N’ Roll Star (que ficou entre os 30 primeiros lugares na parada dos Estados Unidos), satirizava os grupos populares entre adolescentes, como os Monkees, que tinham feito grande sucesso sem tocar qualquer instrumento (embora apenas McGuinn tivesse realmente tocado algo no hit dos Byrds, “Mr. Tambourine Man”). Essa faixa tem um memorável trompete tocado por Hugh Masekela, o primeiro metal a dar o ar de sua graça em um disco dos Byrds.

Em “CTA-102″, a banda fez algumas experiências de estúdio para produzir o efeito sonoro de ficção científica. As primeiras incursões sérias do grupo na música country estão em “Time Between”, de Hillman (com a participação de Clarence White, que entraria para os Byrds) e em “The Girl With No Name”. David Crosby contribuiu com a resplandecente “Renaissance Fair”, inspirada num festival da Idade Média que acontecia numa rádio de Los Angeles, e com a atemporal “Everybody’s Been Burned”. Nesta música, que é certamente uma das melhores dos Byrds, o vocal límpido e cheio de sentimento de Crosby é complementado pela fluida linha do baixo de Hillman e um maravilhoso, embora despretensioso, solo de guitarra de McGuinn. “Mind Gardens”, também de Crosby, é menos brilhante, uma peça de filosofia psicodélica com referências shakespearianas. O grupo voltou à terra firme em outra regravação de uma música de Dylan, a pungente “My Back Pages”, que inspirou o nome do álbum e contém outro solo classudo de McGuinn (o CD relançado mais tarde traz ainda a incendiária “Lady Friend” e a melancólica “It Happens Each Day”, que estava, na época do disco, inacabada).

Em retrospectiva, é um dos melhores álbuns dos Byrds – ambiciosamente variado, lindamente executado e contendo alguns de seus trabalhos mais inesquecíveis.

So You Want To Be A Rock ‘N’ Roll Star: YouTube Preview Image

CTA-102: YouTube Preview Image

Time Between: YouTube Preview Image

Renaissance Fair: YouTube Preview Image

Everybody’s Been Burned: YouTube Preview Image

Mind Gardens: YouTube Preview Image

My Back Pages: YouTube Preview Image

Lady Friend: YouTube Preview Image

“Fifth Dimension” dos Byrds (1966)

Um dado curioso da carreira dos Byrds é que, à medida que sua popularidade desbotava e os choques de personalidade cresciam, eles produziam seu melhor trabalho. As pressões das turnês e a disputa para ser o principal compositor da banda finalmente derrubaram Gene Clark, que deixou o grupo no início de 1966. Forçados a desenvolver as próprias habilidades musicais para compensar essa perda crucial, David Crosby e Roger McGuinn começaram a encontrar seu talento.

A fascinação de McGuinn pelo espaço e pela ficção científica caracteriza a faixa-título e “Mr. Spaceman”, uma estranha canção em estilo country. As reflexões proto-hippies de “What’s Happenin?!?!” são respondidas pelos solos sinuosos de McGuinn em sua guitarra de 12 cordas. Essa guitarra pega fogo na atordoante “I See You”, um misto de jazz-raga-rock, e na extraordinária – e mais famosa – “Eight Miles High”. Escrita em parceria com Clark, a música é um relato impressionista e psicodélico do choque cultural experimentado pelo grupo durante sua malfadada turnê pela Inglaterra, em 1965. Uma dieta rigorosa à base de Ravi Shankar e John Coltrane durante a viagem inspirou os solos originais de McGuinn, ancorados pelo baixo de Hillman e pela bateria efervescente de Clarke. Pena que a palavra “high” no título fez a música ser proibida nos Estados Unidos, prejudicando as vendas. Os Byrds começaram a cair nas paradas com este disco.

Em algumas faixas, o LP flerta com as raízes folk e – o que não era sua característica – R&B do grupo. Isso contribui para tornar o álbum desigual, é verdade, o que é uma pena. Mas, afinal, os Byrds estavam navegando no rock ‘n’ roll, folk, jazz, raga-rock e country – e seus melhores anos ainda estavam por vir.

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“Mr. Tambourine Man” dos Byrds (1965)

Os Byrds se tornaram o primeiro grupo dos Estados Unidos a rivalizar, artística e comercialmente, com o domínio dos Beatles, quando o vocal do líder Jim (mais tarde, Roger) McGuinn – uma mistura de John Lennon com Bob Dylan – se juntou à harmonização de Gene Clark e David Crosby e ao som agudo da guitarra Rickenbacker de 12 cordas no single “Mr. Tambourine Man”. A banda também garantiu a Dylan o primeiro lugar nas paradas internacionais como compositor, o que influenciou sua decisão de usar a guitarra elétrica e dar o pontapé inicial no movimento folk-rock.

O LP Mr. Tambourine Man ampliou o escopo do single, trazendo outras três versões calibradas de músicas de Dylan, entre elas o hit “All I Really Want To Do”. O álbum também revelou o talento do compositor Gene Clark. Ele contribuiu com a canção que contém a essência dos Byrds, “I’ll Feel A Whole Lot Better” (mais tarde gravada por Tom Petty), e escreveu ou colaborou em mais quatro faixas, incluindo as odes ternas ao amor de “You Won’t Have To Cry” e “Here Without You”. Os Byrds homenagearam suas raízes folk com a sublime “The Bells Of Rhymney”, que inspirou diretamente os Beatles em “If I Needed Someone”. Em agradecimento a Jackie De Shannon, patronesse do grupo, eles gravaram “Don’t Doubt Yourself, Babe”, escrita por ela, acrescentando uma batida à la Bo Diddley. Também fizeram uma releitura do hino da Segunda Guerra Mundial “We’ll Meet Again”, de Vera Lynn, da trilha sonora do filme Dr. Fantástico, um sucesso da banda em seus primeiros shows ao vivo.

A alternância de guitarras e a suave harmonia dos Byrds permanecem até hoje, inspirando um sem-número de grupos como The Pretenders, The Smiths, Stone Roses, R.E.M. e Primal Scream, para citar apenas alguns.

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