A visão romântica da cultura pop dos anos 70 é a de adolescentes radicais, com cabelos compridos, que ouviam os Stooges e lutavam contra o governo Nixon. Na verdade, a maioria se parecia com – e ouvia – os Carpenters.
Close To You foi o segundo álbum da dupla, mas o primeiro a fazer sucesso. Sua gravação de “(They Long To Be) Close To You”, de Bacharach e David, ficou em primeiro lugar nas paradas americanas durante quatro semanas e virou um enorme sucesso internacional. Close To You foi feito às pressas, logo depois, em cima de músicas que Karen (voz e bateria) e Richard (piano) tocavam em clubes e bares nos quatro anos anteriores. A voz firme e afinada de Karen reveste os clássicos de Tim Hardin e Bacharach e David de uma inocência atemporal, complementada pelos arranjos claros e criativos de seu irmão. “We’ve Only Just Begun”, outra joia do pop, foi direto para o segundo lugar nos Estados Unidos (essa canção de amor maravilhosa foi escrita, originalmente, para um anúncio de TV, de um banco). O álbum ficou mais de um ano nas paradas dos Estados Unidos. A carpentermania tinha começado.
Os discos dos Carpenters sempre saíram bem, trazendo a dupla para o clube exclusivo de artistas com mais de 100 milhões de cópias vendidas. Para além do brilho pop, porém, a melancolia perpassa boa parte de seu trabalho (um sentimento que se tornou ainda mais pungente com a morte de Karen Carpenter, em 1983, de ataque cardíaco provocado por anos de anorexia). Os críticos tendem a ignorar os Carpenters. Mas isso não tem a menor importância. Seus fãs não são do tipo que se incomodam com uma imprensa pautada pela moda musical.



